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Empresa produz biodiesel com sobra de óleo de dendê

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quarta, 20 junho 2007 . Diárionet   
Revista BiodieselBR
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O Grupo Agropalma descobriu há dois anos, depois de mais de duas décadas produzindo óleo de palma, também conhecido como azeite de dendê, que poderia obter economia, gerar negócio e diminuir a poluição atmosférica simplesmente utilizando um resíduo que antes era jogado fora. O que sobra da produção do óleo, em vez de ir para o lixo, é transformado em biodiesel.

Desenvolvido em parceria com a Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o combustível renovável foi batizado de palmdiesel. Para obtê-lo, cerca de 95% dos ácidos graxos do óleo de palma são aproveitados. O biodiesel é isento de glicerina e custa muito menos que o combustível fóssil, além de ter mesmo rendimento.

De acordo com Marcello Brito, diretor comercial da Agropalma, 8 milhões de litros são produzidos por ano na usina em Belém (PA). Desses, 3 milhões são destinados à frota total do grupo, que já teve substituição de 100% do combustível. Como os motores tradicionais não requerem adaptação para o abastecimento com o biodiesel, os tratores, veículos e implementos utilizados no cultivo da palma não mais poluem o ambiente. Os 5 milhões de litros excedentes são comercializados.

Além dos resíduos, os cachos vazios e buchas também são aproveitados como adubo orgânico. As fibras resultantes da prensagem dos frutos são usadas como combustível nas caldeiras para gerar vapor, que aciona geradores para produção de energia elétrica, conta Brito. A energia abastece todo o complexo da usina. Já o vapor residual é utilizado para esterilizar e gerar calor necessário ao processo de extração de óleos. O efluente é destinado à irrigação dos palmares próximos à área industrial, ao mesmo tempo agindo como fertilizante. Nenhum efluente atinge os rios ou igarapés, garante o diretor.

E as ações não param por aí. "Os resíduos domésticos também têm destinação adequada à preservação do meio ambiente. São coletados separadamente e classificados em orgânico, reciclável e não reciclável, dando-lhes a devida destinação. Atualmente, são destinados para a Usina de Reciclagem de Lixo do Município de Moju (uma das poucas existentes no Estado do Pará)."

Apesar de todos os processos sustentáveis, incluindo a produção do óleo de palma (refinado sem efluentes, somente com ingredientes naturais), Brito esclarece que a Agropalma ainda não tem projeto de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL). "Mas, em breve, pretendemos gerar e comercializar créditos de carbono", avisa, sem estipular uma data.

Soraia Abreu Pedrozo

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