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Biodiesel: onde estão a mamona e o pinhão?

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sexta, 04 julho 2008 . Humberto Viana Guimarães - Gazeta Mercantil   
Revista BiodieselBR
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O presidente Lula em seu discurso na FAO (03/06) declarou que "vejo, com indignação, que muitos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão". Se o Senhor Presidente tivesse sido mais bem informado a respeito do que está acontecendo na fabricação do biodiesel brasileiro, talvez não teria sido tão enfático nas críticas.

A regulamentação do biodiesel está detalhada em 46 resoluções, decretos, portarias e leis, entre elas a de nº 11.097, de 13/01/05. O Art. 2, § 4º, da citada lei é bem claro no que se refere às fontes para a fabricação do energético: "O biodiesel necessário ao atendimento dos percentuais mencionados no caput deste artigo terá que ser processado, preferencialmente, a partir de matérias-primas produzidas por agricultor familiar, inclusive as resultantes de atividade extrativista".

Como já é praxe, o energético foi lançado com toda pompa e circunstância. Falou-se de todo tipo de matéria prima: girassol, palma, mamona, pinhão-manso e sebo bovino e a eterna promessa da redenção do pequeno agricultor rural. No entanto, baixada a poeira dos discursos ufanistas, nos damos conta de uma realidade que beira as raias da insensatez.

O programa Globo Rural (27/04/08) informou que "oitenta por cento do biodiesel (fabricado no Brasil) é obtido a partir do óleo bruto de soja". Em 03/05, o Portal Terra publicou as declarações do Sr. Arnoldo de Campos, do Programa Nacional de Biodiesel: "O governo não sabe do que é feito o biodiesel no País (...) e a ANP não exige da empresa que vence os leilões e fornece os produtos para a distribuidora a informação detalhada da produção".

É simplesmente absurdo que a soja, tão preciosa para a alimentação, esteja tendo esta destinação, e pior, com o aval do governo. Por quê não se utilizam preferencialmente as matérias-primas produzidas pela agricultura familiar - objetivo maior do biodiesel -, conforme determinam as leis e resoluções? Onde está o pinhão-manso colocado como o "salvador da pátria?" Onde está a mamona que nasce em qualquer quintal do país e que pode ser uma excelente fonte de renda para o pequeno produtor? Pelo visto, para o governo petista "agricultor familiar" deve ser aquele que pertence àquelas famílias que plantam em áreas de 100, 200 mil hectares!

O governo já decidiu que a partir de julho a mistura com o diesel passará de 2% para 3%, o que acarretará uma necessidade de 1,26 bilhão de litros (um acréscimo de 420 milhões de litros). Resta lembrar às autoridades que no primeiro quadrimestre de 2008 foram produzidos 275 milhões de litros de biodiesel (média mensal de 70 milhões de litros) e que capacidade instalada (2,5 bilhões de litros) não é garantia de produção.

Assim como criticamos os americanos e europeus por utilizarem milho e trigo na fabricação de seus energéticos, é simplesmente inaceitável que o Brasil, com tantas opções, utilize a soja com o mesmo objetivo nessa absurda proporção.

O Brasil como o maior produtor mundial do vitorioso etanol de cana-de-açúcar, fruto do esforço da nossa iniciativa privada e pesquisadores, não pode permitir que tal situação continue com o biodiesel, pois assim procedendo, estará dando munição para o lobby petrolífero, contumaz crítico dos biocombustíveis.

Humberto Viana Guimarães é engenheiro civil e consultor de geração de energia

Revista BiodieselBR
Comentarios (9)add comment

Ananias Baracuhy Neto disse:

  Nessa matéria,Dr.Humberto,é válido demais essa sua crítica sobre o alto percentual de soja na fabricação de biodiesel e esse assunto já tivemos oportunidade neste Site de fazer a mesma crítica,Como é que o BNDEs financia usinas para esmagamento que já têm capacidade para processar 2.500 000 ton.de sementes quando somente estamos produzindo 10% de oleoginosas para tanto???
Não temos dúvidas que se trabalhou no presuposto que o que faltar se bota soja e aí estará tudo bem...força de lobby!!!temos conhecimento que o programa do biodiesel somente andará nos seus primeiros cinco anos com a participação da soja como matéria-prima mas não estamos vendo empenho para se produzir muito pinhão manso,muito girassol,canola,amendoim e etc...e enquanto isso,a soja está subindo e muito e mais agora com o Rio Mississipi inundando as áreas plantadas lá nos EUA aonde se estima uma perda de 13% da safra de soja para este ano...(2008) que fatalmente irá botar os preços lá nas alturas...
Se não começarmos a plantar plantas oleoginosas com determinação,com competência,não avançaremos no programa de biodiesel...as palmáceas como a macaúba e o dendê,pouco se ouve falar no seu desenvolvimento,temos que pesquisar e acelerar ao máximo o uso do babaçú,palmeira nativa que tem mais de 14 000 000 hc nos estados do MA,PI,TO.
Com óleo de soja caro e cada vez mais caro,não estou vendo bom futuro para nosso programa de biodiesel...
1

4.07.2008 - 10:02

Nelson aparecido disse:

  Esse é o texto do Humberto é típico de quem não entende muito do setor de biodiesel, mas acha que entende.

Tudo isso seria válido se o mercado de biodiesel não estivesse seno pensado no longo prazo. Agora está se utilizando muita soja realmente, mas todas, TODAS as usinas sabem que soja não é ideal ou viável para produzir biodiesel no longo prazo. Por isso estão investindo em culturas alternativas. Estão investindo em tidoas aquelas citadas em cima e mais algumas que o senhor Humebrto não deve nem conhecer.

Lembro apenas que a vitória do etanol brasileiro veio depois de 25 anos de vida. O biodiesel não vai precisar de tanto, mas querer essa vitória em menos de 1 ano de biodiesel obrigatório é querer demais.
2

4.07.2008 - 10:16

Mario disse:

  Como diz um ilustre colega, o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, as pessoas em geral não têm noção do tamanho do problema. Vejamos alguns números da Abiove: na última safra (de fevereiro de 2007 a janeiro de 2008), o Brasil produziu mais de 55 milhões de toneladas de soja. Processou cerca de 30 milhões de toneladas e exportou, na forma de grãos, 25 milhões de toneladas de soja. Consumiu internamente cerca de 10 milhões de toneladas de farelo de soja e pouco mais de 3 milhões de toneladas de óleo de soja. Exportou mais de 12 milhões de toneladas de farelo de soja e pouco mais de 2 milhões de toneladas de óleo de soja.

O teor de óleo no grão de soja é de apenas 18%. Portanto, o principal produto da soja não é o óleo de soja, mas sim o farelo – insumo fundamental para a produção de aves, ovos e suínos, fontes de proteína de baixo custo e alto valor.

Devemos, pois, deixar de exportar matérias primas, aumentar a nossa capacidade de processamento de soja e aumentar ainda mais a nossa capacidade de produção de aves, ovos e suínos, tanto para o mercado interno quanto para a exportação, agregando valor à nossa produção e gerando emprego e renda, tanto no campo quanto na indústria.

Nesse ciclo virtuoso e em função da necessidade de uma alimentação mais saudável e balanceada, cada vez mais vai sobrar óleo: menos frituras, menos gordura vegetal hidrogenada e mais proteína! Sendo assim, creio que devemos ampliar o uso do óleo de soja na produção de biodiesel. Teríamos menos problemas de arteriosclerose e obesidade, além de um meio ambiente mais saudável.

Com as nossas 55 milhões de toneladas de soja, poderíamos produzir anualmente cerca de 10 bilhões de litros de biodiesel e atender 25% do nosso consumo atual de óleo diesel. E para os gourmets, poderíamos produzir tranquilamente óleos vegetais mais finos e mais nobres que o óleo de soja, tais como o de girassol, o de canola, o de dendê, o de algodão, o de milho, etc..
3

4.07.2008 - 15:49

Beatriz disse:

  Na relidade vi e viví o pró-alcool na juventude. Todo mundo tinha um carro a álcool e a coisa andou muito bem até que o petróleo e suas 'crises', juntamente com uma certa pressão na produção do açúcar de cana bem como a influência externa com olhos gordos no novo combustível (para a época) afetaram o programa. Tando foi feito que as coisas voltaram a patamares de consumo de petróleo que ao mercado internacional esperava do Brasil. Por muitos anos isso ficou nessa. Hoje sabendo-se o Brasil um país autosuficiente na produção/consumo de petróleo as coisas mudaram... Como então poderia o mercado internacional sacudir as coisas aqui? Afinal, esse tal biocombustível gera olhos gordos desde os anos 80, e nós temos tudo nas mãos, terras ferteis e pessoas dispostas a plantar, tecnologia e experiência com os fracassos do passado, e agora um governo disposto em um país muito mais sólido econômicamente e vivento um momento internacional bastante favorável. É sabido que na Europa o açúcar é retirado da beterraba em maioria, porque cana é sonho lá, ora essa se quizerem carros funcionanando a álcool, ou tiram do milho ou compram do Brasil, que dirá então dos veículos diesel, isso me faz pensar em porque nos últimos 10 anos as indústrias lá estão gastando tanto para achar soluções para veículos que funcionem com combustives auternativos? Epa! Para onde está o petróleo não renovavel, será que a visão deles não é lá na frente? E não são só eles não. Japão e China estão nessa também. E finalmente nos EUA a coisa anda fervendo desde as gerras 1 e 2 do Iraque, sem falar no Afeganistão e nas pressões políticas sobre a Venesuela. Nos EUA a politica é: gastamos muito e temos que tirar de algum lugar, porque nossas reservas estão indo pro 'beleléu'! Fora a pressão sobre os preços dos combustíveis, OPEP e outros... Blá! Todo o mundo tá doido ou tá certo? A vida me encinou se todos dizem que algo está errado é verdade e a errada sou eu em duvidar. O quê nos falta? Essa é a pergunta a se fazer. Na minha humilde opinião algumas coisinhas: infraestrutura, educação, respostas duras como as que foram dadas pelo nosso presidente, mas o mais importante, sabedoria e discernimento para o que está por vir. Um viva a Salomão, vamos rezar como ele! E um viva ao Brasil, vamos fazer nossa parte aqui!
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7.07.2008 - 11:43

Helbert Zanatta disse:

  O grande problema do Biodiesel, no meu entender, foi a pressa com que se tornou lei sua mistura no petróleo. O país ainda não está preparado, o correto seria esperar, deixar que outras oleaginosas se tornassem mais viáveis, pois estamos vendo que na base da pressão não funcionou. A lei apenas apressou os produtores a utilizar o mais fácil, o que está ao alcance: a soja.
Outra coisa, não se pode mudar bruscamente o hábito alimentar da população por conta da nescecidade energética. Claro que até seria interessante se pudéssemos utilizar óleos mais nobres na nossa alimentação, mas isso ainda é inviável... não adianta!!!
A tecnologia do biodiesel já existe há decadas. Pelo que consta, já na decada de 70 existiam veículos rodando milhares de kilômetros na Europa abastecidos com o mesmo. Portanto, apenas acredito que a forma como vem sendo conduzida a política é que está equivocada. Acontece que as empresas não vão dar conta de cumprir com os compromissos de produção.. e aí? O Governo vai maquiar esses números?! Porque não se ouve dizer nada, parece que está tudo nos conformes, as metas estão sendo atingidas... será???
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7.07.2008 - 12:22

Ciro de Lima disse:

  Correto o texto do sr. Humberto Viana e equivo quem escreveu "Esse é o texto do Humberto é típico de quem não entende muito do setor de biodiesel, mas acha que entende. Tudo isso seria válido se o mercado de biodiesel não estivesse seno pensado no longo prazo". Utilizar soja não é pensar a longo prazo e sim em LUCRO A CURTO PRAZO.
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7.07.2008 - 14:16

Mike Lu 44 disse:

  A ABPPM - Associacao Brasileira dos Produtores de Pinhao Manso tem buscado vencer as barreiras que impedem o desenvolvimento desta cultura para a producao do biodiesel no Brasil. Vencida a primeira etapa do registro provisorio da Jatropha curcas como especie no RNC, estamos buscando a insercao do Pinhao Manso nos programas de financiamento, especialmente no PRONAF, objetivando a expansao do plantio pela Agricultura Familiar. Lamentavel que nao tenhamos tido ainda resposta aos nossos pleitos junto ao MDA, colocando portanto o Pinhao em compasso de espera, enquanto se financia amplamente a mamona.
Precisamos urgentemente que as autoridades responsaveis revejam e ajustem os programas, focando os recursos para as culturas mais promissoras, dentre elas o Pinhao Manso. Nos projetos onde existe a vontade politica e a coordenacao, o plantio do Pinhao Manso vai bem, como por exemplo no Sao Luis Bio em Maranhao.
Mike Lu
Presidente
ABPPM - Associacao Brasileira dos Produtores de Pinhao Manso
7

8.07.2008 - 05:25

euclides de oliveira pinto neto disse:

  Biodiesel é óleo vegetal transesterificado. A produção brasileira de combustíveis é monopólio de poucos brasileiros e grupos estrangeiros, sendo excessivamente centralizada a produção, comércio e distribuição. A utilização de oleaginosas, como o pinhão manso, para produção de óleo vegetal combustível, produziria uma torta resultante com excelentes características para utilização na agrisilvicultura. A utilização de motores movidos a óleo vegetal puro (não biodiesel, desnecessário..) daria autonomia energética regional, eliminando as extensas linhas de transmissão pertencentes à estatal da energia elétrica, terminando com as benesses dos descontos concedidos aos industriais eletrointensivos. Assim, com a energia produzida localmente, e com a atividade agrícola reativada (através de adubos organicos que poderiam ser produzidos com torta de pinhão manso e outras oleaginosas e com a utilização ainda do lixo organico), substituiriamos todos os adubos derivados do petroleo. As soluções existem, existe tecnologia conhecida para fazer. Falta determinação, vontade política e capacidade administrativa. Aí a coisa começa a complicar...
Os grandes lobbies, ligados ao agronegócio e ao petróleo, sempre determinaram a direção dos investimentos. Não existe, neste país, nenhum lider capaz de afrontá-los. Se tentar, será destituído...
8

8.07.2008 - 06:31

Telmo Heinen disse:

  O povo em geral precisa defender o uso de plantas perenes para a produção de óleos vegetais, comestiveis ou combustiveis.
O Sr.Guilherme Cassel, acecla e discipulodo Sr. Miguel Rossetto - adeptos do arcaico e ultrapassado comunismo, defendem idéias socialistas bestas.

O mundo é movido a bolso... até em Cuba.
A União Soviética, cadê ? Lá chegou a ter um soldado para cada operario e ainda não deu certo...
Obrigado só "Pau de arrasto"

Estes "gloriosos" dirigentes (Não obstante tenham outras virtudes), são uns "tapados" em termos econômicos.
É óbvio e ululante que a forma de produzir óleos vegetais com custo viavel é através de culturas perenes, e como é que esta gente idiota lá do Governo não enxerga isto ?

Que bela oportunidade de fazer inclusão social estão perdendo.

A última deles foi inventar um Programa de financiamento de 60.000 Tratores de potência inferior a 75 CV... pensando que vão ser pagos com a produção de Soja, Milho, Arroz e Feijão.

Gente do céu, em Economia tem a escala...das coisas.

A fórmula da RENDA ainda não mudou desde que inventaram o dinheiro. R = C T - I ou seja, Renda (R) é igual (=) a Capital (C) mais ( ) Trabalho (T) menos (-) Impostos.

Perceba, quanto MENOR o Capital, MAIOR terá que ser o Trabalho (T) para ter a mesma Renda (R)

Exemplo 100 = 90 10 >> Quanto maior o Capital, menos Trabalho precisa;
Exemplo 100 = 10 90 Ajude a melhorar nosso país. Defenda idéias boas em todo lugar!

Att, telmo heinen @yahoo.com.br sem espaço e sem pontos
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8.07.2008 - 07:38

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