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Glicerina de biodiesel inunda mercado no país e derruba preços

A formação do mercado brasileiro de biodiesel trouxe um desafio para indústrias de componentes químicos que têm como parte de seu portfólio a produção de glicerina.  Somente neste ano, a produção pelas usinas deve chegar a 100 mil toneladas - quase dez vezes acima do que as indústrias químicas ofertam no país atualmente.

"A produção já é maior que a demanda.  Dependendo do preço e da qualidade, o mais provável é que indústrias deixem de fabricar glicerina", diz Arrigo Miotto, gerente de vendas do Grupo Braido, um dos maiores produtores no país, apto a fazer 1,2 mil toneladas por ano.

A Fontana S.A, que tem capacidade para 6 mil toneladas/ano e detém as linhas de higiene pessoal Turma da Mônica, Iara e Font, deixou de produzir glicerina desde que as cotações começaram a despencar no país.  "Os preços caíram 48% desde 2005.  Não compensa mais extrair a glicerina.  Preferimos comprar de outros produtores e fazer o refino", afirma o diretor Ricardo Fontana.

{sidebar id=1} Segundo fontes ligadas às indústrias químicas, o preço médio da glicerina, que em 2005 chegou a R$ 3 o quilo, hoje sai entre R$ 1,60 e R$ 1,70.  Nas regiões onde usinas de biodiesel operam, observa Miguel Biegai, analista da consultoria Safras&Mercado, o valor médio cai para R$ 0,60 a R$ 0,70 o quilo.  "Muitas usinas preferem se livrar dos estoques de glicerina a qualquer preço, porque não está em seu foco de negócios."

De acordo com levantamento da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a capacidade de produção da indústrias químicas é de 35,8 mil toneladas ao ano, mas a produção situa-se em torno de 12,9 mil, para um consumo anual de 13,5 mil toneladas.  Desse volume, 48,9% são destinados à produção de cosméticos.  Outros 14,5% são utilizados pela indústria farmacêutica, 11,9%, pelo setor de tintas e vernizes e o restante é vendido a outros segmentos.

A produção de biodiesel é feita a partir da mistura de nove partes de óleo vegetal ou gordura animal para uma de etanol.  O processo produtivo gera em média, para cada metro cúbico (mil litros) de biodiesel, 100 toneladas de glicerina.

Conforme dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de biodiesel neste ano já deve alcançar 1 bilhão de litros, o que significa que haverá 100 mil toneladas de glicerina.  Tal volume, se não for direcionado a mercados específicos, poderá causar efeitos ainda mais drásticos nos preços e levar indústrias químicas a abandonar a produção da glicerina.

A Brasil Ecodiesel, que tem capacidade para produzir 800 milhões de litros de biodiesel por ano mas espera produzir 300 milhões em 2007, tem vendido a glicerina que produz (em torno de 30 mil toneladas) no mercado interno.  Francisco Ourique, diretor comercial, diz que a empresa estuda fazer investimentos em uma bidestilaria para obter diferentes graus de refino da glicerina, com vistas à exportação.  "Existem compradores para toda a produção.  Se conseguirmos produzir seguindo as especificações dos importadores a um custo razoável, a idéia é exportar toda a produção", afirma Ourique.

A Granol, por sua vez, está utilizando a glicerina para geração de energia.  A empresa possui duas usinas com capacidade total para 140 milhões de litros de biodiesel por ano, e no primeiro trimestre deste ano produziu 28 milhões de litros e 2,8 mil toneladas de glicerina.  "A rentabilidade não estava compensando e por isso optamos por queimar a glicerina para gerar energia térmica", afirma Diego Ferrés, sócio-diretor da Granol.

A Petrobras, que conclui neste ano a construção de três usinas com capacidade para produzir 171 milhões de litros de biodiesel por ano e 17 mil toneladas de glicerina, desenvolve pesquisas para definir possíveis usos alternativos para o subproduto.  "Uma das possibilidades em avaliação consiste em transformar essa glicerina em combustível.  Outra será queimá-la, para gerar energia térmica", afirma Mozart Schmitt de Queiroz, gerente de desenvolvimento energético da Petrobras.

A glicerina é triálcool e pode ser transformada em etanol via processos químicos.  O custo dessa transformação está em análise.  A glicerina pode ser usada para fazer plástico biodegradável e em substituição ao sorbitol, açúcar usado como edulcorante e umectante em alimentos.

Cibelle Bouças
Tags: Produção:

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Comentários  

-1 Missao Tanizaki
04 Maio 2007 - 04:11 am

Estamos produzindo Biodiesel para ser adicionado ao Diesel, visando substituir apenas 2% do derivado de petróleo, com isso já se percebe que a produção de GLICERINA é maior que a demanda no mercado brasileiro.

Quando a meta passar para 5% que ainda é irrissório, aí já teremos problemos mais sérios, pois teremos que impurrar para o mercado internacional, mas sem grandes chances de ser absorvido, uma vez que lá fora já existem as indústrias tradicionais produzindo a glicerina e também outras que passaram a produzir o biodiesel.

Quando a meta passar para 10%, é certo que a GLICERINA, ndo .
1
+1 Aline
04 Maio 2007 - 05:14 am

Transforma-la em glicerina farmaceutica...Ésta é a unica solução...
2
+5 NUSTENIL
04 Maio 2007 - 05:24 am

DEVEMOS REAPROVEITAR A GLICERINA TRANSFORMANDO-A EM ETANOL. POIS ISSO É POSSIVEL.
3
0 Alexandre dos Santos Machado
04 Maio 2007 - 05:26 am

O SENAI - CETIND / BA possui linha de pesquisa aplicada na qual visa dar utilização a glicerina co-produzida com o biodiesel. Estes usos estão ligados ao setor químico e petroquímico e com mercados compatíveis com oferta vindoura.
Para Maiores informações:
71 - 3379-8202/8348/8349
4
+1 Alexandre dos Santos Machado
04 Maio 2007 - 06:49 am

Usineiros de Biodiesel param a produção: Glicerina, oportunidade ou problema?
Visão Integrada do Negócio Biodiesel, a glicerina

Para cada litro de biodiesel da transesterificação são gerados 100 mililitros de glicerina o que significa 80.000 toneladas/ano de glicerina a partir de 2008 (Programa Nacional B2).
O mercado atual da glicerina é composto pelo fornecimento com base sintética produzida a partir da nafta e com base animal produzida a partir do sebo. A glicerina sintética possui preços elevados e ocupa pequena parte do mercado, normalmente é produzida de forma cativa. A glicerina animal é produzida a partir do sebo e possui custos elevados de produção quando comparados com a glicerina de origem vegetal.
Em termos de quantidade, o mercado oficial de consumo da glicerina é composto por 19.000 toneladas/ano informado pela ABIQUIM (2004). Segundo informações coletadas em indústria química que atua na produção de princípios ativos na indústria de limpeza, o consumo de glicerina está em torno de 30.000 a 35.000 toneladas/ano. Outra informação encontrada e que compõe o valor final da quantidade consumida de glicerina foi fornecido por empresa de tecnologia em óleos vegetais indicando que o consumo nacional de glicerina é de 40.000 toneladas/ano.
Segundo informações de Consultoria paulista na área da Oleoquímica, a entrada de glicerina no mercado vai promover o deslocamento deste produto de origem animal. Certamente isto só irá acontecer se alcançar o nível de qualidade exigido atualmente.
A purificação da glicerina deve ser realizada considerando as restrições ambientais e econômicas. Ambientais evitando a geração de efluentes líquidos em excesso ou emissões atmosféricas tóxicas. Econômicas no que diz respeito aos elementos precipitadores dos inorgânicos, ao uso de solventes, ao uso de vapor ou energia e dependendo do tipo de equipamento para realizar a purificação.
O principal uso atual para a glicerina é na indústria de cosméticos como agente umedecedor e amaciante. Também é bastante utilizada em: pasta de dente, sabão, maquiagens e desodorantes. Já na indústria alimentícia e de bebidas, a glicerina é utilizada como umectante, solvente, adoçante e conservante.
Na indústria farmacêutica, a glicerina é utilizada na formulação de xaropes, anestésicos, comprimidos e como agente plastificante (cápsulas de drágeas e supositórios). A glicerina é bastante utilizada em lubrificação de equipamentos industriais, na fabricação de superfícies de revestimentos (resinas alquídicas) e polímeros biodegradáveis (HPAS) e utilizado na fabricação de explosivos.
A utilização da glicerina considerando o mercado atual baseado em tecnologia madura pode ser incrementada utilizando estudos de arranjos produtivos locais próximos às plantas de biodiesel.
A transformação da glicerina vegetal co-produzida na indústria do biodiesel é negócio estratégico em nível internacional. Na Alemanha e na França o negócio glicerina vegetal é considerado estratégico não havendo interesse de intercâmbio científico. No Brasil, existem grupos de pesquisa buscando soluções para a glicerina do biodiesel, em particular, o COBIO possui como objetivo abrir novas opções ou rotas de utilização da glicerina em larga escala.
Na Indústria Petroquímica a glicerina pode ser transformada por catálise homogênea ou heterogênea, depende do tipo de modificação incorporada à molécula. A produção de intermediários a partir da glicerina é etapa fundamental para chegar aos produtos finais utilizados nesta cadeia. Estes intermediários estão enquadrados como produtos da química fina e são: álcool alíllico, acroleína e gliceraldeído.
Dentre os produtos que estão sendo desenvolvidos pelas instituições de pesquisa inclusive alguns participantes do COBIO estão o ácido fórmico, ácido acrílico, poliglicóis, polióis, membranas, aditivos oxigenados, biogasolinas, poliglicerina e outros produtos derivados.
Não existem publicações científicas e nem tecnologias disponíveis em patentes, suficientes para validar em curto espaço de tempo, a transformação da glicerina em derivados que podem ser introduzidos na cadeia petroquímica. Neste caso, para tornar possível a produção de pesquisa aplicada sem vasto embasamento científico, é necessário unir informações da empresa interessada na rota (aspectos comerciais e estratégicos), informações resultantes da execução da pesquisa e informações da gestão da pesquisa. Desta forma, é possível realizar alterações em rotas tecnológicas sem que haja grandes perdas financeiras diminuindo os riscos incorporados.

Para maiores informações
71-3379-8202/8348/8349
5
+1 Luiz Alberto Martinelli
04 Maio 2007 - 08:39 am

Em minha cidade Água Boa-Mt. temos um produtor de oleo vegetal que trouxe a maquina esmagadora da europa, e um equipamento que regula automaticamente a queima do oleo natural puro quando o motor atinge 80ºC assim o motor frio funciona com diesel puro, apos 80ºC passa a queimar so oleo vegetal puro, portanto queimando a glicerina junto, ele possui uma D 20 que já rodou mais e 30 mil km. sem problema, e temos na região fazendas testando tratores etc. tudo funcionando bem.portanto a melhor saida é a queima em natura do oleo vegetal.
6
0 Gervásio Paulo da Silva
09 Maio 2007 - 07:29 am

Uma das possibilidades de aproveitamento da glicerina é sua bioconversão em produtos de maior valor agregado, através de sua fermentação utilizando diversos microrganismos. Temos um projeto apoiado pelo Banco do Nordeste do Brasil, onde procuramos desenvolver vias de fermentação do glicerol. Fábricas que produzem glicerina por via química estão fechando as portas e provavelmente o mesmo ocorrerá no Brasil, devido a queda de preços. Na Europa, já existem problemas com a glicerina produzida pelas indústrias de biodiesel, sendo obrigadas a pagar para que seja dado uma disposição adequado a mesma.
7
0 Raphael
11 Maio 2007 - 14:15 pm

A glicerina pode ser utilizada na alimentacao animal tambem, alem de poder ser reconvertida em alccol e para utilizacao famacuetica!
8
0 Carlos Augusto Garcia Júnior
28 Maio 2007 - 08:18 am

Será mesmo que o problema é com a glicerina, ou o glicerol? Escrevemos sobre o que pensamos... ou pensamos sobre o que escrevemos? Qual é o foco? Biodiesel, glicerina, desenvolvimento social-economico, óleo vegetal, sebo bovino, bioenergias, aquecimento global, petróleo. Vejam como nos tendenciam... Tenho uma saida bem simples, adicionem 2% de óleo vegetal ao diesel, façam biodiesel de sebo e outras coisas, como das algas, misturem o glicerol a algum óleo para queimar em caldeira, e ainda podemos misturar alcool etilico nessa salada toda. Na verdade todo mundo sabe disso! Então qual é o foco?
9
-2 Farouk Habib Silva
18 Junho 2007 - 07:10 am

Favor consertar o texto abaixo sobre rendimento de glicerina:

"A produção de biodiesel é feita a partir da mistura de nove partes de óleo vegetal ou gordura animal para uma de etanol. O processo produtivo gera em média, para cada metro cúbico (mil litros) de biodiesel, 100 toneladas de glicerina.
10
0 Missao Tanizaki
02 Julho 2007 - 05:49 am

Uma Bandeira para o Desenvolvimento do Brasil:

Faça até 40 Km / Litro, ou mais, usando Óleo Vegetal Combustível ! ! ! !
! ! ! !

Muito Bom para o seu Bolso ! ! ! ! ! ! ! ! ! !

Muito Melhor para a Humanidade e o Planeta TERRA ! ! ! ! ! ! ! ! ! !

Bio-Combustível X Eficiência Energética X Cooperativas de Pequenos Produtores (Ética)

Divulgue e Engaje na LUTA por Um Brasil/Mundo Melhor ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !

Essa é a SAÍDA ÉTICA para toda Sociedade Brasileira e o Mundo.

Missao Tanizaki
Fiscal Federal Agropecuário
Bacharel em Química
11
+1 mario lucas
02 Julho 2007 - 05:54 am

Aos nossos cientistas, ao invés de afirmarem(certo ou errado), estudos incompletos sobre o pinhão manso deviam ver e estudar o caso da glicerina, porque ela existe desde que se falou em biodiesel pelo Dr. Parente, isto sim, é que os senhores deviam nos ajudar, já que a glicerina existe há tanto tempo, ou vão deixar a China, India ou outro país emergente estudar e dá solução ao problema e nos cobrar royalts, pela descoberta, com já em algumas ocasiões aconteceu.
12
0 Edson Dourado
05 Julho 2007 - 11:17 am

A produção de Biodiesel pode parar por causa do acumulo de glicerina?
qual a melhor solução para esse problema?

13
+2 silson faustino
11 Julho 2007 - 14:27 pm

desenvolvi um catalisador e estou queimando em caldeira
14
0 Ananias Baracuhy Néto
11 Julho 2007 - 19:12 pm

A glicerina está mostrando que é um ônus na produção do biodiesel mas acredito que,com amplos conhecimentos e meios industriais que possuimos,esse problema deverá ter solução em curto prazo isto é,em tempo de chegar a grande produção do biodiesel que está prevista já para 2008 um volume bastante significativo.
Vejo o problema da glicerina como um desafio a mais nesse ambicioso projeto que se chama produzir combustível a partir de óleos vegetais.
15
0 Rodrigo Boos
27 Julho 2007 - 12:42 pm

Como o Farouk citou, erro no 6º parágrafo: "O processo produtivo gera em média, para cada metro cúbico (mil litros) de biodiesel, 100 toneladas de glicerina".

Na realidade, cada mil litros de óleo bruto geram 900 litros de biodiesel e 100 litros de glicerina. Como está escrito no texto, não admira os curiosos acharem que a glicerina fosse um problema. Enquanto uns acham que há excesso, outros acham soluções.. eu pessoalmente, acho que a hora é de comprar glicerina... :-)

Rodrigo.
16
0 Yanah
16 Agosto 2007 - 13:30 pm

A glicerina resultante da produção de biodiesel tem características diferentes da que é utilizada na indústria de higiene? Ouvi dizer que existem impurezas e colorações diferentes, o que dificulta seu uso em fábricas de glicerina tradicional. Se alguem souber por favor me responder no e-mail:

Yanah
17
0 luiz carlos da cruz
03 Outubro 2008 - 14:41 pm

Nos tempos passado se usava-se benzol para se fazer alcool anidro, que hoje se mistura junto a gasolina
porem, com a pesquisa, cancelaram o seu uso pois o produto era cangerinio, ai passaram a usar a glicerina para desitratar o alcool combustivel com graduaçao entre 92,8 a 93,3 grau INPM para a produçao de alcool anidro com graduação em torno de 99,3 grau, hoje se usa metil etileno glicol
INPM, então poderia se pensar em voltar o uso da glicerina ja que se tem em quantidade grande e
preço baixo.
18

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