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Ecodiesel tira sócio oculto do controle

O mistério sobre o sócio oculto que assombra a Brasil Ecodiesel desde sua abertura de capital pode cair no esquecimento sem que seja solucionado.

A Eco Green Solutions, empresa sediada em paraíso fiscal e que representava o acionista não revelado, saiu da estrutura de controle da companhia. "Para mim, não interessa quem era. Só sei que eu tinha um sócio que pesava como chumbo porque ele não tem cara", disse ao Valor Nelson José Côrtes da Silveira, fundador e um dos controladores da produtora de biocombustível.

A fatia da Eco Green vinculada ao acordo de acionistas foi adquirida pelos dois outros controladores, a Zartman Services, de Evon Zartman Vogt, e pelo próprio Silveira. O executivo, atual vice-presidente do conselho de administração da Brasil Ecodiesel, preferiu não revelar o valor da transação, mas afirmou ter sido próximo da cotação de mercado.

No dia anterior ao anúncio, o valor da participação do sócio oculto era pouco superior a R$ 142 milhões. De acordo com Silveira, quando entrou na Brasil Ecodiesel, a Eco Green investiu entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões na sua participação.

As ações acumulam alta de 18,7% desde o comunicado da saída da Eco Green. Mas ainda têm perda de 46,2% frente o preço de lançamento na Bovespa.

Apesar de ter saído do controle da companhia, a Eco Green ainda é investidora relevante, com cerca de 13% do capital, mas sem vínculo ao acordo de acionistas. Após a iniciativa, só Zartman e Silveira estão à frente do negócio, com fatias de 29% e 21%, respectivamente.

O afastamento da Eco Green começou em setembro do ano passado, quando desvinculou parte de suas ações do acordo de acionistas e perdeu o direito de indicar integrantes para o conselho de administração. Na época, a iniciativa já era resultado do desconforto que a Brasil Ecodiesel vive desde sua abertura de capital, quando levantou-se a suspeita de que o sócio oculto por trás da companhia sediada em paraíso fiscal poderia ser o empresário Daniel Birmann, dono do grupo Arbi e sócio de Silveira no início do empreitada.

A existência de um acionista oculto - o maior na época da abertura de capital - prejudicou a operação na Bovespa, em novembro de 2006. O tema era ainda mais delicado porque Birmann foi inabilitado em processo administrativo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para exercer cargos em companhias abertas (cabe recurso). Na época, as incertezas reduziram em cerca de 50% o volume que poderia ter sido levantado pela empresa, que ficou com R$ 379 milhões. Além disso, nenhum dos sócios pôde vender seus papéis na oferta de estréia.

Silveira contou que, desde a polêmica que envolveu a estréia na Bovespa, a relação entre os acionistas ficou "estressada". Segundo ele, o processo de negociação foi desgastante. Ele explicou que essa transação era esperada após o afastamento da Eco Green e as conversas começaram naquela época.

Ele ressaltou que a existência de um sócio desconhecido estava prejudicando a obtenção de recursos pela empresa especialmente junto a investidores e instituições internacionais. Com a iniciativa, espera-se melhorar a estrutura de capital do negócio. Silveira disse não saber se a Eco Green pertence a Birmann, a despeito de ainda ser sócio do empresário em outro empreendimento, na área de termo-eletricidade - empresa que inclusive mantém contratos significativos com a própria Brasil Ecodiesel. Além disso, ainda há um mútuo (empréstimo entre companhias) de US$ 8,3 milhões com a Eco Green, que vence no início de junho.

A assessoria de imprensa de Birmann informa que não comenta o tema, argumentando que o empresário teria saído da Brasil Ecodiesel antes mesmo da abertura de capital. O caso da empresa foi emblemático para o mercado e contribuiu para que a CVM a emitisse regra na tentativa de ampliar informações sobre sócios ocultos.

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