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ADM entra em cheio no mercado do biodiesel

Em um momento em que a atenção parece concentrar-se no aumento da produção de etanol nos Estados Unidos, a ADM está olhando para o mercado de biodiesel.
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Em um momento em que a atenção parece concentrar-se no aumento da produção de etanol nos Estados Unidos, a Archer-Daniels-Midland CO. (ADM) está olhando para um mercado de combustível alternativo diferente: o biodiesel baseado na soja e a palma produzido no Brasil e Indonésia.

A planta que planeja abrir na Indonésia será em propriedade conjunta e a do Brasil será controlada completamente pela Archer-Daniels. Espera-se que esta seja inaugurada antes de julho em Rondonópolis, um pujante centro de produção de soja, e que será a maior do país. A empresa projeta que nos próximos cinco anos o crescimento da produção de biodiesel se quadruplique em todo mundo.

O biodiesel (um combustível renovável feito de plantas como a soja, a palma e a canola) funciona em motores diesel. O etanol, por sua parte, funciona em motores a gasolina. A ADM não quis revelar cifras de investimento, mas espera que sua capacidade de geração de biodiesel aumente dos 470 milhões de galões atuais a uma cifra comparável aos 1 bilhão e 100 milhões de galões de capacidade para produzir etanol.
Internacionalmente, o biodiesel tem um potencial promissor. Este tipo de combustível equivale a 40% de todo o combustível consumido pelos automóveis e caminhões do mundo. Na Europa equivale a 60%, enquanto que nos EUA só a 24%, segundo a Agência Internacional de Energia.

Espera-se que o consumo de biodiesel cresça nos mercados emergentes, já que muitos destes países cultivam plantas compatíveis com a produção deste combustível, como a palma no Indonésia e a soja no Brasil. Do mesmo modo, estes países já contam com, ou estão projetando, metas para o consumo de biodiesel. Em 2005, o Brasil estabeleceu o requisito de que 2% da composição do diesel fosse biodiesel. Essa meta deve subir a 5% em 2013 e a 20% em 2020.

Este panorama representa uma boa oportunidade para a ADM. A empresa planejou a abertura da planta de Rondonópolis em antecipação ao "aumento da demanda devido ao mandato de biodiesel", segundo Jessie McKinney, porta-voz de ADM. Outro aspecto que beneficia as operações do ADM no Brasil é a particular estrutura dos incentivos tributários. Os produtores recebem 27 centavos de dólar por cada galão de biodiesel produzido a partir de matérias-primas provenientes de pequenas granjas familiares. A ADM atualmente está no processo de assinar contratos com estes agricultores para poder se beneficiar do incentivo.

A empresa também está injetando dinheiro na infra-estrutura brasileira, investindo em estradas, barcaças fluviais e a modernização de suas instalações de armazenamento em todo o país.

O Brasil é o segundo maior produtor de soja, depois dos EUA. Nos últimos três anos, os agricultores brasileiros lutaram contra o mau clima, dívidas e uma moeda local fraca. [N.T.: pelo contrário — real valorizado, mais juros altos] Espera-se que neste ano sua sorte mude com uma recuperação nos preços da soja.

Por Lauren Etter
The Wall Street Journal
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