Produção de biodiesel deverá focar palmáceas
|
|
|
|
domingo, 02 março 2008
. Diário do Nordeste
|
O futuro da produção do biodiesel no Ceará pode não estar mais na mamona, e sim em uma outra planta bastante comum por aqui: a palmácea. A informação, surpreendente, foi dada ontem pelo presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), Antônio Balhmann, durante conversa com os deputados na Assembléia Legislativa.
´Há uma tendência, ou começa a haver uma preocupação, de que a biomassa, que vai municiar as produções do biodiesel, deverá estar nas palmáceas´, declara.
Segundo Balhmann, as palmáceas, como a macaúba, o babaçu, o buriti e o dendê, têm potencialidade por possuírem escala, por serem uma das culturas permanentes no Estado. Além desta, Balhmann ainda cita o coco como outra cultura que poderá ser utilizada como produtora de biomassa. ´Haverá a tendência da diversificação do uso do coco para o biodiesel, além da sua utilização alimentícia´, afirma.
O Brasil já possui domínio tecnológico para a produção de biodiesel por meio das palmáceas, e a vantagem delas é a possibilidade de ampliarem a produtividade do combustível a níveis que serão necessários para suprir a demanda crescente no Brasil, com a obrigatoriedade do biodiesel no óleo diesel, através da Lei do Biodiesel, que gera um mercado potencial de 1 bilhão de litros por ano, até 2012. A partir desse ano, com um percentual obrigatório de 5%, o mercado abre-se para uma demanda potencial de 2,4 bilhões de litros/ano.
O chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães, já vinha atentando para a potencialidade das palmáceas há algum tempo. “Essas [as palmáceas] são importantes porque, do ponto de vista da concentração nativa desses materiais, têm uma população enorme. Podemos aproveitar essa diversidade tanto para uma utilização controlada, com marco regulatório definido e manejo sustentado, como para uma oferta de curto prazo dessas palmáceas na matéria-prima do biodiesel, enquanto criamos domínio tecnológico dessas palmáceas para colocá-las em outros ecossistemas com produtividade ainda alta”, informou em reportagem da Agência Brasil, no ano passado.
Problema da mamonaO anúncio da nova possibilidade de extração do combustível verde pelo presidente da Adece veio com o reconhecimento dos obstáculos que o governo estadual vem encontrando em emplacar a produção da mamona no interior do Estado do Ceará.
´Isso vai se confirmando [a possibilidade da palmácea], em função da dificuldade que temos com a mamona, que tem as dificuldades de produtividade, de distribuição espacial, de volume de produção´, admite Antônio Balhmann.
Em reportagem especial, no último dia 17, o Diário do Nordeste discutiu a cultura da mamona no Interior do Estado e observou que ainda existe uma resistência no campo para a produção da oleaginosa, apesar dos incentivos governamentais. Os agricultores permanecem desinteressados pelo cultivo da semente que acreditam possuir baixa rentabilidade e de difícil interação com as atividades econômicas tradicionais.
|