
É de amplo conhecimento que as Mudanças Climáticas Globais constituem o fenômeno que apresenta o maior potencial de afetar a vida no Planeta Terra, nas décadas vindouras. Exemplo pálido, porém atual, desse potencial são os extremos climáticos recentes. Aqui no Brasil, 2013 encerrou-se com intensa e prolongada precipitação pluviométrica no leste de Minas Gerais e no Espírito Santo, deixando um rastro de vidas humanas ceifadas e de prejuízos materiais e financeiros. Seguiu-se um longo e severo período de alta temperatura e de déficit hídrico, que assolou o Sul, Sudeste e partes do Centro Oeste e Nordeste do Brasil, quebrando recordes históricos registrados há quase um século, enquanto o Rio Madeira, no Norte, atingiu a maior cota da História.
No Hemisfério Norte, os Estados Unidos foram assolados por três ondas gélidas em um período de 40 dias, no início de 2014. Em uma delas, o vórtex polar provocou uma queda de temperatura tão intensa que, no norte do estado de Illinois, a sensação térmica aproximou-se de inacreditáveis -60º C. Na mesma época, a Inglaterra foi assolada por inundações de intensidade sem registro nas séries históricas recentes, e o Japão enfrentou nevascas recordes. Sochi, na Rússia foi escolhida como sede das Olimpíadas de Inverno deste ano pela temperatura muito baixa que lá é registrada em fevereiro. Quem acompanhou o evento viu provas sendo canceladas, atletas competindo sem as pesadas roupas de frio, e espectadores sem camisa aproveitando o banho de sol na temperatura amena.
É de amplo conhecimento que as Mudanças Climáticas Globais constituem o fenômeno que apresenta o maior potencial de afetar a vida no Planeta Terra, nas décadas vindouras. Exemplo pálido, porém atual, desse potencial são os extremos climáticos recentes. Aqui no Brasil, 2013 encerrou-se com intensa e prolongada precipitação pluviométrica no leste de Minas Gerais e no Espírito Santo, deixando um rastro de vidas humanas ceifadas e de prejuízos materiais e financeiros. Seguiu-se um longo e severo período de alta temperatura e de déficit hídrico, que assolou o Sul, Sudeste e partes do Centro Oeste e Nordeste do Brasil, quebrando recordes históricos registrados há quase um século, enquanto o Rio Madeira, no Norte, atingiu a maior cota da História.
No Hemisfério Norte, os Estados Unidos foram assolados por três ondas gélidas em um período de 40 dias, no início de 2014. Em uma delas, o vórtex polar provocou uma queda de temperatura tão intensa que, no norte do estado de Illinois, a sensação térmica aproximou-se de inacreditáveis -60º C. Na mesma época, a Inglaterra foi assolada por inundações de intensidade sem registro nas séries históricas recentes, e o Japão enfrentou nevascas recordes. Sochi, na Rússia foi escolhida como sede das Olimpíadas de Inverno deste ano pela temperatura muito baixa que lá é registrada em fevereiro. Quem acompanhou o evento viu provas sendo canceladas, atletas competindo sem as pesadas roupas de frio, e espectadores sem camisa aproveitando o banho de sol na temperatura amena.
A Humanidade espera da Ciência soluções que permitam, alternativamente, que os efeitos das Mudanças Climáticas possam ser evitados ou mitigados, ou ainda que fórmulas de convivência estejam disponíveis. A principal fonte de emissão de gases de efeito estufa é representada pelos combustíveis fósseis. A contribuição da Ciência está em desenvolver alternativas técnica e economicamente viáveis para substituí-los, como é o caso do biodiesel.
Recentemente elaborei um estudo, o qual teve dois objetivos principais. O primeiro foi efetuar um balanço entre as emissões efetivamente verificadas com o uso de biocombustíveis (etanol hidratado, etanol anidro e biodiesel) em veículos da frota brasileira, bem como estimar as emissões evitadas, em função do uso de biocombustíveis como sucedâneos de derivados de petróleo (gasolina A e diesel), no período compreendido entre 2000 e 2011. O segundo objetivo foi estimar as emissões dos biocombustíveis e as emissões evitadas por seu uso, em três cenários que se diferenciavam pela manutenção do apoio atual (BAU), incentivo moderado (PRO) ou agressivo (SUS) do Governo Federal ao sistema de PD&I das cadeias de biocombustíveis, à sua produção e uso e à adequação da infraestrutura de transporte da matéria prima e dos biocombustíveis.
Para elaborar os estudos foram utilizados dados de diversas fontes, mormente o licenciamento de novos veículos, a estimativa de frota do período, o consumo de combustíveis e biocombustíveis e seus parâmetros físicos e químicos, bem como as emissões líquidas avaliadas pelo ciclo de vida, sob o conceito “well to wheel”, significando toda e qualquer emissão havida ao longo da cadeia, do início do processo até a combustão no motor do veículo.
Para elaborar as projeções futuras foram usados documentos oficiais do Governo Federal para estabelecer parâmetros que permitissem fixar uma frota e um consumo de combustível, em termos de equivalente energético, comum a todos os cenários. Posteriormente foram formuladas as premissas que determinariam a parcela de mercado que ocuparia cada combustível ou biocombustível, em função das políticas públicas e demais incentivos.
Para a obtenção do biodiesel, foi considerado um mix médio da matéria-prima de 82% de óleos vegetais, tendo como paradigma o óleo de soja e 18% de sebo bovino, o que se aproxima da média histórica do mix de matérias primas para produção de biodiesel no Brasil.
Para os cálculos foi considerado que o biodiesel de óleo de soja apresenta emissões líquidas de 955 g CO2 eq / L; e do sebo bovino de 440 g CO2 eq / L, em ambos os casos ao longo do ciclo de vida. No mix considerado, o biodiesel brasileiro apresenta emissões de CO2 equivalente de 862 g/L. Ressaltando que o cálculo de emissões considera não apenas os gases emitidos por ocasião da combustão no motor, porém em todo o ciclo de vida, incluindo os créditos por reabsorção para a fase agronômica dos biocombustíveis.
Resultados
Os resultados da série histórica mostraram que a implementação do mandato de mistura de biodiesel ao diesel foi fundamental para os ganhos ambientais do período analisado. Até 2011, as emissões evitadas pelo uso do biodiesel foram estimadas em 16 Mt CO2.
Já para as projeções futuras, nos três cenários estudados, foi utilizado um modelo matemático para estimar as emissões evitadas entre 2011 (linha base) e 2020, quais sejam: a) cenário BAU – redução total de 546 Mt de CO2, sendo 67 de biodiesel; b) cenário PRO, com redução total de 615 Mt de CO2, sendo 105 de biodiesel; e c) cenário SUS – que atingiria redução total de 756 Mt de CO2, 132 de biodiesel. Neste último cenário, estima-se a demanda adicional de 6,2 ML de óleo vegetal, além de 1,5 Mt de sebo adicionais, para produção de biodiesel, dinamizando a economia do país.
Em conclusão, quanto maior o incentivo das políticas públicas de suporte à inovação tecnológica, à produção sustentável de biocombustíveis e à infraestrutura de transportes de matéria prima e biocombustíveis, tanto maior será o volume das emissões evitadas no setor de transporte brasileiro.
Considerando que 2014 é um ano de eleições gerais (Presidente da República, Governadores, Deputados e Senadores), os resultados decorrentes do estudo podem contribuir para fundamentar a discussão da construção de um modelo de desenvolvimento sustentável para o país, para o que a ampliação do uso de biocombustíveis é fator essencial.
A íntegra da publicação (Série Documentos 344 - Balanço de emissões de dióxido de carbono por biocombustíveis no Brasil: histórico e perspectivas). pode ser solicitada à Embrapa Soja pelo o email cnpso.vendas@embrapa.br, ou pelo telefone +43 3371-6119
Décio Gazzoni é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja
No Hemisfério Norte, os Estados Unidos foram assolados por três ondas gélidas em um período de 40 dias, no início de 2014. Em uma delas, o vórtex polar provocou uma queda de temperatura tão intensa que, no norte do estado de Illinois, a sensação térmica aproximou-se de inacreditáveis -60º C. Na mesma época, a Inglaterra foi assolada por inundações de intensidade sem registro nas séries históricas recentes, e o Japão enfrentou nevascas recordes. Sochi, na Rússia foi escolhida como sede das Olimpíadas de Inverno deste ano pela temperatura muito baixa que lá é registrada em fevereiro. Quem acompanhou o evento viu provas sendo canceladas, atletas competindo sem as pesadas roupas de frio, e espectadores sem camisa aproveitando o banho de sol na temperatura amena.
É de amplo conhecimento que as Mudanças Climáticas Globais constituem o fenômeno que apresenta o maior potencial de afetar a vida no Planeta Terra, nas décadas vindouras. Exemplo pálido, porém atual, desse potencial são os extremos climáticos recentes. Aqui no Brasil, 2013 encerrou-se com intensa e prolongada precipitação pluviométrica no leste de Minas Gerais e no Espírito Santo, deixando um rastro de vidas humanas ceifadas e de prejuízos materiais e financeiros. Seguiu-se um longo e severo período de alta temperatura e de déficit hídrico, que assolou o Sul, Sudeste e partes do Centro Oeste e Nordeste do Brasil, quebrando recordes históricos registrados há quase um século, enquanto o Rio Madeira, no Norte, atingiu a maior cota da História.
No Hemisfério Norte, os Estados Unidos foram assolados por três ondas gélidas em um período de 40 dias, no início de 2014. Em uma delas, o vórtex polar provocou uma queda de temperatura tão intensa que, no norte do estado de Illinois, a sensação térmica aproximou-se de inacreditáveis -60º C. Na mesma época, a Inglaterra foi assolada por inundações de intensidade sem registro nas séries históricas recentes, e o Japão enfrentou nevascas recordes. Sochi, na Rússia foi escolhida como sede das Olimpíadas de Inverno deste ano pela temperatura muito baixa que lá é registrada em fevereiro. Quem acompanhou o evento viu provas sendo canceladas, atletas competindo sem as pesadas roupas de frio, e espectadores sem camisa aproveitando o banho de sol na temperatura amena.
A Humanidade espera da Ciência soluções que permitam, alternativamente, que os efeitos das Mudanças Climáticas possam ser evitados ou mitigados, ou ainda que fórmulas de convivência estejam disponíveis. A principal fonte de emissão de gases de efeito estufa é representada pelos combustíveis fósseis. A contribuição da Ciência está em desenvolver alternativas técnica e economicamente viáveis para substituí-los, como é o caso do biodiesel.
Recentemente elaborei um estudo, o qual teve dois objetivos principais. O primeiro foi efetuar um balanço entre as emissões efetivamente verificadas com o uso de biocombustíveis (etanol hidratado, etanol anidro e biodiesel) em veículos da frota brasileira, bem como estimar as emissões evitadas, em função do uso de biocombustíveis como sucedâneos de derivados de petróleo (gasolina A e diesel), no período compreendido entre 2000 e 2011. O segundo objetivo foi estimar as emissões dos biocombustíveis e as emissões evitadas por seu uso, em três cenários que se diferenciavam pela manutenção do apoio atual (BAU), incentivo moderado (PRO) ou agressivo (SUS) do Governo Federal ao sistema de PD&I das cadeias de biocombustíveis, à sua produção e uso e à adequação da infraestrutura de transporte da matéria prima e dos biocombustíveis.
Para elaborar os estudos foram utilizados dados de diversas fontes, mormente o licenciamento de novos veículos, a estimativa de frota do período, o consumo de combustíveis e biocombustíveis e seus parâmetros físicos e químicos, bem como as emissões líquidas avaliadas pelo ciclo de vida, sob o conceito “well to wheel”, significando toda e qualquer emissão havida ao longo da cadeia, do início do processo até a combustão no motor do veículo.
Para elaborar as projeções futuras foram usados documentos oficiais do Governo Federal para estabelecer parâmetros que permitissem fixar uma frota e um consumo de combustível, em termos de equivalente energético, comum a todos os cenários. Posteriormente foram formuladas as premissas que determinariam a parcela de mercado que ocuparia cada combustível ou biocombustível, em função das políticas públicas e demais incentivos.
Para a obtenção do biodiesel, foi considerado um mix médio da matéria-prima de 82% de óleos vegetais, tendo como paradigma o óleo de soja e 18% de sebo bovino, o que se aproxima da média histórica do mix de matérias primas para produção de biodiesel no Brasil.
Para os cálculos foi considerado que o biodiesel de óleo de soja apresenta emissões líquidas de 955 g CO2 eq / L; e do sebo bovino de 440 g CO2 eq / L, em ambos os casos ao longo do ciclo de vida. No mix considerado, o biodiesel brasileiro apresenta emissões de CO2 equivalente de 862 g/L. Ressaltando que o cálculo de emissões considera não apenas os gases emitidos por ocasião da combustão no motor, porém em todo o ciclo de vida, incluindo os créditos por reabsorção para a fase agronômica dos biocombustíveis.
Resultados
Os resultados da série histórica mostraram que a implementação do mandato de mistura de biodiesel ao diesel foi fundamental para os ganhos ambientais do período analisado. Até 2011, as emissões evitadas pelo uso do biodiesel foram estimadas em 16 Mt CO2.
Já para as projeções futuras, nos três cenários estudados, foi utilizado um modelo matemático para estimar as emissões evitadas entre 2011 (linha base) e 2020, quais sejam: a) cenário BAU – redução total de 546 Mt de CO2, sendo 67 de biodiesel; b) cenário PRO, com redução total de 615 Mt de CO2, sendo 105 de biodiesel; e c) cenário SUS – que atingiria redução total de 756 Mt de CO2, 132 de biodiesel. Neste último cenário, estima-se a demanda adicional de 6,2 ML de óleo vegetal, além de 1,5 Mt de sebo adicionais, para produção de biodiesel, dinamizando a economia do país.
Em conclusão, quanto maior o incentivo das políticas públicas de suporte à inovação tecnológica, à produção sustentável de biocombustíveis e à infraestrutura de transportes de matéria prima e biocombustíveis, tanto maior será o volume das emissões evitadas no setor de transporte brasileiro.
Considerando que 2014 é um ano de eleições gerais (Presidente da República, Governadores, Deputados e Senadores), os resultados decorrentes do estudo podem contribuir para fundamentar a discussão da construção de um modelo de desenvolvimento sustentável para o país, para o que a ampliação do uso de biocombustíveis é fator essencial.
A íntegra da publicação (Série Documentos 344 - Balanço de emissões de dióxido de carbono por biocombustíveis no Brasil: histórico e perspectivas). pode ser solicitada à Embrapa Soja pelo o email cnpso.vendas@embrapa.br, ou pelo telefone +43 3371-6119
Décio Gazzoni é engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja