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Óleos vegetais substituem diesel em motores adaptados

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terça, 29 abril 2008 . Jornal da Manhã - Ponta Grossa   
Revista BiodieselBR
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A Universidade Estadual de Ponta Grossa está à frente de mais uma pesquisa que deve colaborar para o melhoramento dos chamados biocombustíveis. Os estudos consistem na aplicação de óleos vegetais em motores a diesel, e posterior verificação de desempenho e desgaste dos equipamentos.

O professor Pedro Henrique Weirich Neto é coordenador da pesquisa, que envolve cerca de dez pessoas, de diferentes instituições. Ele explica que o estudo está dividido em três subprojetos de análise. O primeiro consiste no uso dos óleos vegetais em trator de pequeno porte. O segundo analisa o desempenho dos produtos em tratores de grande porte. E o terceiro observa o uso desses materiais em motor instalado sobre uma bancada, em laboratório.

A pesquisa começou em janeiro, e coloca em primeiro plano o uso dos óleos produzidos a partir do girassol e da soja. Segundo o professor Weirich Neto, a facilidade de obtenção do óleo de girassol permitiria que o pequeno agricultor obtivesse o próprio combustível para ser usado em sua área de plantio.

A soja foi escolhida, entre outros fatores, por se tratar de um cultivar muito comum nessa região do Paraná. A intenção é aplicar o óleo obtido da soja na pesquisa com três tratores de grande porte, e verificar o desgaste do motor e melhor aproveitamento do diesel alternativo em cada diferente aplicação. A cada duzentas horas, os motores devem ser abertos para que esse desempenho seja calculado.

Por meio do motor colocado sobre uma bancada, os pesquisadores esperam obter dados importantes sobre o desempenho de outros óleos, além de realizar adaptações no maquinário, e obter informações de caráter mais científico.

CONJUNTO: Recursos e pesquisadores

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) já liberou, em dezembro, R$ 100 mil para a realização da pesquisa sobre “Utilização de combustíveis a base de óleos vegetais em motores alternativos de ciclo Diesel”. Parte desses recursos servirá para a aquisição de material para as análises em laboratório, e também para a reposição dos equipamentos dos motores.

Um dos motores está sendo testado, atualmente, no campus da UEPG em Uvaranas. Outros três tratores maiores terão testes sendo realizados na região de Guarapuava. A equipe do projeto conta ainda com um pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e um do Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica (Cirad/França).

Uma maneira para ganhar tempo

Outra instituição diretamente envolvida na pesquisa é o Senai. O gerente da unidade em Ponta Grossa, José Fernando Alamino, se diz satisfeito com o projeto. Segundo ele, os técnicos do Senai são os responsáveis por colocar em prática as alterações apontadas como eficientes pelos pesquisadores da UEPG.

“É algo de total interesse de nossa parte, no sentido de trabalhar em conjunto com a UEPG e estar desenvolvendo uma tecnologia inovadora e cada vez mais requisitada”, diz Alamino sobre a busca de novas alternativas.

E expectativa é que, utilizando esses combustíveis, e com pequenas alterações no equipamento, possamos ter a mesma durabilidade que tem o equipamento que usa óleo diesel originário do petróleo. Ele destaca os benefícios que isso pode trazer ao meio ambiente, e contesta a suspeita de que a produção de biocombustíveis pode prejudicar a oferta de alimentos.

“Eu acho que não tem nada a ver. Nós temos espaço no mercado e temos espaço para produção e isso não prejudica em nada. É claro que depende da política do governo, no sentido de incentivar para produzir alimento e combustível. Mas isso vem acontecendo já com a cana-de-açúcar, e ninguém deixou de trabalhar com outros produtos alimentares por causa disso”, argumenta.

O professor Pedro Henrique Weirich Neto, da UEPG, calcula que a pesquisa deve se estender por quatro ou cinco anos de trabalho, período em que algumas conclusões devem ser apresentadas em publicações científicas. Entre as experiências que devem ser feitas, o professor lembra que devem ser buscadas formas de reduzir a viscosidade desses óleos, que é algo que consiste em um problema, pois dificulta o trabalho do motor. “Vamos trabalhar com adaptações. Algo que é interessante fazer é aquecer o óleo. Isso pode reduzir a viscosidade, e melhorar o desempenho”, sugere.

LACUNA: Antes de usar o hidrogênio

Como vantagens finais da pesquisa, o uso de combustível à base de plantas deve reduzir a dependência dos derivados de petróleo, que tende a se tornar escasso nos próximos anos, e cujos preços já aumentaram consideravelmente. “Eu acho que o biocombustível vai preencher uma lacuna, mas não terá uma vida muito longa. O biocombustível vem para dar tempo de a gente produzir outra coisa – o uso do hidrogênio, por exemplo”, lembra Weirich Neto.

O professor admite que os biocombustíveis podem influenciar no aumento de preços dos alimentos. Mas destaca que eles não são os grandes vilões da economia. “O adubo foi pra 100% de aumento. Tudo isso é em função do petróleo, (...) que está mais caro, e influencia no preço dos alimentos”. Ele também destaca que a pesquisa pode até mesmo concluir que esses óleos não são os mais indicados para funcionar como combustíveis. O tempo dirá.

Revista BiodieselBR
Comentarios (5)add comment

Pedro Calmon disse:

  Estão pesquisando o que ja foi feito e publicado na Alemanha, lá rodam mais de 30.000 veiculos adaptados a óleo vegetal, já tem até empresa atuando no Brasil....
temos até veiculos homologados pelo Detran...

E para que usar Hidrogênio se temos Biodiesel, alcool e óleo vegetal?
1

30.04.2008 - 11:31

Hernani Lopes de Sá Filho disse:

  Já fizemos os testes desde 1979,antes da Alemanha!
Amigos diretoras,diretores ,

Estão repetindo o que já fizemos desde 1979.
Vao perder mais tempo e o Brasil perdendo!!!.
Se não fossem os boicotes já estaria implantado desde Collor,gerando muitos milhões de oportunidades para o povo

Vocês sabem muito bem que já utilizamos OVN(óleos vegetais sem alterações) em 79,80,84, 85, 86,96,2000, etc.
Caterpillar, Volks,Yanmar, entre outros, também usaram.
Fizemos ensaios em frota cativa(CTC-RJ), laboratórios(INT),bancada(CTA), sem problemas na maioria dos casos em misturas em outros puros.
Trabalhamos com óleos de famílias distintas, representativas da grande maioria de óleos e gorduras;AMENDOIM,DENDÊ E SOJA.
Parabenizamos as novas constatações(cinco anos de pesquisas é MUITO!!!),mas recomendamos que não se vangloriem de INEDITISMO.
É como descobrir a RODA ou o FOGO.

Façam PESQUISA BIBLIOGRÁFICA.

Bom dia do trabalho.
Hernani de Sá
2

1.05.2008 - 09:13

PONTES disse:

  Fendel tem toda razao quando diz que nao precisa gastar dinheiro com transformaçao, o uso do OVN direto no motor é coisa muito simples conforme afirma meu amigo Hernani de Sá, a questao é meramente politica imaginem como o governo iria tributar o oleo que o agricultor colhesse dentro de sua propriedade e la mesmo o usasse como combustivel? seria a redençao da lavoura espero que nenhum agricultor leia o que aqui coloquei pois correrei o risco de estar insitando os mesmo a darem o grito de independencia do sistema para fazerem uma agricultura mais justa , mesmo assim me arrisco grato PONTES
3

6.05.2008 - 08:04

Almir Monteiro disse:

  O alemão RUDOLPH DIESEL já usava o óleo vegetal em motores, não é nenhuma novidade, basta adaptar os motores do ciclo diesel. Naquela epoca, o alemão Diesel falava: " Os países que usarem o óleo
vegetal em seus motores, a agricultura será bem desenvolvida", não vamos ter dúvidas.
4

14.05.2008 - 16:27

Gilson Leite de Moura disse:

  O Pontes disse tudo! O campo com o domínio da tecnologia faria a revolução mais justa e merecida por essa classe que nos alimenta desde os primórdios, mesmo antes do aparecimento dos primeiros motores e de leis que só tem beneficiado os donos do grande capital. Por isso sou a favor das pequenas fábricas de óleo e das micro destilarias tocadas pela família do agricultor, produzindo seu próprio combustível como ha muito já produz o combustível que movimenta o nosso corpo. Da mesma maneira que não cabe a fiscalização nenhuma chegar ao extremo de fiscalizar a panela no fogão à lenha, nem quantas tapiocas se comem na casa do "Seu José". Isso seria ridículo e inaceitável, já que os produtos citados não pularam a porteira do Seu José. Para mim controlar a produção do ÓLEO numa fazenda é o mesmo que legislar sobre a tapioca que no nordeste é o pão de muitas famílias que ao pé do fogão, se alimentam e saem para o trabalho. Estamos nos referindo ao ÒLEO porque biodiesel tem sido uma tapeação e uma imposição dos poderosos grupos produtores de motores uma vez que sabemos que só a Alemanha possui mais de 30.000 automóveis rodando com vantagem a ÓLEO VEGETAL. Fazer óleo, os empregados da fazenda da minha avó, já sabia porque junto com Cabral veio o processo. E agora eu pergunto porque transesterificar? “Vamos complicar para o “Seu José” não fazer..!” “Vamos complicar porque assim se gasta mais energia para produzir energia..!” “Vamos complicar porque assim poluímos com o processo, os rios com a glicerina que sobra e não tem preço no mercado..!” “Vamos complicar porque implantar industria de biodiesel é caro e Seu José não vai poder concorrer, mesmo com a mão de obra da sua família unida..!” Thomas Fendel tem razão na sua luta, bem como o nosso patriota Bautista Vidal. Acho que criatividade rima com liberdade. O trator do Seu José da mesma maneira que sua barriga precisa funcionar com “feijão” próprio, para ele não ter que dar satisfação à quem só tem o capital (adquirido não se sabe como) mas nada produz a não ser lucro para pagar o seu Wisque.
5

16.05.2008 - 14:22

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