Dentro de 12 meses a adição de 2% biodiesel ao diesel mineral se tornará obrigatória no Brasil. Este será um ano decisivo e muitos obstáculos estão à frente, desafiando o cumprimento da meta, queda do preço do petróleo, alta do óleo de soja, falta de matéria prima...
O ano de 2007 será decisivo para a solidificação do Programa Brasileiro de Biodiesel. O Programa foi lançado oficialmente em 2004 e na época se olhava para 2008, como se houvesse um prazo muito longo para resolver a infinidade de problemas que surgiram. No entanto, estamos a poucos meses do fim do prazo de adaptação e muitas incertezas ainda estão no ar.
Não se pode negar que houve grandes avanços e que, de forma geral, tudo está caminhando bem e na direção correta. No entanto, alguns importantes fatores estão mudando rapidamente e comprometendo as previsões feitas no ano passado, quando tudo já parecia consolidado e o governo cogitava até antecipar a obrigatoriedade de adição do biodiesel.
O primeiro susto foi a queda no preço do petróleo que vinha numa trajetória de alta desde 2002 e se pensava que pudesse ultrapassar a barreira dos US$ 100 em pouco tempo. As cotações cederam para menos de US$ 60, ampliando comparativamente preço do biodiesel em relação ao diesel mineral. Tudo bem que a adição do biodiesel é obrigatória e não depende do preço do diesel, mas o consumidor pagará a conta e fica mais difícil ter o apoio da sociedade se o preço a pagar for muito alto, mesmo considerando os benefícios ambientais e sociais.
Outro susto foi o aumento no preço do óleo de soja. Desde 2004, o óleo de soja tem sido considerado a matéria prima ideal para fabricação de biodiesel no Brasil porque está disponível em grande quantidade e a baixo preço. As projeções estavam sendo feitas considerando um preço baixo e essa alta inviabilizará os contratos acertados anteriormente e dificultará a concorrência direta entre o biocombustível e o diesel de petróleo.
O preço dos principais óleos vegetais está aumentando em todo o mundo, em parte devido ao consumo para biocombustível na Europa e Estados Unidos. Isso cria uma dúvida: se o Brasil desviar grande quantidade de óleo de soja para biodiesel (e outra parte para o H-Bio), como ficará seu preço?
As três oleaginosas pensadas inicialmente, a soja, a mamona e o dendê não estão evoluindo como planejado. A soja já estava plenamente estabelecida e hoje, se não for o problema do preço, está pronta para fornecer o óleo. As outras duas opções, no entanto, ainda não se estruturaram e continuam praticamente com as mesmas áreas que tinham antes do lançamento do programa. Como o óleo de soja não está disponível em todo o país, o custo de transporte para atender todo o território nacional encarecerá significativamente o preço do produto final.
A produção de mamona poderá crescer lentamente, mas ainda levará anos para atingir uma participação significativa nesse mercado. O Governo poderia dar uma ajudinha, garantindo ao menos o preço mínimo para diminuir o risco do produtor e permitindo que a área crescesse mais rapidamente.
O incremento da produção de dendê parece ainda mais difícil, pois o plantio desta lavoura é um investimento de longo prazo e fortemente dependente de crédito adequado e infra-estrutura básica, o que é uma grande limitação na Região Norte.
Não se duvida que em janeiro de 2008 nossos caminhões estarão queimando o combustível renovável, mas muito esforço ainda tem que ser feito para que se atinja a meta de 2% em todo o país e com preços aceitáveis para o consumidor.
Liv Soares Severino
O ano de 2007 será decisivo para a solidificação do Programa Brasileiro de Biodiesel. O Programa foi lançado oficialmente em 2004 e na época se olhava para 2008, como se houvesse um prazo muito longo para resolver a infinidade de problemas que surgiram. No entanto, estamos a poucos meses do fim do prazo de adaptação e muitas incertezas ainda estão no ar.
Não se pode negar que houve grandes avanços e que, de forma geral, tudo está caminhando bem e na direção correta. No entanto, alguns importantes fatores estão mudando rapidamente e comprometendo as previsões feitas no ano passado, quando tudo já parecia consolidado e o governo cogitava até antecipar a obrigatoriedade de adição do biodiesel.
O primeiro susto foi a queda no preço do petróleo que vinha numa trajetória de alta desde 2002 e se pensava que pudesse ultrapassar a barreira dos US$ 100 em pouco tempo. As cotações cederam para menos de US$ 60, ampliando comparativamente preço do biodiesel em relação ao diesel mineral. Tudo bem que a adição do biodiesel é obrigatória e não depende do preço do diesel, mas o consumidor pagará a conta e fica mais difícil ter o apoio da sociedade se o preço a pagar for muito alto, mesmo considerando os benefícios ambientais e sociais.
Outro susto foi o aumento no preço do óleo de soja. Desde 2004, o óleo de soja tem sido considerado a matéria prima ideal para fabricação de biodiesel no Brasil porque está disponível em grande quantidade e a baixo preço. As projeções estavam sendo feitas considerando um preço baixo e essa alta inviabilizará os contratos acertados anteriormente e dificultará a concorrência direta entre o biocombustível e o diesel de petróleo.
O preço dos principais óleos vegetais está aumentando em todo o mundo, em parte devido ao consumo para biocombustível na Europa e Estados Unidos. Isso cria uma dúvida: se o Brasil desviar grande quantidade de óleo de soja para biodiesel (e outra parte para o H-Bio), como ficará seu preço?
As três oleaginosas pensadas inicialmente, a soja, a mamona e o dendê não estão evoluindo como planejado. A soja já estava plenamente estabelecida e hoje, se não for o problema do preço, está pronta para fornecer o óleo. As outras duas opções, no entanto, ainda não se estruturaram e continuam praticamente com as mesmas áreas que tinham antes do lançamento do programa. Como o óleo de soja não está disponível em todo o país, o custo de transporte para atender todo o território nacional encarecerá significativamente o preço do produto final.
A produção de mamona poderá crescer lentamente, mas ainda levará anos para atingir uma participação significativa nesse mercado. O Governo poderia dar uma ajudinha, garantindo ao menos o preço mínimo para diminuir o risco do produtor e permitindo que a área crescesse mais rapidamente.
O incremento da produção de dendê parece ainda mais difícil, pois o plantio desta lavoura é um investimento de longo prazo e fortemente dependente de crédito adequado e infra-estrutura básica, o que é uma grande limitação na Região Norte.
Não se duvida que em janeiro de 2008 nossos caminhões estarão queimando o combustível renovável, mas muito esforço ainda tem que ser feito para que se atinja a meta de 2% em todo o país e com preços aceitáveis para o consumidor.
Liv Soares Severino
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