A divulgação aconteceu na quarta-feira pela manhã, e os resultados apontaram para um prejuízo de 38 milhões em 2006, que a empresa atribuiu as despesas com o lançamento das ações na bolsa (IPO), aumento no preço da matéria-prima, vendas abaixo do previsto, ampliação da estrutura de administração e construção de novas usinas.
Mas a realidade é que a empresa adotou uma estratégia bastante agressiva em 2006, para se consolidar no mercado antes de entrar novo mercado da bovespa. Como exemplo disto temos o 3º e 4º Leilão, onde a Brasil Ecodiesel arrematou mais de 70% do volume total ofertado (388.220m³), com o preço médio do metro cúbico em 1.730,00. Puxando acentuadamente a média geral do leilão para baixo.
Vejam a seguir os destaques financeiros e operacionais da Brasil Ecodiesel em 2006:
- O IPO chegou a R$ 378,9 milhões, dando à companhia uma capitalização de mercado de R$ 1,5 bilhões, a maior de qualquer produtor de biodiesel no mundo.
- Início da operação das plantas de Crateus (CE) e Iraquara (BA), com 282,000m3 de capacidade, a maior do país.
- A construção das unidades de extração de óleo em Iraquara (BA) e as usinas de transesterificação em Porto Nacional (TO), Rosário do Sul (RS) e Itaqui (MA). A aquisição da extração de óleo em São Luiz Gonzaga (RS).
- Investimentos de R$ 101,4 milhões em 2006, destinados para a capacidade de expansão.
- A produção de biodiesel foi de 18.231.7 m3 no quarto trimestre, fechando 2006 com 34.451.4 m3 ou 50,7% da produção total brasileira.
- Expansão da Rede de Integração de Agricultura Familiar, alcançando 33.498 famílias.
- Renda líquida de R$ 23,9 milhões entre o quarto trimestre e R$ 52,9 milhões em 2006, acompanhada por margens totais respectivas de 9,9% e 15,7%.
- Perda Líquida ajustada de R$ 4,8 milhões no quarto trimestre e R$ 9,7 milhões em 2006.
Cotação das ações da Brasil Ecodiesel (em azul):
O assunto que dominou a semana nos jornais nacionais foi a visita do presidente norte-americano ao Brasil para conversas sobre biocombustíveis (especialmente etanol).
Durante o encontro o presidente Bush voltou a dizer que não vai reduzir a tarifa de importação do etanol brasileiro, de US$ 0,54 (cerca de R$ 1,13). Porém mesmo com essa tarifa, em 2006, os EUA compraram metade do álcool exportado pelo Brasil. As condições que levaram os EUA a comprarem esse volume, mesmo com a tarifa, pode ser atribuída a escassez de etanol norte-americano e o elevado preço do petróleo.
O Brasil deve encerrar o ano-safra 2006/2007 com a produção de 17,5 bilhões de litros de álcool, um crescimento de 10,1% em relação ao resultado anterior (de 15,9 bilhões de litros). Do total da última safra, cerca de 14 bilhões de litros serão utilizados no consumo interno do país. O restante é exportado.
|
Brasil |
Estados Unidos |
| Tempo de produção |
Três décadas |
Uma década |
| Quantidade de usinas |
325 em funcionamento e 148 projetos |
113 em funcionamento e 267 projetos |
| Produção atual |
17,5 bilhões de litros |
20 bilhões de litros |
| Matéria prima |
Cana de Açucar |
Milho |
| Tempo para o inicio da produção após lançamento da pedra fundamental de uma usina |
4 anos |
7 meses |
| Espaço para aumentar a produção de matéria prima |
Utiliza 3 milhões de hectares e pode utilizar 25 milhões |
Utiliza 20% de sua produção de milho e não tem quase nenhum espaço para crescer |
| Energia necessária para produzir 1 litro de etanol |
1518 kcal |
6597 kcal |
| Subsídios |
nenhum |
14 centavos de dólar |
| Custo de produção por litro |
28 centavos de dólar |
45 centavos de Dólar |
| Percentual de etanol do total de combustíveis utilizado por veículos |
40% |
4% |
Na última sexta feira (02/03), na sede da ONU em Nova York, foi anunciado a criação do Fórum Internacional de Biocombustíveis, do qual fazem parte Brasil, Estados Unidos, África do Sul, China, Índia e União Européia.
Um fórum como esse, a primeira vista parece ser a OPEP dos biocombustíveis, já que reúne os países com maior potencial de produção de biocombustível. Mas ao contrário da OPEP, fazem parte deste fórum, não somente grandes produtores, mas acima de tudo grandes consumidores de energia, como os EUA, União Européia, China e Índia; desse modo esses países não teriam como exportar sua produção em quantidades significativas, como acontece com os países integrantes da OPEP.
Não é fazer justiça ao fórum, chamá-lo de OPEP dos biocombustíveis, pois muito embora as funções sejam parecidas, este fórum pela natureza de seus objetivos pode ser muito mais abrangente, na medida que os países lideres do fórum terão a possibilidade de contribuírem para o desenvolvimento energético de muitos países em desenvolvimento. Espera-se que as futuras grandes potências em energia alternativa definam as políticas e ajudem no desenvolvimento de tecnologias que servirão de base para o crescimento dos biocombustíveis em todo o mundo.
Nas palavras do diretor do Departamento de Energia do Itamaraty, Antonio Simões:
| “Enquanto a produção de petróleo se concentra em 15 países, existem mais de 120 países com potencial para explorar o biocombustível, essa será a verdadeira democratização da energia.” |
A enorme abrangência desse fórum poderá trazer aos países mais pobres, grande desenvolvimento através do aumento da produção agrícola, do emprego, da renda gerada pela troca de uma energia importada e cara, por uma renovável e ambientalmente correta.
Os objetivos do Fórum:
- Aumentar a eficiência na produção, distribuição e consumo dos biocombustíveis em todo o mundo;
- Discutir medidas para a produção de biocombustíveis sem comprometer o meio ambiente e a produção de alimentos;
- Trabalhar em conjunto para que os combustíveis renováveis sejam cada vez mais utilizados em todo o planeta, com o objetivo de diversificar a matriz energética e reduzir a dependência do petróleo.
Além disso, serão criados dois grupos de trabalho, um para discutir a troca de informações sobre pesquisas científicas e tecnológicas no desenvolvimento dos biocombustíveis e outro para estudar as especificações mínimas para a comercialização dos biocombustíveis. Hoje, Brasil, União Européia e EUA têm especificações diferentes para o biodiesel e o etanol.
Com o Fórum, agora são dois organismos internacionais criados para o desenvolvimento dos biocombustíveis. Em dezembro, Brasil e EUA criaram a Comissão Interamericana do Etanol, tendo o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues como presidente.
Em Penápolis - SP, três postos de combustíveis vendem biodiesel em suas bombas sem oferecer a seus clientes garantias de origem do produto. Estes são os primeiros casos registrados de venda de biodiesel aparentemente irregulares. Essa antiga prática utilizada com os outros combustíveis pode se tornar comum com o biodiesel no futuro. Isso por que o biodiesel terá uma produção descentralizada, com grandes e pequenos produtores, o que facilitará as adulterações e sonegações. É obrigação da ANP fiscalizar para que essa prática não ocorra.
Cotações:
Petróleo tipo brendt – Londres nesta quinta feira fechou a U$ 61,15 por barril, mantendo um preço estável durante a semana.
Óleo de soja, Bolsa de Chicago, contrato para maio cotado a U$ 0,3058 por libra peso, com pequena alta durante a semana.
Sebo bovino MT – R$ 800,00 a R$ 850,00 ton.
Sebo bovino SP – R$ 1.100,00 a tonelada com impostos - posto São Paulo - SP.
O novo patamar para o óleo na bolsa de Chicago deverá ser de U$ 0,30 por libra peso, uma semana a cotação baixa um pouco deste patamar, na outra fica acima.
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