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Amyris e Crystalsev produzirão biodiesel a partir da cana

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quarta, 23 abril 2008 . Reuters - Exame   
Revista BiodieselBR
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A companhia norte-americana Amyris e a trading brasileira de açúcar e álcool Crystalsev anunciaram nesta quarta-feira a formação de uma joint venture para produzir e comercializar biodiesel feito a partir de cana-de-açúcar.

A tecnologia foi desenvolvida pela empresa americana e tem como característica principal o emprego de microorganismos para transformar a sacarose da cana em biodiesel.

A primeira unidade de produção será construída em parceria com a produtora de açúcar e álcool Santa Elisa Vale, acionista majoritária da Crystalsev.

A empresa fornecerá dois milhões de toneladas de cana para o projeto e vai operar a fábrica, que deve iniciar as atividades em 2010, produzindo por ano 10 milhões de galões do combustível.

"Desenvolvemos a tecnologia e procuramos um parceiro para comercializá-la. Faremos a primeira produção de diesel a partir de cana no mundo", afirmou à Reuters John Nelo, presidente da Amyris.

O produto tem as mesmas características ou ainda melhores do que o diesel feito a partir do petróleo, segundo representantes das empresas.

A intenção das companhias é que já na primeira fase do projeto o custo do novo diesel seja equivalente ao petróleo ao preço de 60 dólares o barril.

"É nosso objetivo buscar valor agregado e diversificação. Hoje arbitramos entre o preço do álcool e do açúcar. Vamos poder arbitrar entre cinco produtos", afirmou o CEO da Crystalsev, Rui Lacerda Ferraz, acrescentando que, numa segunda fase, o projeto também deverá abranger a produção de gasolina e combustível de aviação a partir de cana.

A Santa Elisa Vale é controlada pela família Biagi, com 67 por cento do capital, e também tem como sócios a BNDESPAR, o Goldman Sachs e a família Junqueira.

As empresas, que não informaram o valor do investimento, pretendem fazer mais parcerias no futuro para o desenvolvimento do combustível.

Por Inaê Riveras - REUTERS

Santelisa Vale anuncia parceria para produção de diesel de cana-de-açúcar

EXAME
A Santelisa Vale fechou um acordo com a Amyris Biotech, uma empresa de biotecnologia do Vale do Silício, e vai se tornar a primeira produtora do mundo de um novo tipo de biodiesel, produzido a partir da cana-de-açúcar. O anúncio aconteceu na manhã desta quarta-feira, em São Paulo. O acordo prevê a produção de 4 bilhões de litros do novo combustível a partir de 2011 e é a primeira grande união entre uma empresa de alta tecnologia dos Estados Unidos e um produtor de álcool e açúcar do país.

A Amyris, uma empresa que conta com investimentos da fundação Bill e Melinda Gates e de alguns dos mais importantes capitalistas do Vale do Silício, uniu-se à Crystalsev, uma trading e distribuidora de etanol brasileira controlada pela Santelisa, em uma joint venture que terá os direitos exclusivos de comercialização do biodiesel. A nova companhia, batizada de Amyris-Crystalsev , vai começar a produção em usinas-piloto. A primeira delas fica na Califórnia e começa a produzir em outubro. No ano que vem, a produção vem para Campinas, no interior paulista, onde ficará a sede da Amyris-Crystalsev. A partir de 2010 começa a produção em escala comercial.

O novo combustível é compatível com os motores atuais e pode ser misturado ao diesel tradicional em uma proporção de até 80%, segundo John Melo, presidente da Amyris. “Fala-se muito em combustíveis da nova geração”, disse Melo a EXAME. ”O Brasil vai ser o primeiro país do mundo a produzi-lo.” A tecnologia desenvolvida pela Amyris é baseada em microorganismos modificados geneticamente. A idéia é que eles entrem na etapa de fermentação do açúcar. Com as leveduras desenvolvidas pela Amyris, em vez de álcool, obtém-se um combustível com as mesmas características do diesel obtido a partir do petróleo.

A mesma tecnologia pode ser utilizada para a produção de gasolina de aviação e gasolina tradicional, mas a escolha foi pelo diesel, pois esse é o combustível que mais cresce no mundo, diz Melo. “Trata-se do combustível que está empurrando as economias em desenvolvimento, e que cresce de duas a três vezes mais rápido que a gasolina”, afirma Melo, que foi presidente das operação de combustíveis da BP nos Estados Unidos antes de assumir o comando da Amyris. Ele afirma que o novo combustível é economicamente viável mesmo com o barril de petróleo a 55 dólares. Ontem, o barril fechou a 119 dólares.

 O anúncio tem implicações importantes para a indústria de biocombustíveis do país. A primeira delas é a transformação potencial das usinas que hoje produzem álcool e açúcar em “biorefinarias”. “Assim como acontece com o petróleo, as usinas poderão decidir qual é o melhor produto a produzir: álcool, açúcar ou diesel”, diz Rui Lacerda Ferraz, presidente da Crystalsev. A idéia inicial é criar uma nova unidade produtiva dentro da Santelisa Vale destinada ao diesel de cana-de-açúcar. A conversão de uma usina custa entre 20 e 30 milhões de dólares. A Amyris-Crystalsev já negocia com outras usinas para atingir a meta de 4 bilhões de litros a partir de 2011.

Outro impacto importante é a sofisticação da tecnologia usada pelos produtores brasileiros. Embora o Brasil seja o líder mundial na produção de etanol, os procedimentos para a transformação da cana-de-açúcar em combustível são essencialmente os mesmos há centenas de anos. Existe pelo menos uma dezena de empresas americanas investindo em tecnologias que vão da biotecnologia a novos maquinários para a produção de etanol com mais eficiência, a partir de qualquer tipo de material orgânico. Essas novas tecnologias buscam a obtenção do que é conhecido como etanol de celulose.

O diesel produzido pela Amyris, porém, é um terceiro tipo de combustível. Ele tem as mesmas carracterísticas do diesel tradicional, mas com menos impurezas. Embora teoricamente seja possível simplesmente substituir o diesel tradicional pelo de cana-de-açúcar, os testes foram todos feitos com misturas. A idéia é obter proporções de misturas mais altas do que as hoje possíveis com o biodiesel.  O primeiro comprador do novo combustível será justamente a frota da Santelisa Vale, diz Anselmo Rodrigues, presidente da usina. A expectativa é que o novo diesel seja consumido no próprio país, um importador de diesel tradicional. 

As negociações entre a Amyris e a Santelisa Vale começaram há cerca de um ano, quando Melo e os fundadores da empresa vieram visitar a usina. A Amyris, baseada em Emeryville, na Califórnia, tem entre seus investidores os capitalistas de risco Vinod Khosla, da Khosla Ventures, e John Doerr, do fundo Kleiner Perkins Caulfield & Byers – um dos primeiros a apostar em empresas como Google e Amazon. A empresa nasceu de pesquisas realizadas na Universidade de Berkley  em busca de uma cura para a malária. Os combustíveis foram uma decorrência desse foco inicial. O valor do investimento na joint-venture não foi revelado. A Amyris detém 70% do capital da nova empresa, e os 30% restantes pertencem à Crystalsev.

Por Sérgio Teixeira Jr. - EXAME

Revista BiodieselBR
Comentarios (9)add comment

Carlos Eduardo disse:

  Com todo o respeito as instituições mencionadas acima e suas pesquisas, mas esse processo de produção ainda vai levar muito tempo para chegar ao mercado, com viabilidade e escala necessários.

A despeito do que dizem as empresas envolvidas, não acredito que esta tecnologia fique viável antes de todas as outras que envolvem a segunda geração de biocombustíveis.
1

23.04.2008 - 15:33

Telmo Heinen disse:

  Com C e H dá para fazer qualquer hidrocarboneto. Será que o home seria capaz de inventar um processo mais econômico do que a natureza, para fazer isso ?
Se bem me lembro, o "Divino" costuma castigar este tipo de desafios...

Se já tenho o álcool, para que fazer "Hidrogênio" - Gasolina e, agora Óleo Diesel ?
Melhor é ir atrás de inventos que sirvam para melhorar o desempenho da queima do álcool.

Mas poetas, tem aos montes...
2

23.04.2008 - 17:46

Liv Severino disse:

  A idéia dessa empresa inicialmente pode parecer estranha, mas das novidades que vi recentemente é uma das que faz mas sentido. Muito mais que etanol de celulose. A imprensa tradicional não soube captar o "pulo do gato", mas a questão é que enquanto estão todos buscando a produção de óleos utilizando algas, este pessoal teve a idéia de usar microorganismos para transformar sacarose em óleo.
Fisiologicamente, essa rota é muito simples. Os obesos que o digam, é muito fácil transformar açúcar em gordura e muitos organismos possuem esse mecanismo fisiológico. A questão foi somente achar um microorganismo que fala isso com eficiência.
No Brasil, uma tonelada de açúcar deve custar algo entre US$ 200 e $400. Considerando a eficiência de conversão e custos operacionais, a tonelada de óleo deve sair por algo em torno de US$800. No entanto, só faz sentido no Brasil onde o açúcar é barato. em qualquer outro país não teria como aproveitar esta tecnologia.
Os produtores de açúcar é que vão gostar dessa idéia, pois vai aumentar muito a demanda por açúcar e certamente o preço vai subir. Já que a Europa e US não aceitam comprar nosso açúcar, a gente transforma em biodiesel e vende.
3

23.04.2008 - 19:43

Missao Tanizaki disse:

  Organismos Geneticamente Modificados, em grãos e plantas superiores, tem sido bastante combatido e há sinalização de que na América Latina deve ser combatida ainda mais, provavelmente devida a imensidão da sua Biodiversidade e ser uma importante área que poderá garantir a produção futura de alimento para o MUNDO.

No meu entendimento a utilização de Microorganismos OGM, também deve ser combatida de imedito, pois seus efeitos e desdobramentos são infinitamente superiores dos OGM de Grãos e Plantas Perenes.

Os Microorganismos OGM podem afetar toda a Micro Flora Natural produzindo efeitos catastróficos à toda Biodiversidade do Planeta Terra, nisso inclui toda HUMANIDADE.

Não há como estabelecer uma Indústria totalmente hermética e quando se utiliza Microorganismos, OGM ou NÃO, sempre haverá um desvio, à nível microscópio, o suficiente para causar um DESASTRE IRREVERSÍVEL que poderá gerar novas doenças capaz de exterminar muitos milhares, ou até milhões de seres humanos, sem percpectivas de encontrar um antídodos a tempo.

MISSAO TANIZAKI
Fiscal Federal Agropecuário
Bacharel em Química
missao.tanizaki@agricultura.gov.br

TUDO POR UM BRASIL / MUNDO MELHOR

4

25.04.2008 - 09:58

Decio disse:

  Eu estou em contato com colegas da Amrys há muito tempo. Eles ainda tem outras tecnologias revoucionarias no pipeline. Estpecificamente, a conversao de açúcar para hidrocarbonetos de cadeia média (C12-C18), ou seja, diesel de cana, o custo atual está estimado em US$330 por tonelada. Em 5 anos deve reduzir em 30-40%.
5

25.04.2008 - 10:02

Mauro Carlos Lopes Souza disse:

  Obviamente que é possível produzir HC de cadeias mais longas, a partir da Glicose, utilizando-se M.O. específicos. Mas, os custos e o rendimentos são questionáveis. Além disso, o uso de M.O. geneticamente modificados pode ser bastante perigoso, pois, o descontrole na sua disseminação na natureza é muito provável. Por exemplo, as levederuras estão por toda a parte e não há como detê-las. Se um recipiente com caldo de cana, com suco de uva, ou outro xarope glicosado for deixado por algum tempo a T ambiente, em muito pouco tempo as Sacharomyces cerevisae do ar e do próprio ambiente, rapidamente vão encontro-lo e, ao se alimentarem, produzirão como excreta: etanol e CO2.
Essas novas Leveduras Geneticamente modificadas, se disseminadas pelo ambiente poderão produzir efeitos imprevisíveis. Até mesmo concorrerem com as nossas inofensivas S.cerevisae e, quem sabe, até dizimá-las. Tudo é possível!!!
Muita pesquisa e testes ainda serão necessários até que nossas autoridades liberem tais M.O.modificados, se é que são realmente pertinentes e eficientes.
6

25.04.2008 - 14:11

Neddo Zecca disse:

  Senhores para o vosso conhecimento: o produto obtido é Bio-PDOTM (1,3-propanediol). Um sucedaneo ao alcool. Não é um substituto para o diesel.
Texto em anexo.
abs


Amyris Appoints Industry Expert to Lead Manufacturing
Senior Vice President of Process Development and Manufacturing, Jeff
Lievense, Ph.D. will Lead Commercial Scale-up of Amyris’ Biofuels Production
Emeryville, CA – December 5, 2007 – Amyris, an innovator in the development of sustainable
hydrocarbon biofuels, today announced that Jeff Lievense Ph.D. will join as Senior Vice President
of Process Development and Manufacturing. Lievense draws from 25 years of industrial
experience in bioprocess engineering and a proven track record in developing, scaling up, and
commercializing advanced fermentation processes.
“Jeff has extensive experience in taking promising technologies to commercial scale,” said John
Melo, CEO of Amyris. “Our technology has already been proven on a laboratory scale, and Jeff
is the perfect addition to our growing team as we enter the next phase in our technology
development. With his help, we look forward to developing the large-scale fermentation
processes to manufacture our “no compromise” hydrocarbon biofuels that will be environmentallyfriendly
and cost competitive.”
“It’s rare that you find top-notch scientists and industry experts all in the same room, much less
collaborating with one another on a project with such tremendous potential,” said Jeff Lievense.
“This unique atmosphere as well as the opportunity to help commercialize a truly groundbreaking
technology is what drew me to Amyris. I’m excited to get to work.”
Lievense most recently served as Vice President of Technology and Process Development for
the R&D organization of Tate & Lyle, where he led its fermentation R&D program including the
commercialization of three large-scale industrial fermentation products, most notably in
pioneering a process for production of Bio-PDOTM (1,3-propanediol). In that role, Lievense also
oversaw extensive laboratory and pilot plant facilities. Lievense holds B.S. and Ph.D. degrees in
chemical engineering from University of Michigan and Purdue University, respectively.
About Amyris
Amyris (www.amyris.com) is applying its proprietary, breakthrough technology to address major
global health and energy challenges. Amyris’ technology is used to produce high-value
compounds to enable the production of lower cost artemisinin-based anti-malarial drugs and a
slate of renewable hydrocarbon biofuels which are expected to be cost-effective and compatible
with existing engines and distribution infrastructure. Based in Emeryville, CA, Amyris is a
privately-held venture backed company whose investors include DAG Ventures, Khosla Ventures,
Kleiner Perkins Caufield & Byers and TPG Ventures.
###
7

26.04.2008 - 00:55

Gabi disse:

  em dois dias já perdi mais de 10%...será que me iludi com essa ação ou ainda tenho chance de ficar feliz no segundo semestre..rs
8

20.05.2008 - 15:53

Telmo Heinen disse:

  Estes caras "plantam" noticias que fazem valorizar o seu lançamento.
Depois... é depois: Seja o que Deus quiser!

Vai atrás da Midia Abobalhante para ver onde é que você vai parar... no Inferno!
9

20.05.2008 - 20:07

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