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Qua27082014

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Mamona

A Planta

Tem raízes laterais e uma raiz principal que pode atingir 1,50 m de profundidade. As variedades cultivadas no Brasil podem ser de porte anão ou baixo (até 1,60 m), médio (1,60 a 2,00 m) ou alto (acima de 2,00 m).

Há também variedades com frutos deiscentes (quando maduro se abrem, deixando cair as sementes) e indeiscentes. O fruto é uma cápsula com espinhos, com três divisões e uma semente em cada uma.

A mamoneira desenvolveu-se nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil. Nas regiões Sudeste e Sul, para se garantir a competitividade com outros produtos concorrentes tornou-se necessário o desenvolvimento de técnicas que facilitassem a mecanização e o desenvolvimento de variedades mais rentáveis. Deste modo tornou-se possível cultivar variedades anãs eindeiscentes, cuja maturação ocorre aproximadamente ao mesmo tempo em todas as bagas. Isto permite colheita mecânica única anual.

Folha de mamona
Folha de Mamona

 No Nordeste a miscigenação de variedades provocou um hibridismo espontâneo, os frutos são deiscentes, requerendo múltiplas colheitas por ano, em operação manual.

Mesmo sendo uma cultura tropical equatorial, seu cultivo tem sido intensificado fora até mesmo dos trópicos e subtrópicos. Nas regiões tropicais, equatoriais, geralmente cultivam-se variedades arbóreas e nas regiões subtropicais e temperadas, variedades anãs e precoces.

Alçada da obscuridade à fama pelo Programa Nacional de Uso e Produção de Biodiesel, a mamona é base de produtos tão diversos como cosméticos e óleo de rícino. Sua ligação com agricultores familiares do interior do Nordeste e sua grande versatilidade fizeram o governo federal apostar nela como grande estrela do mercado do biodiesel no país.

A ideia era criar um mercado garantido para o óleo produzido no país e, dessa forma, alavancar sua comercialização em outras áreas. O biodiesel seria a plataforma de lançamento para um futuro glorioso.

O programa decolou, mas a mamona ficou para trás. Sem incrementos significativos na área plantada e sem utilização pelas usinas de biodiesel, o preço do óleo permaneceu alto, muito mais caro que o óleo da soja, por exemplo. Para muitos especialistas, o óleo de mamona é uma matéria-prima nobre demais para uso na produção de biodiesel. Suas aplicações vão desde a ricinoquímica até a indústria aeronáutica, em que ele é usado na fabricação de lubrificantes para a aviação. Sua alta viscosidade faz dele ideal para esse tipo de aplicação.

Mas, na usina, o combustível produzido a partir dessa oleaginosa contabiliza problemas. O mais sério é justamente a alta viscosidade do óleo, que resulta num biodiesel com mais impurezas do que o desejado quando a mamona é a única matéria-prima utilizada. No entanto, é justamente essa característica que faz dessa semente uma matéria-prima tão útil em outras indústrias.
 
A solução é utilizar o óleo de mamona misturado a outros óleos. Adicionado a um mix na produção de biodiesel, ele pode contribuir para melhorar as qualidades do produto final.

No chão da fábrica, no entanto, a realidade é dura. Muitos agricultores que investiram nessa cultura amargam um rendimento ruim. As usinas que apostaram na mamona pouco conseguiram fazer para o produto decolar. Há inclusive casos de empresas que adquirem a oleaginosa só para ter direito às isenções do selo Combustível Social, mas ao invés de utilizá-la na produção de biodiesel, repassam o produto a outras indústrias e continuam produzindo combustível de soja e outras oleaginosas mais promissoras. Como consequência, atualmente a mamona tem participação pouco significativa na produção nacional de biodiesel.

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