A diversidade genética da Jatropha curcas L. encontrada no Brasil é muito mais limitada do que se pensava.
A diversidade genética da Jatropha curcas L. encontrada no Brasil é muito mais limitada do que se pensava. A conclusão é de um estudo publicado pela Embrapa na última edição da revista Crop Science, de novembro/dezembro. O artigo traz um retrato da diversidade molecular contida no banco de germoplasma da instituição de pesquisa, que envolve 192 acessos coletados do Maranhão ao Rio Grande do Sul. A pesquisa revelou que foram encontradas uma quantidade considerável de duplicações nessa coleção, apesar da extensa área de origem, o que provavelmente reflete uma ascendência em comum. “Este resultado destaca a necessidade urgente de melhorar a coleção de germoplasma (...), explorando a diversidade genética necessária para conduzir um programa de melhoramento genético vigoroso para a cultura”, concluiu o estudo, no qual participaram os pesquisadores Bruno Laviola e Leonardo Bhering.
Sem uma grande e diversificada coleção de material genético, as pesquisas para o melhoramento da planta fica prejudicada. “Nós já tínhamos conhecimento dessa falta de diversidade há três anos. Mas felizmente a Embrapa está buscando um intercâmbio de material genético através de parcerias com o México, países da América Central, Tailândia, China e Indonésia, onde existem cultivares sendo domesticadas”, diz o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Pinhão Manso (ABPPM), Mike Lu.
A ausência de sementes melhoradas e adaptadas às condições brasileiras tem limitado a expansão dos cultivos no país. “Sem uma cultivar, ninguém vai sair plantando loucamente”, diz Lu. Hoje, de acordo com ele, a expectativa de crescimento da área plantada é de 5 a 10 mil hectares ao ano.
A Conab acabou de concluir o levantamento sobre a cultura no país. Os números ainda estão sendo computados e não há previsão para divulgação. O levantamento, segundo Lu, deverá ficar dentro das estimativas da ABPPM, que deu suporte ao trabalho da Conab. Ele calcula que hoje a área plantada no Brasil seja de 50 mil hectares.
Frustração
No início, produtores ficaram desapontados com os rendimentos e muitas plantações fracassaram ao redor do mundo. “Foram plantadas cultivares inferiores que não tinham passado por um programa de domesticação extensiva”, diz Kirk Haney, presidente da americana SG Biofuels, empresa que têm investido pesado na seleção e melhoramento genético da planta. Outra questão que também contribuiu para o mau desempenho, segundo ele, foram as lacunas na cadeia de abastecimento. “Os parceiros para o processamento e refino não foram assegurados. E, o mais importante, um mercado pré-existente para comprar a produção não tinha sido estabelecido por meio de arranjos produtivos”, diz Haney.
A SG Biofuels afirma possuir o maior e mais diversificado acervo genético de pinhão-manso do mundo, com 7.000 genótipos únicos. A coleção foi feita em grande parte com materiais colhidos na América Central, centro de origem da jatropha. É nessa região que a natureza teve mais tempo para criar uma diversidade genética maior.
Este ano a empresa concluiu o seqüenciamento do genoma da espécie, em parceria com a Life Technologies, e lançou a primeira cultivar comercial do mundo, adaptada às condições de solo e clima da Guatemala. Para esta variedade, a projeção é de 3.200 litros de óleo por hectare ao ano – um rendimento oito vezes maior que a soja e quatro vezes maior que a canola. Segundo a empresa, os custos de produção são de apenas U$S 0,36 por litro. Atualmente, as variedades de jatropha existentes em plantios comerciais pelo mundo produzem não mais que 1.600 litros de óleo bruto por hectare.
O problema é que o custo para trazer essa cultivar para o Brasil tem sido inviável para o produtor. Segundo o presidente da ABPPM, a empresa estaria cobrando U$S 500 mil para vender a tecnologia. “O que eles têm são resultados em laboratório e em plantios experimentais na Guatemala, mas o que está dando certo lá pode não dar certo aqui”, diz Lu. Ele também informa que a empresa não dá garantias de produtividade em contrato. Por essa razão a entidade propôs um convênio com a empresa para testar a variedade no Brasil. “Os associados estão abertos para fazer os experimentos de campo”, diz.
Avanços
O presidente da ABPPM ressalta que todos os plantios no Brasil que contaram com bom suporte técnico estão dando certo e que os produtores continuam apostando na cultura. Entre dezembro e janeiro um produtor de Nova Mutum (MT) irá colocar em campo duas colheitadeiras recém compradas, que foram projetadas pela TDI Máquinas Agrícolas especialmente para a planta. Em fevereiro haverá o segundo esmagamento comercial e semi-refino do óleo de pinhão-manso pela Fusermann, em Barbacena (MG). Parte do óleo será usada para fabricação de bioquerosene e parte será aplicada como defensivo agrícola nas plantações de jatropha.
Lu acredita que a partir de agora, com o trabalho desenvolvido nas nove Unidades de Observação distribuídas pelo país– parceria firmada entre produtores e a Embrapa Agroenergia –, a expansão da cultura no país vai acontecer de forma mais intensa.
O presidente da SG Biofuels enxerga que o Brasil tem posição estratégica no cultivo da planta. “Baseado na atual liderança do Brasil na produção de biocombustíveis, no aumento da demanda desse mercado, na disponibilidade de terras adequadas e na liderança histórica em pesquisa e desenvolvimento agrícola, o país está bem posicionado para se tornar um líder global no desenvolvimento de um mercado sustentável e lucrativo de óleo bruto de Jatropha”, diz.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
A diversidade genética da Jatropha curcas L. encontrada no Brasil é muito mais limitada do que se pensava. A conclusão é de um estudo publicado pela Embrapa na última edição da revista Crop Science, de novembro/dezembro. O artigo traz um retrato da diversidade molecular contida no banco de germoplasma da instituição de pesquisa, que envolve 192 acessos coletados do Maranhão ao Rio Grande do Sul. A pesquisa revelou que foram encontradas uma quantidade considerável de duplicações nessa coleção, apesar da extensa área de origem, o que provavelmente reflete uma ascendência em comum. “Este resultado destaca a necessidade urgente de melhorar a coleção de germoplasma (...), explorando a diversidade genética necessária para conduzir um programa de melhoramento genético vigoroso para a cultura”, concluiu o estudo, no qual participaram os pesquisadores Bruno Laviola e Leonardo Bhering.
Sem uma grande e diversificada coleção de material genético, as pesquisas para o melhoramento da planta fica prejudicada. “Nós já tínhamos conhecimento dessa falta de diversidade há três anos. Mas felizmente a Embrapa está buscando um intercâmbio de material genético através de parcerias com o México, países da América Central, Tailândia, China e Indonésia, onde existem cultivares sendo domesticadas”, diz o presidente da Associação Nacional dos Produtores de Pinhão Manso (ABPPM), Mike Lu.
A ausência de sementes melhoradas e adaptadas às condições brasileiras tem limitado a expansão dos cultivos no país. “Sem uma cultivar, ninguém vai sair plantando loucamente”, diz Lu. Hoje, de acordo com ele, a expectativa de crescimento da área plantada é de 5 a 10 mil hectares ao ano.
A Conab acabou de concluir o levantamento sobre a cultura no país. Os números ainda estão sendo computados e não há previsão para divulgação. O levantamento, segundo Lu, deverá ficar dentro das estimativas da ABPPM, que deu suporte ao trabalho da Conab. Ele calcula que hoje a área plantada no Brasil seja de 50 mil hectares.
Frustração
No início, produtores ficaram desapontados com os rendimentos e muitas plantações fracassaram ao redor do mundo. “Foram plantadas cultivares inferiores que não tinham passado por um programa de domesticação extensiva”, diz Kirk Haney, presidente da americana SG Biofuels, empresa que têm investido pesado na seleção e melhoramento genético da planta. Outra questão que também contribuiu para o mau desempenho, segundo ele, foram as lacunas na cadeia de abastecimento. “Os parceiros para o processamento e refino não foram assegurados. E, o mais importante, um mercado pré-existente para comprar a produção não tinha sido estabelecido por meio de arranjos produtivos”, diz Haney.
A SG Biofuels afirma possuir o maior e mais diversificado acervo genético de pinhão-manso do mundo, com 7.000 genótipos únicos. A coleção foi feita em grande parte com materiais colhidos na América Central, centro de origem da jatropha. É nessa região que a natureza teve mais tempo para criar uma diversidade genética maior.
Este ano a empresa concluiu o seqüenciamento do genoma da espécie, em parceria com a Life Technologies, e lançou a primeira cultivar comercial do mundo, adaptada às condições de solo e clima da Guatemala. Para esta variedade, a projeção é de 3.200 litros de óleo por hectare ao ano – um rendimento oito vezes maior que a soja e quatro vezes maior que a canola. Segundo a empresa, os custos de produção são de apenas U$S 0,36 por litro. Atualmente, as variedades de jatropha existentes em plantios comerciais pelo mundo produzem não mais que 1.600 litros de óleo bruto por hectare.
O problema é que o custo para trazer essa cultivar para o Brasil tem sido inviável para o produtor. Segundo o presidente da ABPPM, a empresa estaria cobrando U$S 500 mil para vender a tecnologia. “O que eles têm são resultados em laboratório e em plantios experimentais na Guatemala, mas o que está dando certo lá pode não dar certo aqui”, diz Lu. Ele também informa que a empresa não dá garantias de produtividade em contrato. Por essa razão a entidade propôs um convênio com a empresa para testar a variedade no Brasil. “Os associados estão abertos para fazer os experimentos de campo”, diz.
Avanços
O presidente da ABPPM ressalta que todos os plantios no Brasil que contaram com bom suporte técnico estão dando certo e que os produtores continuam apostando na cultura. Entre dezembro e janeiro um produtor de Nova Mutum (MT) irá colocar em campo duas colheitadeiras recém compradas, que foram projetadas pela TDI Máquinas Agrícolas especialmente para a planta. Em fevereiro haverá o segundo esmagamento comercial e semi-refino do óleo de pinhão-manso pela Fusermann, em Barbacena (MG). Parte do óleo será usada para fabricação de bioquerosene e parte será aplicada como defensivo agrícola nas plantações de jatropha.
Lu acredita que a partir de agora, com o trabalho desenvolvido nas nove Unidades de Observação distribuídas pelo país– parceria firmada entre produtores e a Embrapa Agroenergia –, a expansão da cultura no país vai acontecer de forma mais intensa.
O presidente da SG Biofuels enxerga que o Brasil tem posição estratégica no cultivo da planta. “Baseado na atual liderança do Brasil na produção de biocombustíveis, no aumento da demanda desse mercado, na disponibilidade de terras adequadas e na liderança histórica em pesquisa e desenvolvimento agrícola, o país está bem posicionado para se tornar um líder global no desenvolvimento de um mercado sustentável e lucrativo de óleo bruto de Jatropha”, diz.
Alice Duarte – BiodieselBR.com