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Produção nacional de mamona

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A cultura da mamona no Brasil experimentou um período de plena decadência na década de 90 e que a partir do lançamento de diversos programas, no âmbito de diferentes esferas governamentais, visando incentivar e aperfeiçoar a produção de biodiesel no país, apresenta sinais de recuperação.

A mamoneira desenvolveu-se nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil. Nas regiões Sudeste e Sul, para se garantir a competitividade com outros produtos concorrentes tornou-se necessário o desenvolvimento de técnicas que facilitassem a mecanização e o desenvolvimento de variedades mais rentáveis. Deste modo tornou-se possível cultivar variedades anãs e indeiscentes, cuja maturação ocorre aproximadamente ao mesmo tempo em todas as bagas. Isto permite colheita mecânica única anual.

No Nordeste a miscigenação de variedades provocou um hibridismo espontâneo, os frutos são deiscentes, requerendo múltiplas colheitas por ano, em operação manual A não existência de muitas culturas concorrentes e a instabilidade climática têm provocado pouca evolução na adoção de novas tecnologias."

Segundo dados do IBGE (2004), o Estado da Bahia é o principal produtor nacional de mamona com cerca de 149,5 mil hectares plantados na safra 2003/04 (90% da área total do país) e uma produção estimada de 134,9 mil toneladas (89% da produção nacional). Esses dados são um indicativo de que a produção brasileira de mamona está concentrada na Região Nordeste, especialmente no Estado da Bahia. Deve-se destacar, também, que a produção desse Estado concentra-se nas microrregiões de Irecê, Senhor do Bonfim, Jacobina, Seabra e Guanambi.

A partir do ano agrícola 1985/86, inicia-se uma fase de redução de área colhida e quantidade produzida de mamona em baga no Brasil que atinge seu ponto mais baixo no ano agrícola 1997/98, quando a área e a quantidade produzida atingiram, respectivamente, 13% e 4% dos maiores valores verificados no período em análise (no ano agrícola 1984/85). atribuem a redução ocorrida nas regiões Sul e Sudeste à não competitividade econômica da mamona perante as culturas concorrentes; e no Nordeste o seguintes fatores levaram a queda na produção:

1- desorganização e inadequação dos sistemas de produção vigentes, devido à reduzida
oferta de sementes de cultivares melhoradas geneticamente; utilização por parte dos
produtores de sementes impróprias para o plantio (de baixo rendimento médio, baixa
qualidade e de alta susceptibilidade às doenças e pragas); utilização de práticas culturais
inadequadas (como espaçamento, época de plantio e consorciação);

2- desorganização do mercado interno tanto para o produtor como para o consumidor final;

3- baixos preços pagos ao produtor agrícola;

4- reduzida oferta de crédito e de assistência técnica ao produtor agrícola;

5- utilização da mesma área para sucessivos plantios da cultura.

Observou-se uma tendência declinante no rendimento médio obtido no Brasil que, no período em análise, atingiu um máximo no ano agrícola 1984/85 e um mínimo em 1997/98 (31% do máximo obtido).

No período de 1978 a 2004, as taxas anuais de crescimento da área colhida, da produção e do rendimento médio da cultura da mamona no Brasil foram negativas (-5,78%, -6,82% e -1,11%, respectivamente).

Verifica-se, também, que a safra brasileira prevista para 2004, da ordem de 151,3 mil toneladas, representa extraordinária recuperação da produção nacional em relação às safras dos últimos dez anos. Pode-se dizer que este fato é uma resposta ao lançamento de diversos programas, no âmbito de diferentes esferas governamentais, visando incentivar e aperfeiçoar a produção de biodiesel no país, priorizando oleaginosas que propiciem maior emprego de mão-de-obra e insira regiões que estejam à margem do processo de desenvolvimento econômico do país. Nesse caso, a mamona é uma excelente alternativa, principalmente para a região Nordeste.

Dentre os programas que estão sendo implementados tem-se, em nível de Governo Federal, o "Programa Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico do Biodiesel - PROBIODIESEL", coordenado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e o "Programa Combustível Verde", coordenado pelo Ministério de Minas e Energia. Em nível estadual, diversos governos, notadamente dos Estados do Nordeste, estão desenvolvendo projetos que consistem no incentivo e apoio ao plantio e isenção de impostos para os produtos dessa cadeia produtiva. Em função desses incentivos a previsão é de que deve haver um crescimento do agronegócio da mamona no país.