Biodiesel pode ser usado sem medo

Desde o primeiro dia do ano, o óleo diesel vendido no Brasil deve contar, obrigatoriamente, com o mínimo de 2% até 5% de biodiesel em sua mistura. E se você tem um veículo movido a esse combustível, fique tranqüilo, pois só há vantagens na novidade.

Antes de mais nada, qualquer motor pode rodar com o "coquetel" de óleos nessa proporção. "Não é preciso mudar nada na mecânica", diz o gerente de Participações da Petrobrás Distribuidora, José Alcides Santoro Martins.

Até quantidades maiores de biodiesel são aceitas pelos motores sem problemas. "Desde outubro de 2007, dois mil ônibus estão rodando em São Paulo com 30% de biodiesel e 2% de álcool, sem alterações, com desempenho igual ao dos veículos com diesel tradicional", declara Martins.

AR MAIS LIMPO - De acordo com o diretor do Núcleo de Combustíveis e Lubrificantes do Ipei (Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais), da FEI, Eduardo Polati, o maior benefício do biodiesel é reduzir o nível de poluentes, uma vez que seu consumo é menor. "São reduções em patamares bem pequenos", esclarece o especialista. Mas que podem gerar bons resultados em grande escala.

"O biodiesel também tende a reduzir o teor de enxofre", comenta Polati. Esse componente é responsável direto pelas emissões de matéria particulada, a fumaça preta que sai dos veículos a diesel.

Outra vantagem é que o combustível tem propriedades lubrificantes, dispensando o uso de aditivo nas refinarias. "O biodiesel ajuda a proteger a bomba e os bicos injetores", afirma Polati.

Quanto à sua origem, o biodiesel pode ser animal, feito a partir do dejeto de carnes de corte, ou vegetal, com base em óleos de soja, milho, algodão, dendê e mamona, entre outros.

Mas quem acha que basta jogar óleo de cozinha no tanque e rodar está muito enganado. "Além de não queimar direito, ele deixa muitos resíduos no motor, como a glicerina, causando danos irreversíveis, e ainda polui mais que o diesel", explica Martins

REALIDADE - O biodiesel em proporções maiores já é realidade em alguns países. "A Alemanha tem o B30 em grande escala, assim como o B10 é utilizado na Itália e em partes dos Estados Unidos", diz Martins."Mas o uso é facultativo."

"Acima de 30% de biodiesel, são necessárias alterações profundas no motor, como o aumento da taxa de compressão", afirma o executivo da Petrobras. O B100, por exemplo, vem sendo testado desde a década passada em tratores na Áustria.

Entre as montadoras instaladas no Brasil, o grupo PSA, que reúne Citroën e Peugeot, é dos mais envolvidos com o biodiesel. Hoje, o trabalho está sendo feito com o B30, sem mudanças no motor.

"Estamos na fase de rodagem com os carros, com testes feitos a cada 20.000 km. Os resultados são positivos, mas preferimos esperar os dados finais para fazermos a divulgação oficial", declara o diretor de Relações Externas da PSA, Rodrigo Junqueira.

Essa fase deve terminar entre o fim deste ano e o início de 2009.

Nícolas Borges