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Impacto ambiental, mudanças climáticas e os biocombustíveis (Parte 1)

Num momento no qual vários ministros de Estado, de 22 países, estão sendo recebidos no Rio de Janeiro é pertinente analisarmos o papel dos biocombustíveis nesse contexto.
Simoni P. Meneghetti 4 min de leitura
Num momento no qual vários ministros de Estado, de 22 países, estão sendo recebidos no Rio de Janeiro pelos Ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores do Brasil, para participar da Conferência Ministerial sobre Meio Ambiente Internacional e Governança para o Desenvolvimento Sustentável (de 03 e 04 de setembro do corrente), é pertinente analisarmos o papel dos biocombustíveis nesse contexto.

Esse artigo está dividido em duas partes. Inicialmente apresentarei um resumo geral sobre uma visita técnica-acadêmica que tive a oportunidade de realizar recentemente (Parte 1) e das várias discussões realizadas com pesquisadores nessa ocasião (Parte 2).

Recentemente tive a oportunidade de participar de viagem técnica-acadêmica à Alemanha, onde na agenda, estava incluída a visita ao Instituto de Pesquisa de Impacto Climático (Potsdam Institute for Climate Impact Research – PIK, Telegraphenberg Campus, Potsdam). Esse centro de referência mundial é classificado como um dos mais importantes do mundo em sua área. Foi fundado em 1992 e possui uma equipe de 150 pesquisadores.

O PIK foi concebido de tal forma que pesquisadores das áreas de ciências naturais e sociais possam trabalhar juntos no estudo das mudanças climáticas globais e seus impactos, considerando aspectos ecológicos, econômicos e sociais. Num trabalho multidisciplinar, pesquisadores com formação em física, química, engenharias, economia, agronomia, matemática, computação, ciências sociais, entre outros, objetivam a avaliação da intervenção humana sobre a terra e a busca de estratégias de desenvolvimento sustentável do planeta e em equilíbrio com a natureza. O PIK trabalha com diversos parceiros em nível mundial com constante e direta troca de informações com vários setores da sociedade. Os dados obtidos são disponibilizados e podem ser utilizados por políticos, técnicos nas áreas de economia e sociedade civil na construção de políticas públicas nacionais e mundiais.

Através de projetos interdisciplinares, empregando ferramentas como estatistica, simulação computacional e modelagem, cinco departamentos interagem: Análise de Sistemas Integrados, Sistemas Climáticos, Sistemas Naturais, Sistemas Sociais e Dados & Computação. Várias linhas de pesquisa constituem o PIK e podemos salientar: (i) Estudo dos Sistemas Terrestres: através da observação, análise e modelagem das dinâmicas de clima, biosfera e atividades humanas, tem como objetivo compreender como os sistemas naturais operam e respondem às intervenções externas, com base em conhecimentos de física, química e biologia terrestre. As mudanças climáticas já ocorridas no passado e as que estão em curso, além da avaliação do impacto das atividades humanas como agricultura, indústria e sociedade civil, estão no escopo dessa linha; (ii) Impactos Climáticos e Vulnerabilidades: uma região torna-se vulnerável a impactos climáticos quando a extensão das atividades humanas ultrapassa a capacidade de adaptação. Nessa linha de pesquisa são avaliadas as diferentes regiões globais em termos dessa de capacidade ou não de adaptação; (iii) Soluções Sustentáveis: tem atuação no sentido de ancorar políticas de decarbonização dos sistemas energéticos. Os focos principais de estudo são aumento da eficiência energética, substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis ou energia nuclear e seqüestro de carbono, (iv) Conceitos e Métodos Transdisciplinares: busca a integração de áreas não contempladas em pesquisas tradicionais, mais que possam ter contribuições no que tange impacto ambiental e mudanças climáticas.

Nós fomos recebidos pelo Professor Hans Joachim Schellnhuber, atual diretor do PIK, que atua também como conselheiro na área de energia do governo alemão. Inicialmente, realizamos visita às instalações do instituto, e cabe salientar que muitos dos prédios são de inestimável importância histórica, pois vários cientistas de renome, como por exemplo Albert Einstein, trabalharam nessas instalações. Tivemos a oportunidade de ver os sistemas integrados de coleta de dados locais e recepção de dados em nível mundial, além de instalações de sistema complexo de tratamento de dados, o que possibilita ao PIK realizar previsões de cenários futuros para o planeta. Essa, sem dúvida, é uma ferramenta de extremo valor quando questões estratégicas de impacto ambiental, aquecimento global e energia estão envolvidas.

Ainda, em reunião com o senhor Schellnhuber e membros de sua equipe, discutimos, além de questões envolvendo os estudos realizados no PIK, os trabalhos e perspectivas no Brasil e no mundo. Os temas dessas discussões serão tópicos da segunda parte desse artigo.

Simoni P. Meneghetti. Saiba mais sobre a autora.

E-mail: smpm@qui.ufal.br

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