A empresa eTEC Business Development Ltd. sediada na Áustria, tem realizado com sucesso a utilização da glicerina como combustível em um motor gerador de eletricidade. Quando oferecido comercialmente, esses motores poderão gerar energia para as usinas de biodiesel e reduzir os custos de produção do próprio biodiesel.
A glicerina é um triálcool e pode ser transformada em etanol via processos químicos. O que está sendo analisado são os custos desta transformação e a escala de produção mínima.
Outra grande possibilidade que está sendo vislumbrada para a glicerina é sua transformação em gás metano através de biodigestores. Neste caso a glicerina seria adicionada a matéria orgânica no biodigestor. As bactérias utilizariam a glicerina como alimento aumentando a produção de gás. Esta utilização depende ainda de estudos para definir percentuais de mistura e relação custo beneficio.
O grupo de pesquisa Co-produtos do Biodiesel (COBIO), apoiado pela SECTI –BA também está desenvolvendo soluções interessantes.
Exportação
Ouvimos com freqüência declarações entusiasmadas vindas de alguns empresários de biodiesel que falam em exportação, mas essas declarações não levam em consideração o lado ecológico do biodiesel. Os efeitos nocivos dos gases emitidos na queima de combustíveis não são regionais, mas sim globais, enviar biodiesel para a Europa ao invés de ser consumido aqui é ecologicamente um erro. Os ganhos ambientais se anulam, ou pode ser negativo quando o consumo do biodiesel ocorre longe de onde ele é produzido e a região produtora continua usando diesel mineral. Ecologicamente, o ideal é que a produção de biodiesel ocorra próxima ao consumo, evitando queimar mais combustíveis no transporte.
Porém, o capitalismo ainda falará mais alto, se os ganhos com a exportação forem maiores o usineiro não hesitará em exportar em detrimento ao mercado interno e ao meio ambiente. O que o mundo está buscando são soluções para diminuir as causas do aquecimento global e este passeio do biodiesel não ajudará em nada. Um passo importante foi dado pela Holanda, sugerindo à Comunidade Européia para que se crie uma barreira verde que servirá para identificar a origem do biodiesel, para saber se foi produzido em área de desmatamento ou se o balanço energético não é negativo. Esta iniciativa mostra que a real consciência ecológica está começando a tomar corpo e no futuro talvez tenhamos o lado ecológico ganhando mais terreno sobre o econômico.
Aquecimento global
O jornal New York Times, adiantou na edição de hoje alguns trechos do relatório que será divulgado por cientistas de mais de 100 países reunidos em Bancoc na Tailândia. A terceira parte do extenso levantamento efetuado pelos cientistas sobre o aquecimento global deixa claro que a redução da poluição poderá ser obtida nos próximos 25 anos utilizando as tecnologias conhecidas e mudanças nas políticas, mesmo assim necessitaria ser seguida por uma transição de um século na busca de novas fontes de energia que não causem impacto no clima. Em outro trecho o relatório afirma: "Nós não podemos mais apresentar a desculpa de que precisamos esperar por mais ciência, ou a desculpa de que precisamos esperar por mais tecnologias e conhecimento de políticas".
A primeira parte do documento foi divulgada em janeiro em Paris e concluiu que o aquecimento global é causado pelo homem. A segunda etapa foi divulgada em Bruxelas e abordou os impactos do aquecimento global.
Em novembro os cientistas se reunirão em Valência na Espanha, para compilar as três partes do relatório em um documento somente sintetizando as conclusões do IPCC.
Alimento
E para os que ainda acreditam que os biocombustíveis afetarão a produção de alimentos, aí vão números divulgados pela FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura:
Área apta para agricultura no mundo: 1.862 milhões de hectares.
Área não utilizada: 917,7 milhões de hectares.
Ou seja, a humanidade está usando apenas metade de suas terras disponíveis para a produção de alimentos.
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