Oleaginosas alternativas ganham espaço Selo Social
Em 2015, a participação da soja no Selo Social caiu pela primeira vez em 5 anos com oleaginosas alternativas ganhando um pouco de espaço nos orçamentos das usinas.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
Texto
Está certo que a mudança foi milimétrica, mas ela está lá. Em 2015, a participação da soja no Selo Combustível Social caiu pela primeira vez em cinco anos com outras gorduras e oleaginosas produzidas pela agricultura familiar conquistando um pouquinho mais de espaço nos orçamentos que as usinas de biodiesel reservam para suas aquisições de matérias-primas.
Está certo que a mudança foi milimétrica, mas ela está lá. Em 2015, a participação da soja no Selo Combustível Social caiu pela primeira vez em cinco anos [veja tabela] com outras gorduras e oleaginosas produzidas pela agricultura familiar conquistando um pouquinho mais de espaço nos orçamentos que as usinas de biodiesel reservam para suas aquisições de matérias-primas.
De acordo com dados disponibilizados pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar de do Desenvolvimento Agrário (SEAFDA) – órgão ligado à Casa Civil que absorveu as responsabilidades Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) – no ano passado, as usinas detentoras do Selo Social gastaram pouco mais R$ 14,9 milhões para comprar 10,4 mil toneladas matérias-primas diferentes da soja. Foi mais do que o dobro em relação à 2014 quando o montante não chegou sequer a R$ 6,5 milhões.
É praticamente nada perto dos R$ 3,9 bilhões e 3,5 milhões de toneladas que o Selo como um todo movimentou no ano passado, mas é uma evolução para esse segmento. Também é o melhor resultado para o grupo, desde 2010 quando os gastos chegaram a praticamente R$ 57,3 milhões.
Diversificação
Vale chamar a atenção para o fato de que, na lista do SEAFDA, aparecem seis oleaginosas e gorduras aninais diferentes – canola, girassol, mamona, coco, macaúba e óleo de peixe. Desde 2009, a lista não era tão diversificada. Um verdadeiro alento depois do número de oleaginosas alternativas ter baixado para apenas três em 2014.
Os óleos de coco, de macaúba e a gordura de peixe fizeram sua primeira aparição na listagem amealhando cerca de R$ 275 mil em compras por parte das usinas de biodiesel. No total, esses três contribuíram com 140 toneladas de matéria-prima.
Já o girassol voltou a lista depois de ter se ausentado em 2014. Foram R$ 40 mil para adquirir 50 toneladas deste óleo.
Mas os grandes destaques foram o óleo de canola e, surpreendentemente, o de mamona. Ambas renascendo das cinzas.
No caso da canola vemos, depois de um grande tombo de 2012 para 2013, uma recuperação gradual com crescimentos moderados nos últimos três anos. Em 2015, as compras dessa oleaginosa de inverno superaram os R$ 1,5 milhão com um volume de 1,2 mil toneladas.
A mamona avançou com um ímpeto ainda maior. As compras foram de R$ 13,1 milhões, essa foi a primeira vez em seis anos que o número volta a patamar dos oito dígitos. Em 2010, a mamona era vista como a estrela do PNPB e chegou a ser a segunda matéria-prima mais importante do Selo Social – atrás apenas da soja em grão – com R$ 46,3 milhões adquiridos, mas caiu muito e, em 2012, não chegou sequer a um milhão de reais. De lá para cá, apesar da imagem arranhada, vem travando sua própria corrida de recuperação.
Quase 9,1 milhares de toneladas de mamona entraram no balanço do Selo Social.
Distribuição
A Bahia é, disparado, o estado que mais contribuiu com matérias-primas alternativas para o Selo. Foram 8,6 mil toneladas e R$ 12,5 milhões.
Mas a lista completa inclui outros 6 estados – Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul e Sergipe – que acrescentam outras 1,8 mil toneladas em matérias-primas e R$ 2,4 milhões à conta.
Ainda muito desigual
Esse, contudo, é o limite da boa notícia. De um modo geral, as oleaginosas alternativas continuam sendo um traço nas estatísticas. Mais exatamente, elas correspondem a menos de 0,4% do valor e 0,3% do volume movimentados dentro do Selo Combustível Social.
Nesse meio tempo, e mesmo com uma queda relativa, as usinas gastaram R$ 3,2 bilhões para comprar o equivalente a 3,4 milhões de toneladas de soja e óleo de soja – respectivamente 99,6% e 99,7% do total no período. Um ano antes a proporção foi de 99,8%.
Em outras palavras, mesmo com o melhor resultado em vários anos, o selo está muito longe de perder sua dependência da soja. Quando o motivo para comemoração e tão pequeno e acontece depois de tantos anos é porque o problema a ser resolvido é estrutural e antigo.