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Avanço do uso de biodiesel na Europa

Durante conferência que se realizou em Berlim, em 2007, foi apresentado um panorama geral da situação do biodiesel na Europa. Transmito a seguir aos leitores um panorama do que foi apresentado na Conferencia.
Décio Luiz Gazzoni 5 min de leitura
Durante a 15th European Biomass Conference and Exhibition, que se realizou em Berlim, em 2007, foi apresentado um panorama geral da situação do biodiesel na Europa. Como este continente representa o grande mercado potencial de biodiesel - pela dificuldade de cumprimento das metas da UE com produção própria - transmito aos leitores um panorama do que foi apresentado na Conferencia. Como a Alemanha é o carro chefe do programa de biodiesel da Europa, e como a Conferencia foi realizada em Berlim, em muitos aspectos o exemplo alemão será salientado para ilustrar o texto.

O mercado de biocombustíveis experimenta uma fase ascendente não apenas na Alemanha, mas globalmente, o que era impensável há meros 10 anos. Especificamente entre 2006 e 2007 houve um incremento muito alto na produção de biodiesel na Europa. Os fatores mais importantes que estimularam o salto produtivo foram a conferência de cúpula do G8 em Heiligendamm e as metas estabelecidas a médio prazo pela União Européia, aproveitando que a Alemanha se encontrava na Presidência do Conselho. Sob o pressuposto de que outros países industriais também se comprometam a definir metas comparáveis redução, os objetivos da UE visam reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 30% até 2020, comparativamente ao nível de 1990.

No que diz respeito especificamente à Alemanha, estes objetivos implicam uma redução de 40% nos gases de efeito estufa (GEE) em comparação com 1990. Na reta final para as negociações internacionais, a UE já se comprometeu a reduzir os GEE em 20% e, simultaneamente, aumentar a eficiência energética e a proporção de energias renováveis na matriz energética para 20%. Um importante elemento estratégico da política da União Européia é aumentar a proporção obrigatória de biocombustíveis para 10% - em base energética - para todos os estados membros, em 2020.

Desta maneira, os chefes de Governo da UE, apontam para o entendimento de que a mitigação das mudanças climáticas só pode ser alcançada através de uma estratégia de dupla abordagem. Além disso, o "Relatório Stern" e o German Institute for Economic Research (Instituto Alemão de Investigação Econômica), têm demonstrado, exaustivamente, aos políticos e formadores de opinião o que custaria às economias nacionais, se medidas eficazes não forem aplicadas rapidamente.

Nos termos da Fórmula 3 x 20%, que sintetiza as metas de médio prazo da UE e, nos termos do seu Programa Integrado de Clima e Energia (Integrated Climate and Energy Programme), a Alemanha está avançando nas metas e implementação de medidas que se insiram no âmbito de aplicação do acordo da UE, favorecendo, simultaneamente, um novo impulso para a economia e a consolidação da Alemanha como um líder internacional em tecnologia de biocombustíveis.

Por conseguinte, a atual política alemã para biocombustíveis encompassa 30 medidas que impactam as áreas financeiras e legislativas, para facilitar a adoção de uso de biocombustíveis. Dentro do âmbito de aplicação deste pacote global de medidas, o objetivo é atingir uma redução anual das emissões de gases com efeito de estufa de 30 milhões de toneladas a partir de 2020, através da melhoria da eficiência dos veículos e do aumento da quota obrigatória de mistura dos biocombustíveis.

O enfoque repousa na política geral da União Européia, que objetiva reduzir a média das emissões de CO2 dos automóveis novos para 130/120 g / km em 2012. A estratégia é obter esta redução de 10 g de CO2/km, mediante o uso compulsório de biocombustíveis. Verifica-se que existe uma dualidade de propósitos finais nesta estratégia, sendo a principal a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e a segunda a diversificação de fontes energéticas, para fugir da dependência do monopólio dos combustíveis fósseis.

Na sua visão sobre política energética para a Europa (Energy Policy for Europe), que é um relatório apresentado ao Conselho Europeu e ao Parlamento no ano passado, a Comissão da UE ilustra a necessidade urgente de ação e os aspectos fundamentais para facilitar o alinhamento da futura política energética européia, um pré-requisito para cumprir as obrigações de proteção climática, contidas no Acordo de Kyoto. No relatório, a Comissão da UE sublinhou igualmente as implicações econômicas usando a evolução dos preços do petróleo como um exemplo. Se o preço do petróleo bruto na UE aumentasse para 100 dólares por barril (na época o petróleo estava cotado a US$80/barril), o custo da importação anual da UE-27 seria de 170 bilhões de euros, o que equivale a cerca de 350 euros por cidadão da UE. A Comissão Européia pretende limitar essa saída de moeda, reforçando o seu mercado interno da energia e privilegiando a eficiência energética. Transparece, desta atitude, o protecionismo comercial que, se no momento está dirigido contra os exportadores de petróleo, no futuro pode ser direcionado para barrar as importações de etanol e biodiesel.

Figura 1. Capacidade de produção de biodiesel na Alemanha
Producao

Décio Luiz Gazzoni
é Engenheiro Agrônomo, membro do Painel Científico Internacional de Energia Renovável.
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