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Entrevista: Francisco Barreto, presidente da Bionasa

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quarta, 26 março 2008 . Canal O Jornal da Bioenergia   
Participe da Conferência BiodieselBR 2008
Francisco Barreto é presidente da Bionasa Combustível Natural S.A, uma empresa da Jaraguá Participações que atua também no segmento de tabaco e produtos adoçantes. A usina associou-se à companhia britânica Trading Emission PLC (TEP) para a construção de um complexo industrial de produção de biodiesel em Porangatu, no interior de Goiás. Em entrevista exclusiva ao CANAL ele detalha o empreendimento e expõe suas opiniões sobre o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel.

Quando a unidade da Bionasa começa a operar?
O começo da operação está projetado para setembro deste ano. A indústria tem a capacidade para 200 mil toneladas/ano em sua primeira etapa. Na segunda etapa, prevista para setembro de 2010, a produção aumenta mais 200 mil toneladas, tornando-se a maior unidade industrial do mundo de produção de biodiesel.

Quais matérias-primas serão utilizadas na produção?
Vamos trabalhar com o pinhão-manso e o dendê, mas não num primeiro momento. Inicialmente vamos trabalhar com girassol e uma pequena parte de soja. Estamos fazendo uma grande plantação de pinhão-manso no Norte de Goiás, onde há uma quantidade muito grande de áreas degradadas e que se prestam bastante ao plantio do pinhão-manso, dado a sua adaptabilidade à região.

Quais fatores foram decisivos para instalar a indústria na região?
Tem muito a ver com logística e com os 2 milhões de hectares degradados, abandonados ou subutilizados em uma região que também abrange o Sul do Tocantins e o Nordeste de Goiás. Uma indústria dessa magnitude deixará na região mais de 650 milhões de reais/ano em riqueza gerada pela agricultura. A indústria está se comprometendo em fazer a compra da produção dos agricultores. O Norte de Goiás precisava de um apoio industrial e a instalação teve incentivo fiscal, dentre outros, pelo governo do Estado. Nós avaliamos e achamos que a região é realmente boa para esse propósito. Do ponto de vista da logística, a indústria se localiza entre a Belém-Brasília e a Ferrovia Norte Sul. Acho que o Crescimento do País em direção ao Norte é uma conseqüência natural.

E a decisão pela produção de biodiesel, como se deu?
Temos informações de especialistas europeus em energia de que haverá uma queda muito grande nas reservas de petróleo a partir de 2015. Com isso, tanto o etanol como o biodiesel terão uma ascensão natural junto aos mercados interno e externo. E esse nosso projeto é de longo prazo. É gigantesco para Goiás e para o Brasil.

Quantos empregos diretos e indiretos serão gerados?
Após o início da segunda etapa teremos aproximadamente 300 empregos diretos e mais de 20 mil empregos indiretos na região, incluindo os agricultores familiares. A nossa empresa apóia o agricultor familiar in loco. Ajudamos na preparação da terra e no cultivo do pinhão-manso, que é a única cultura que poderá trazer lucro a esses agricultores.

Quantos hectares já estão plantados e qual será a área total?
Nós teremos plantados este ano 2 mil hectares em função de uma adesão baseada na confiabilidade. Fizemos um trabalho de convencimento e conquista de credibilidade junto aos produtores. A partir de 2008 também pretendemos plantar entre 7 a 10 mil hectares em assentamentos, que totalizam 198 mil hectares. Queremos alcançar até 2010, no mínimo, 50 mil hectares junto aos assentados. Este é um capítulo da história importante para a Região Norte e para os assentados, para assegurar essa renda necessária aos pequenos agricultores, mas também precisamos de ajuda governamental. Temos uma responsabilidade muito séria com a sustentabilidade sócio-ambiental na região. Temos muita contribuição do município, mas precisamos do apoio do Estado e do Governo Federal, via Pronaf, para ajudar, basicamente, na preparação do solo para o plantio.
 

MAIS INFORMAÇÕES
Clique aqui e saiba mais sobre a Bionasa.


E a obtenção de crédito para o plantio do pinhão-manso?
Depende de uma ação política para o Pronaf aceitar e desenvolver programas de financiamento que ainda não existem. Vamos discutir junto com os representantes do Pronaf, no governo federal, para viabilizar esse processo.

E quais são as perspectivas em relação ao girassol?
O girassol é uma oleaginosa fantástica, tem 40% de óleo, mais que o dobro da soja. Não tem sentido trabalharmos com a soja, pois o girassol é a única oleaginosa comestível que pode ser usada na produção de biodiesel sem prejuízo para a cadeia alimentar. Isso porque temos 60 milhões de hectares de terras degradadas e prontas para o plantio. Temos 11 milhões de hectares de terras próprias para a safrinha e o girassol tem as características adequadas para esse tipo de cultivo, que está sendo explorado por poucos agricultores no Brasil e não causa prejuízo a ninguém, pois a terra não é utilizada nesse período. A safrinha é própria para o girassol, que resiste muito mais à seca.

O Programa de Produção e Uso do Biodiesel está em fase inicial. Existe necessidade de ajustes?
A regulamentação do biodiesel tem alguns equívocos. Trata-se de um projeto de grande repercussão do ponto de vista social, pois integra a sociedade ao lucro, ao resultado obtido com a produção. Quando fizeram a regulamentação, transferiram toda a responsabilidade do Estado para o setor privado, além de nos penalizar com muitos impostos. Dizer que existe incentivo fiscal é uma grande balela, pois trata-se de um incentivo para promover aquilo que o Estado não promoveu, a agricultura familiar, que passou a ser uma responsabilidade do empresário. Além disso, estamos subordinados a uma burocracia enorme e anacrônica, que vem de 500 anos atrás.

E quanto aos porcentuais de adição de biodiesel ao diesel?
Acho que até 10% de mistura é pouco, não melhora o clima, não resolve nada. O B 100 é aplicável em qualquer motor. Ele poderia ser utilizado no transporte público e nas máquinas agrícolas, por exemplo. Isso valorizaria o segmento econômico que é a indústria de biodiesel. Fala-se que não existe pesquisa, mas parece que não querem que exista. Deveria haver uma política para reduzir os efeitos sobre o clima e não simplesmente lançar o programa de produção do biodiesel. Ele precisa ter um cunho sócio-ambiental.

Qual é a situação do segmento de produção de biodiesel em relação à obtenção de crédito?
O crédito do Governo é supercomplicado. Ele pede 180% de garantia, uma aberração, coisa de quem não quer emprestar mesmo, pois não quer correr riscos.
 
A Bionasa está usando só recursos próprios?
Estamos usando só recursos próprios, pois gasta-se muita energia, tempo e dinheiro para conseguir crédito. Só emprestam dinheiro para áreas consolidadas, como a petroquímica e de papel e celulose, por exemplo.
 
O senhor atua na indústria do tabaco. Por que apostar no biodiesel?
Sim, na indústria do tabaco produzimos charutos e cigarrilhas de alta qualidade e exportamos para 52 países. Estamos também apostando na produção de bioenergia como um todo e no biodiesel, como um primeiro trabalho. Posteriormente vamos investir na geração básica de biodiesel, como esmagadoras e, num terceiro momento, em produtos da oleoquímica, pois o Brasil importa U$ 4 bilhões desses produtos. Podemos fazer toda a cadeia produtiva de oleoquímicos baseada na indústria de biodiesel. Estamos fazendo uma indústria de primeira geração, muito bem feita e estudada. Foram dois anos para elaborar todo o projeto, não foi de forma imediatista.
 
Que produtos originários da oleoquímica devem ser produzidos?
Aditivos, a partir da glicerina, plásticos duros, química fina, para a área medicamentosa, e uma série de outros produtos. Estamos agora desenvolvendo esses projetos.
 
A Bionasa tem algum parceiro internacional? Qual a tecnologia utilizada e em que fase está a montagem da indústria?
Sim, a Trading Emissions PLC (TEP), um dos maiores fundos ingleses na área de energia limpa. A tecnologia é italiana, os equipamentos são produzidos pela Dedini e já estão sendo descarregados na indústria. O processo de montagem deve começar ainda em abril.

Há uma crítica em relação ao porcentual inicial obrigatório de adição do biodiesel ao diesel. Neste momento, ele poderia ser maior ?
Existem diferentes pensamentos em relação a isso. Muitas empresas, justamente por falta de incentivo governamental, têm dificuldades. Colocaram muito dinheiro na industrialização e se esqueceram da originação. Paralelamente, houve uma corrida às oleaginosas para a alimentação humana e um problema sério de capital de giro para essas empresas fabricarem e fornecerem o biodiesel. Atualmente, existem cerca de 46 indústrias prontas. As mais profissionais estão produzindo e entregando, mas não na sua total capacidade. São industriais competentes, tradicionais. Alguns deles atuam na área de originação e estão entregando alguma coisa, mas a situação é peculiar, pois os preços de compra nos leilões não cobrem o custo de produção.
 
O senhor interpreta isso como um descaso por parte do governo ?
Não existe uma posição do Estado brasileiro na área de agroindústria em relação a esse processo, que foi provocado pelo próprio Estado. Isso traz um certo desânimo. Enquanto isso, os EUA utiliza o milho, pouco eficiente para a produção de álcool e dá altos subsídios. Nós só queremos compensação de custo na hora da compra, em função do estouro do preço das oleaginosas que originam o óleo básico para produzir o biodiesel. Isso é o mínimo que o Estado brasileiro pode fazer.
 
E a posição do presidente Lula sobre essas questões?
Ele está isolado dessas discussões pelo seu staff. Ele não sabe o que está acontecendo. As informações que foram passadas a ele são de que a produção do biodiesel é viável, é um bom negócio e que daria condições de sobrevivência no campo, para o pequeno produtor, mas existem outros fundamentos micro e macroeconômicos dentro do programa que não foram observados, pois o Estado brasileiro não pensa a médio e longo prazo. Era de se esperar que haveria essas distorções.

Evandro Bittencourt
Canal O Jornal da Bioenergia, edição 19, março/2008

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Revista BiodieselBR
Comentarios (5)add comment

Joao Paulo Bandeira de Almeida disse:

  Desejo boa sorte para vcs, pois nos fizemos isso tudo e terminou em MOFO BRANCO. Se vc tiver alguma solução que não seja a resposta "manejo de lavoura" leve ela antes de apresentar o girassol para o produtor. Manejo de lavoura existe apenas para longo longo longo prazo, pois o MOFO leva 10 anos para morrer!!

Abraços a todos 038-9133-3088 - João Paulo Bandeira de Almeida
1

26.03.2008 - 13:22

Fernando Novartis disse:

  Bom senhor Joaõ Paulo Bandeira de Almeida, pelo jeito que o senhor afirma até parece que o girassol é que trouce o mofo branco para as suas areas, bom o girassol é um hospedeiro como a soja e o feijão, mas o seu grande problema foi trabalha com cultivares de soja tabajara, pois sou produtor de girassol e consigo colher 40 sc/ha e nunca tive problemas com a sclerotinia, pois sua falta de informaçaõ deixa outros produtores desconfiados sem se quer conhece a cultura, mas imagino que o senhor deve ter plantado e nem procurou epocas de plantio, pois ele é para se planta na safrinha e as melhores épocas que obtive otimos resultados foi em 25 de fevereiro sabendo que o ideal e até 05 de março, mas imagino que o senhor também não tem a informação de que a soja e o feijão o mofo branco não tem cura sim controles e caros.Mas o senhor um dia aprende até mais .
2

27.03.2008 - 21:32

Telmo Heinen disse:

  Onde é este lugar desse milagre? Caro Ferando Novartis, colher mais de 25 sacos (60 kg)de girassol por hectare para nós é uma verdadeira façanha e de repente aparece o Senhor com este milagre, colheita melhor do que a de qualquer argentino...

Diga-nos o caminho deste sucesso e muito obrigado.
3

27.03.2008 - 21:52

FABIANA PORTO RANGEL: LUCAS DO RIO VERDE - MT disse:

  Caro sr. Telmo no que tage a colheita de girassol por hectare devo concordar em parte com o sr. Fernado Novartis aqui em Lucas do Rio Verde e Sorriso ja chegamos a olher 40 sacas por hectare mas saliente-se que fora colhido 40 sacas por hectare de variedade de baixo teor olioginoso, mais proprio para passaros. Em relação ás variedade com alto teor de óleo ja colhemos em escala comercial por dois anos consecutivos media de 34 sacos. Contudo devo concordar que a produtividade media ficando entre 28 e 30 sacas por hectare é o ideal com uma rentabilidade muito boa. Tudo depende do solo do maneja da lavoura e principalmente da observação da janela de plantio que deve ser de 20 de fevereiro à no máximo 10 de março, para esta regão. Espero ter colaborado com estas infrmações para o debate
4

3.04.2008 - 11:17

Joao Paulo Bandeira de Almeida disse:

  Caro Fernando. As condições que o seu clima proporcionam podem ser melhores que a minha para o plantio de girassol. Vc não esta falando com leigo, pois tudo que vc sugeriu nos fizemos e com uma tecnologia que talvez vc desconheça. Aqui perto de formosa se vc não sabe, tecnologia e o que não falta ( pergunte ao Telmo ). Então, nessa região posso afirmar que é prejuízo e o fazendeiro que plantar girassol terá que ficar esperto para não perder produtividade ainda maior com o feijão, a soja e algodão. Infelizmente a flor do girassol por ser muito "apetitosa para o mofo" faz um estrago quando cai no chão e o prejuízo fica ainda maior quando no ano seguinte ele colhe 15 sacos de feijão por hectare na área onde estava este mofo e para dar mais raiva, o mercado oferece 250 reais no saco de feijão. Mais uma vez, qualquer dúvida pergunte ao Telmo.

Meu telefone é 38-9133-3088. João Paulo Bandeira de Almeida
5

5.04.2008 - 09:05

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