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Com matéria-prima cara, biodiesel é inviável até no Brasil

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segunda, 10 dezembro 2007 . Reuters   
Revista BiodieselBR
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Com a alta dos preços das matérias-primas disponíveis para a produção de biodiesel, a fabricação desse biocombustível é inviável até mesmo no Brasil, onde os custos de produção agrícolas estão entre os mais competitivos do mundo, concluiu um estudo da AgraFNP, divisão no Brasil do grupo Informa.

De acordo com a consultoria, o custo de produção atual do biodiesel obtido a partir dos óleos disponíveis no país supera o preço do diesel mineral, e também é maior do que o preço médio de venda do biocombustível alcançado nos leilões do governo (1,86 real por litro).

Mesmo no último leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), realizado em novembro, o preço final do leilão (1,857 real por litro), que ficou acima da média dos anteriores, fechou cotado abaixo dos custos de produção.

"Em 2005, os preços da soja eram altamente viáveis para produzir biodiesel a 1,80 real (por litro). Mas os preços do óleo subiram com o boom da agroenergia, devido aos planos de biocombustíveis dos Estados Unidos. E agora se tem preços superaquecidos dos óleos", afirmou José Vicente Ferraz, analista da AgraFNP, a jornalistas nesta segunda-feira.

A soja, por exemplo, está sendo negociada no maior valor em 34 anos na bolsa de Chicago, o que puxa o valor do óleo.

Segundo o estudo, o custo de produção de biodiesel a partir do preço de mercado do óleo de soja, o mais utilizado no Brasil, é de 2,59 reais/litro (base Paraná) e de 2,42 reais por litro (base sul de Mato Grosso).

Em 2007, mais de 80 por cento do biodiesel fabricado no Brasil teve a soja como matéria-prima, e o cenário deve permanecer praticamente o mesmo para 2008.

"E o pior é que não se acredita que os preços dos grãos voltem aos patamares anteriores. Podem até cair, mas não nos níveis anteriores", acrescentou Ferraz, referindo-se ao ano de 2005, quando foi realizado o primeiro leilão.

 "O grande problema é que houve uma explosão (de preços) dos óleos vegetais), isso inviabiliza a coisa."

De outro lado, destacou o analista, o mercado de biodiesel está pressionado por uma elevada oferta do produto, decorrente do grande número de novos empreendimentos, lançados quando o produto se mostrava viável.

"Os preços nos leilões indicam que 1,80 real é o valor que o mercado está disposto a pagar. Os produtores... estão tendo prejuízos, pois o mercado está superofertado, houve uma quantidade enorme de plantas, isso resultou em uma capacidade instalada de duas vezes e meia a necessidade para o B2 (diesel com 2 por cento de diesel)", afirmou.

A partir de janeiro de 2008 passa a ser obrigatória no Brasil a adição de 2 por cento de biodiesel no diesel, o que exigirá a produção de 840 milhões de litros.

Ferraz lembrou ainda que os efeitos dos preços baixos podem ser vistos no volume de entregas menor do que o total já comercializado nos leilões [ID:nN05629520].

ALTERNATIVAS

Segundo ele, por causa do preço inviável, as usinas estão trabalhando "com um limite mínimo de sua capacidade".

"Estão esperando que os preços dos óleos recuem, e querem ver se o Brasil consegue abrir mercado internacional para o biodiesel, pois o Brasil é o mais competitivo do mundo para o biodiesel."

Questões tributárias, entretanto, favorecem a exportação da matéria-prima, ou da soja em grão, em detrimento do produto processado.

 Outro fator que pode, em algum momento, elevar os preços de comercialização no leilão, além de eventuais exportações, é a possível redução da oferta. "Um equilíbrio entre oferta e demanda implica que várias empresas não entrem em operação e que algumas saiam do mercado."

Entretanto, acrescentou o analista, uma "saída estrutural" seria o setor buscar matérias-primas não-utilizáveis para alimentação humana e culturas que tenham uma maior rendimento.

Uma opção seria a utilização do pinhão-manso, a única matéria-prima, segundo o estudo da AgraFNP, cujo custo de produção de biodiesel é inferior (1,21 real por litro) ao valor negociado nos leilões.

No entanto, contra o pinhão-manso ainda pesam problemas de escala de produção. Além disso, embora altamente produtiva, ainda faltam informações agronômicas sobre essa cultura.

No curto prazo o biodiesel brasileiro, ressaltou a consultoria, poderia se apoiar na produção de semente de girassol, com os produtores plantando o produto, de maior rendimento industrial que a soja, no inverno.

O óleo de dendê, ou de palma, foi citado como altamente viável em substituição à soja, pelo seu alto rendimento, mas atualmente se mostra inviável pelo preço elevado do óleo. Além disso, a palmeira demora sete anos para produzir, o que dificulta investimentos.

Por Roberto Samora
Edição de Denise Luna

Revista BiodieselBR
Comentarios (9)add comment

Telmo Heinen disse:

  Eu fico abismado com estes sabichões, como eles reagem diante do óbvio.
Desde 2004/2005 era visto que o biodiesel necessitaria de subsídios, tanto é que o Governo, sabiamente estabeleceu em contrapartida aos subsídios, a inclusão social pela geração de renda, consubstanciado nas regras do Selo Combustível Social.

Continuo não admitindo que pessoas tidas como "experts" no Mercado, tenham passado "batido" nessa, que vergonha, ainda mais este pessoal da FNP...

Desde há muito venho escrevendo que o futuro do biodiesel está reservado às espécies perenes, as únicas capazes de produzir óleos vegetais abaixo de US$ 700.00 por tonelada.

Agora que o dólar se desvalorizou cerca de 25 a 30% podemos quase afirmar que não teremos mais óleos vegetais de culturas anuais com preços inferiores a 120 dólares por barril...

Aliás, há tempo o CEPEA - instituição mais respeitada em cálculos econômicos publicou, está aqui no site mesmo, que o melhor jeito de "originar" óleos vegetais para a produção de biodiesel era "tomar seu prêço no mercado" Isto ainda não mudou. Só mudará quando houver oferta de óleos vegetais a partir de culturas perenes...

Portanto, é quase inconcebível que "empresários" tenham mobilizado recursos vultuosos para o fabrico de biodiesel, "CONFIANTES" EM prêços de óleo de soja na faixa de 65 a 70 dólares por barril, valor já ultrapassado pelo petróleo há algum tempo.

Bem feito pelos prejuízos que contabilizarão. Se este é o prêço do conhecimento, danem-se!

Minha consultoria não é valorizada, então sofram as conseqüências por conta e risco.

Att, telmo heinen @yahoo.com.br - Formosa (GO) 61-9989-6005
1

10.12.2007 - 17:38

Cyd da Silva Nunes Estrada disse:

  Parece que começaram a ler meus comentários, só vou repetir de novo, não vai ter biodiesel para o programa, repito de novo, os grandes na sua ganância acabaram com o programa agora seja o que DEUS quiser.
2

10.12.2007 - 21:46

pedro ross disse:

  Isso soou como uma bomba contra o biodiesel, produzir biodiesel de óleo vegetal é hoje inviável no Brasil e no mundo, pois a cultura de grãos principalmente a soja tem um custo muito elevado, desde as sementes, insumos, agrotóxicos , logística e custo financeiro.
A cultura da cana é imbativel em produção aqui no parana um ha de cana produz 100 ton. de cana ou 830 litros de álcool, é por isso que todos que tem mais terra querem plantar cana.
3

11.12.2007 - 08:58

Marcio Mattos disse:

  Na minha humilde posição de advogado e não economista, acredito que possa haver saida sim.
Já existem usinas de biocombustíveis que são capazes de produzi-lo a partir de quaisquer matérias-primas.
A verticalização da produção, dentro da quota-limite de 70% necessária para a aquisição do selo social, a escolha de matérias-primas advindas de espécies perenes como o girassol, o arrendamento de terra aos 30% restantes dentro da agricultura familiar, e a produção do óleo na própria usina possam reduzir substancialmente os custos de produção e viabilizar o negócio.
Com relação às exportações, ainda acho pouco provável isso acontecer dentro dos próximos dois anos já que existem subsídios enormes dos países Europeus e pouco interesse dos EUA. Além disso, será necessário o enquadramento da cultura às exigências ambientais e sociais que aqueles países já impõem à varios produtos brasileiros.
Acho pouco provável que consigamos exportar biocombustível proveniente de óleos de quaisquer vegetais comestíveis em função disso.
O Brasil é riquíssimo em espécies vegetais e a matéria-prima é abundande, só resta encontrarmos uma solução viável.
O governo vai acabar entrando nessa para segurar o mercado e como sempre os empresários mais visionários, criativos e, lógico, que possam bancar essa verticalização, sairão na frente.

marciomattos@bheringadvogados.com.br
4

11.12.2007 - 10:14

Afonso Bueno disse:

  O oleo nunca mais vai recuar. Oleo e energia, renovavel e biodegradavel. Tem-se que repensar a bioenergia como um todo. O plante esta doente e o unico remedio sao os biocombustiveis. E o Brasil deve ter uma politica propria para isso. Temos que quebrar paradigmas e usar somente biocombustiveis.
5

11.12.2007 - 11:08

Telmo Heinen disse:

  Aqui o Sr. deu uma de Rábula, credo. Que confusão!
70% de quê? Biocombustíveis a partir de qualquer biomassa custam o equivalente a 300 dólares o barril de petróleo...
Girassol não é perene, é uma cultura anual... tem que plantar todo ano...

Att, TH
6

11.12.2007 - 11:52

Fábio Carramenha disse:

  Meu nome é Fábio Carramenha, sou mestrando na área de Processos Industriais no IPT-Instituto de Pesquisas Tecnológicas do etado de São Paulo. Desenvolvi um trabalho de pesquisa intitulado "Estudo de viabilidade Técnica e Econômica da Produção de Biodiesel em Escala industrial no Brasil".

Conconrdo que o maior gargalo na produção é o custo das matérias-primas aliado ao custo de oportunidade das óleos no mercado da indústria alimentícea.
O bioidesel, oriundo de algumas matérias-primas menos nobres como sebo, girassol e óleo reciclado só torna-se competitivo com o diesel mineral quando o barril de petróleo estiver cotado a US$ 95,00.

A veriticalização das plantas sozinha não consitui uma solução para este problema, na medida que o foco do negócio pode mudar de acordo com as cotações dos óleos no mercado.

O mercado de bioidesel assemelha-se muito ao mercado do etanol na decáda de 70 e neste momento o Brasil deve criar condições para a implantação do sistema produtivo para no futuro colher os frutos deste mercado estratégico, como no caso do etanol.

Para quem tiver interesse em conhecer com mais detalhes o trabalho que desenvolvi e discutir sobre o assunto, defenderei a minha tese no dia 18/12 as 14:00 horas no no primeiro andar do edifício Adriano Marchini do IPT, na Cidade Universitária.
7

12.12.2007 - 09:27

Telmo Heinen disse:

  Petróleo de 95 dólares em diante ainda vai demorar. A média atual está entre 40 e 45 dólares por barril. Espera-se que o próximo PATAMAR fique estacionado entre 55 e 60 dólares por barril (159) litros por alguns anos.
Não confundir com o Preço da Bolsa que serve para meia dúzia de negócios à vista... o resto do petróleo no mundo é comercializado com contratos de longo prazo.

Entretanto, não é por questão econômica que se quer fazer biodiesel. Quem pensou assim e tem muitos, enganaram-se e seus empreendimentos estão sujeitos a um rotundo fracasso.

Era óbvio e ululante mas tem gente que não enxerga ou quando enxerga, não vê! Agora devem ARCAR com as conseqüências...

Então meu caro Mestrando, porque não deixou o seu e-mial?
Já que está em São Paulo, porque não pesquisou os resultados já alcançados pela CATI ?

Att, telmo heinen @yahoo.com.br - Formosa (GO) Fone (61)9989-6005
8

12.12.2007 - 10:08

Fábio Carramenha disse:

  Caro Telmo,

Concordo com os seus comentários, os preços de petróleo atingirão US$95 por barril soimente em 2030.

Nas condições atuais de mercado é inviável economicamente a comercialização de biodiesel como combustível alternativo ao diesel mineral.

O alto custo dos óleos vegetais e a incerteza da cotação dos mesmos no mercado da indústria alimentícia apresentam-se como os principais obstáculos para o sucesso nos investimentos na produção de biodiesel.

A “verticalização”, isto é, a integração das unidades agrícola, extratora de óleo e produtora de biodiesel e o foco no negócio do biocombustível pode ajudar a minimizar este problema.

A comercialização de misturas B2 e B5 viabilizam a aplicação do biocombustível no mercado, entretanto a concessão de subsídios governamentais é condição necessária.

A comercialização de misturas com altas concentrações bem como o biodiesel puro só será viável no longo prazo com a redução da oferta e o aumento do preço do barril do petróleo no mercado internacional, a consolidação da infra-estrutura de produção e popularização do produto no mercado consumidor.

O Brasil deve garantir o desenvolvimento do parque produtor de biodiesel através da adequação dos programas de incentivo e subsídios existentes para o setor à conjuntura do mercado no curto prazo. Estas medidas garantirão os investimentos da iniciativa privada necessários para a consolidação futura deste mercado estratégico emergente.

No cado do etanol, as usinas tinham alternativa de produzir açúcar e viabilizar os investimentos. E no caso do biodiesel? Só o tempo e a estrturação do mercado poderão dizer.....

Fábio Carramenha
Sâo Paulo
fcarramenha@hotmail.com
11 9224-8093
9

22.12.2007 - 11:21

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