Biodiesel desaparece dos postos antes da mistura |
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| quinta, 13 dezembro 2007 . Agência Estado | |||||||||||
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O temor da possibilidade de faltar biodiesel no mercado no próximo ano - quando a mistura de 2% sobre o diesel será obrigatória - está fazendo com que o combustível desapareça das bombas nos postos de abastecimento neste mês. De um lado, produtores estão segurando o produto para entregarem às distribuidoras apenas a partir de 1º de janeiro, quando serão obrigados a cumprirem os contratos com as distribuidoras. De outro lado está a Petrobras, que vem segurando o produto para compor um estoque e evitar que falte o combustível no primeiro mês de obrigatoriedade no ano. A informação foi confirmada por três fontes consultadas pela Agência Estado junto ao setor de distribuição de combustíveis. Oficialmente, tanto a Petrobras quanto a Agência Nacional do Petróleo (ANP) dizem que o abastecimento está normal e qualquer falta neste momento de transição não será punida porque a mistura ainda não é obrigatória. "Quando começar a vigorar a obrigatoriedade, as penalidades serão cumpridas e equivalem ao valor do combustível vendido. Ou seja, os produtores que não entregarem o combustível vendido em leilão serão severamente punidos e não poderão participar de mais nenhum outro leilão", disse recentemente em entrevista o diretor da ANP, Haroldo Lima. Na semana passada, o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, admitiu que os postos de abastecimento da rede com biodiesel ficavam abaixo dos 90%, e não mais em 100% como havia previsto a BR no início de 2007. Dutra, entretanto, minimizou o problema, dizendo que os estoques estavam normais e todos os problemas com logística enfrentados durante o decorrer de 2007 já haviam sido solucionados e o abastecimento seria normal no próximo ano. De acordo com um técnico da Ipiranga, única empresa a misturar o produto ao diesel além da Petrobras, na semana passada deixaram de ser entregues cerca de 500 mil litros. "Neste final de ano tornou-se comum faltar o biodiesel. Está todo mundo segurando o produto, seja porque está de olho em melhores preços, no caso dos produtores, seja porque está temendo que o combustível falte quando houver a obrigatoriedade da mistura", disse o técnico. Carta-padrãoSegundo fonte de uma outra distribuidora, já circula entre as empresas um modelo padrão de informativo a ser encaminhado à ANP no caso de o biodiesel faltar em 2008. Na carta-padrão que será adotada pelas empresas que compõem o Sindicato Nacional das Distribuidoras (Sindicom), a empresa que não receber o biocombustível afirma que não mais fornecerá diesel no período. "Entre ser multada e deixar faltar o óleo diesel nos postos, as distribuidoras vão escolher esta segunda opção, a menos que a ANP a libere de fazer a mistura por algum motivo", explicou a fonte.Sindicom nega envolvimento com carta para caso de falta de biodiesel Outras duas questões que estão permeando a entrada efetiva do biodiesel no mercado em 2008 são relativas à falta de pessoal da ANP para efetuar a fiscalização nos postos e também em relação ao preço do produto. "Durante o ano de 2007, a Petrobras arcou com a diferença entre o preço do biodiesel adquirido em leilão e o que é vendido à distribuidora. Esta diferença equivale a pelo menos R$ 1 por litro, já que o biodiesel chega para a distribuidora no mesmo preço do diesel, mas é comprado por um valor maior. A dúvida é saber até quando a Petrobras vai pagar este preço, já que no ano que vem serão 800 milhões de litros a serem negociados", comentou a fonte. Sobre a questão da fiscalização, há um temor da própria ANP, principalmente em relação à falta do produto nos postos. Mas o diretor geral da agência, Haroldo Lima, disse em recente entrevista que a reguladora está se preparando para este "desafio". Para evitar que o combustível falte, a ANP até programou um leilão extra para aquisição de 100 milhões de litros, que deverão formar um estoque de segurança para o abastecimento em 2008. Também segundo ele, será coibida a utilização da mistura B100, ou seja, 100% de biodiesel no tanque, para empresas não autorizadas. A adoção do B100 tem se tornado comum na região Centro-Oeste, onde a produção de óleo de soja é elevada e permite ao produtor uma economia de escala na substituição do diesel por este biocombustível, mesmo havendo prejuízo ao motor do veículo. Textos Relacionados:
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Décio Luiz Gazzoni
disse:
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| Pelo teor da noticia, vai faltar diesel, para evitar multas às distribuidoras. 1
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| Preocupante essas informações. Uma vez que as empresas para não venderem combustível ilegal (diesel sem 2% de biodiesel) tenham que deixar de vender o diesel, pode parar o Brasil. Se isso acontecer, imagina a propaganda negativa que teremos: "Biodiesel pára o Brasil". 2
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| Ou seja, o não cumprimento dos contratos está liberado, bem como os produtores de biodiesel não serão fiscalizados, pois como declarado pela ANP a responsabilidade de disponibilizar o biodiesel para o consumidor é dos postos, ou seja, mesmo que não tenha biodiesel puro no mercado, as distribuidoras e postos podem ser punidos, enquanto que os produtores podem quebrar os contratos e nada acontecerá, o que certamente também comprometerá o principal objetivo do PNPB, qual seja, a inserção da agricultura familiar ao agronegócio, isso é Brasil. 3
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| Se cria legislação para tudo no Brasil. Muito inclusive para não ser cumprida. A história ensina: quem regula demanda, oferta e preços é o mercado. Fácil prever que sem incentivos que possam normalizar produção, o risco de não haver biodiesel suficiente para a mistura B2 a partir de 1º de Janeiro de 2008, é real. Se distribuidoras possuem a opção de poder elas próprias efetuar a mistura, porque não se pensou em incentivar este segmento de distribuição a possuir elas próprias suas usinas de biodiesel? Para tanto bastaria apenas e mais uma lei de obrigatoriedade neste objetivo (e que não iria fazer muita diferença entre todas que já existem), e oferecer algum incentivo ou benefício para esse tipo de investimento. De restante, seria apenas fiscalizar para verificar se o biodiesel produzido estaria dentro das especificações. O que seria ideal para a ANP pois teria um segmento específico para fiscalizar: as distribuidoras. Londrina, 15 de Dezembro de 2007. Richard Fontana Diretor de Tecnologia AustenBio Tecnologia em Biodiesel fontana@austenbio.com.br 4
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| O AustenBio tem razão. Se "eles" pensam que tudo tem que ser "regulado" pelo Governo, porque não estabeleceram mais esta regulagem ? "Se distribuidoras possuem a opção de poder elas próprias efetuar a mistura, porque não se pensou em incentivar este segmento de distribuição a possuir elas próprias suas usinas de biodiesel? Para tanto bastaria apenas e mais uma lei de obrigatoriedade neste objetivo (e que não iria fazer muita diferença entre todas que já existem), e oferecer algum incentivo ou benefício para esse tipo de investimento." 5
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