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[Exclusivo] Número de agricultores incluídos pelo Selo cai ainda mais em 2014

Menos agricultores familiares foram beneficiados pelo Selo Combustível Social caiu em 2014. É a terceira queda anual. A renda, por outro lado, aumentou.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Está voltando no tempo. Essa é uma das impressões que fica ao analisar os números do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para o Selo Combustível Social durante o ano de 2014 aos quais BiodieselBR.com teve acesso com exclusividade na semana passada. No último ano 72,4 mil agricultores familiares fizeram negócios com usinas de biodiesel, uma queda de 13,6% em relação ao número de 2013. Esse é o terceiro ano consecutivo em que o número de agricultores beneficiados pela iniciativa cai. Mantido o ritmo de queda, em dois anos a inclusão voltará aos níveis de 2010. Em compensação a renda dos agricultores envolvidos aumentou.

Está voltando no tempo. Essa é uma das impressões que fica ao analisar os números do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para o Selo Combustível Social durante o ano de 2014 aos quais BiodieselBR.com teve acesso com exclusividade na semana passada. No último ano 72,4 mil agricultores familiares fizeram negócios com usinas de biodiesel, uma queda de 13,6% em relação ao número de 2013. Esse é o terceiro ano consecutivo em que a quantidade de agricultores beneficiados pela iniciativa cai. Mantido o ritmo de queda, em dois anos a inclusão voltará aos níveis de 2010.

Em seu ápice, o Selo envolveu praticamente 104,3 mil agricultores no já distante ano de 2011. De lá para cá, o número de beneficiários do programa encolheu praticamente um terço. E se, antes, essa queda estava concentrada no Nordeste e no Sudeste, com as demais regiões apresentando – majoritariamente – resultados positivos; esse ano houve encolhimento em todas as cinco regiões brasileiras.

Essa é a primeira vez que algo assim acontece. Dentre todas unidades da federação com agricultores no programa, só o Paraná e o Mato Grosso do Sul fecharam o ano com crescimento – respectivamente 178 e 133 famílias a mais.

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Nordeste em baixa

Novamente, a maior parte dessa retração se concentrou no Nordeste onde o número de agricultores recuou de 12,9 mil em 2013 para apenas 4,7 mil no ano passado. Cinco anos atrás, os produtores rurais nordestinos somavam 41,2 mil dos fornecedores do Selo.

Proporcionalmente, os agricultores do Nordeste viram sua participação no Selo recuar de 60% em 2008 para apenas 6,6% no ano passado.

No entanto, a retração atingiu até a Região Sul que vinha – salvo por uma pequena queda em 2012 – avançando com relativo vigor. Entre 2013 e 2014, pouco mais de 2,3 mil pequenos produtores deixaram de vender oleaginosas para a produção de biodiesel o que levou os três estados sulistas a contabilizarem 60,7 mil produtores ou 84% do total.

O grande destaque é o Rio Grande do Sul que, sozinho, conta com 44,9 mil dos agricultores do Selo. Se fosse contado à parte, o RS seria o líder isolado do Selo com 62% das famílias participantes. Nessa contabilidade alternativa, Paraná e Santa Catarina ficariam com 15,8 mil produtores incluídos, ou 22% do total, levando o segundo lugar com ampla margem de vantagem sobre o Centro-Oeste e o Nordeste que estariam empatados em terceiro com 6,6%.

Mais renda

Se a quantidade de agricultores está menor, a boa notícia vem da renda que aumentou. Ano passado, as usinas de biodiesel compraram o equivalente a R$ 3,2 bilhões em oleaginosas oriundas da agricultura familiar. Trata-se de um crescimento de 14% sobre o valor gasto um ano antes.

Esse dinheiro comprou pouco mais de 3 milhões de toneladas de oleaginosas, 8,6% a mais do que em 2013. O Sul foi o campeão de vendas entre as regiões com 2,4 milhões de toneladas enquanto o Rio Grande do Sul ficou com o outro entre os estados com mais de 1,7 milhão de toneladas de oleaginosas vendidas.

Com isso não é difícil prever que o Sul também abocanhou a maior fatia do dinheiro que circulou no mercado – cerca de R$ 2,6 bilhões ou 80,4% do total. Um crescimento de 19,5% sobre o valor de 2013. Em média, cada agricultor do Sul reforçou sua renda anual em pouco mais de R$ 43 mil graças às vendas para as usinas de biodiesel.

Esse é um resultado até modesto perto dos R$ 111,2 mil que cada uma das 4,7 mil famílias do Centro-Oeste faturou vendendo oleaginosas para a produção de biodiesel. Com renda anual de R$ 152,2 mil por família, Goiás é o grande destaque em termos de geração de renda.

É aí que surge a segunda boa notícia nos dados do MDA. A renda do Nordeste deu um salto. De R$ 1,2 milhão em 2013, foi para mais de R$ 4,3 milhões em 2014 – crescimento superior a 250% no período. O valor ainda está longe do recorde de R$ 46 milhões registrado em 2010, mas já é um alento perto dos raquíticos R$ 547 mil de 2012.

Isso quer dizer que cada produtor nordestino ganhou R$ 911 em 2014. Certamente é muito pouco para um programa que – lá em 2004 – foi lançado com a promessa de mudar a vida desses produtores, mas considerando que, em 2013, a renda por agricultor ficou abaixo de R$ 100 há motivo entusiasmo. Mesmo que extremamente moderado e lembrando que o avanço vem antes de um fator negativo – a queda no número de agricultores – do que de um positivo – o aumento no faturamento.

Se o número de famílias envolvidas com o Selo no Nordeste fosse o mesmo que em 2013, a renda por família no ano passado teria sido menor que R$ 335.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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