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Avanço da Petrobras em biodiesel põe em alerta a concorrência

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quinta, 14 fevereiro 2008 . Valor Econômico   
Revista BiodieselBR
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A Petrobras confirmou que vai começar neste ano a construir uma megaplanta de biodiesel. A usina deverá ser instalada no Nordeste, mas o local ainda não foi definido. A intenção da estatal é tornar-se líder na produção no país a partir de 2010, quando a usina deverá entrar em operação. Em 2012, a meta é produzir 900 milhões de litros de biodiesel, volume superior à demanda atual do país, de cerca de 800 milhões de litros por ano para efetuar a mistura de 2% no diesel, em vigor desde o dia 1º de janeiro.

Além do projeto da megaplanta, a Petrobras está construindo três usinas de biodiesel - Quixadá (CE), Candeias (BA) e Montes Claros (MG). Cada uma terá capacidade para 57 milhões de litros de biodiesel por ano. Somados, os investimentos atuais e a megausina receberão aportes que chegam a quase US$ 300 milhões, conforme apurou o Valor. Se os investimentos da Petrobras forem confirmados, a estatal concentrará em suas mãos cerca de um terço da produção deste combustível no país, considerando a atual capacidade instalada no país com os aportes anunciados pela companhia. Para 2012, o governo federal estima consumo de 2,4 bilhões de litros, com a mistura de 5% no diesel.

As intenções ambiciosas da Petrobras assustam. E não sem motivos. As indústrias de biodiesel concorrentes afirmam que a estatal está criando um monopólio, uma vez que é a única compradora - em dezembro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passou à estatal a responsabilidade de formar estoques de biodiesel por meio dos leilões de compra - e também se tornará uma líder na produção. "A Petrobras contraria o discurso do governo de consolidar o biodiesel no setor privado", diz Nivaldo Trama, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biodiesel (Abiodiesel), que reúne as pequenas e médias indústrias do setor.

Com 51 plantas com autorização para operar no país, a capacidade instalada para produção supera 2,5 bilhões de litros. "O fato de ela [Petrobras] entrar deixa o mercado desorientado, sem destino do que fazer", afirma Trama.

De acordo com um executivo do setor, a entrada mais forte no mercado de biodiesel "é uma tremenda ameaça". "Se uma estatal desse porte, que já é responsável pelos leilões de compra do biodiesel, entra dessa forma, o setor perde toda a sua vivacidade", diz o executivo.

A concorrência no setor promete esquentar mais com a tecnologia que está sendo desenvolvida pela estatal e que deve ser colocada em prática nos próximos meses. A Petrobras deverá produzir o combustível diretamente de sementes de oleaginosas, sem a necessidade de extrair o óleo. A técnica começa a ser testada em duas usinas-piloto que a estatal mantém em Guamaré (RN) e que será estendida para outras unidades no futuro.

O projeto até agora foi mantido em sigilo pela estatal, que até então havia anunciado apenas a adoção da rota convencional de produção de biodiesel, em que a empresa comprava o óleo vegetal de terceiros e fazia a transesterificação - processo do qual se extrai o biodiesel e a glicerina. "O problema é a economicidade do processo. A matéria-prima custa 80% da produção e o óleo vegetal no Brasil é mais caro que o diesel na bomba, hoje em torno de R$ 1,80", compara Carlos Nagib Khalil, autor do projeto e consultor do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).

Khalil não dá muitos detalhes, mas afirma que, com a nova tecnologia, a reação química é feita na semente. Do grão esmagado sai o biodiesel, sem necessidade de outro processo. "A semente é muito mais barata. A mamona custa R$ 0,30 o quilo. Com dois quilos faço um litro de biodiesel", garante o pesquisador. O processo também já foi testado com pinhão-manso, girassol e amendoim. "Se a Petrobras só usar o óleo, não vai fechar a conta. O objetivo é verticalizar a produção para reduzir custos."

Fernando Lima, gerente-geral de exploração e produção no Rio Grande do Norte e Ceará da Petrobras, confirma que a estatal busca acordos com cooperativas de produtores para adquirir sementes de girassol, mamona e pinhão-manso para produzir o biodiesel.

Para o vice-presidente de novos negócios da Comanche, João Pesciotto, a estratégia de obtenção do combustível diretamente das sementes de oleaginosas "faz sentido". Ele, no entanto, faz uma ressalva: "é preciso saber a qualidade do resíduo sólido que se consegue com esse processo", diz. A Comanche tem uma usina de biodiesel em Simões Filho (BA) com capacidade anual de produção de 40 milhões de litros.

Pesciotto salienta que desconhece os detalhes técnicos do projeto, mas explica que a conta da margem entre o custo de produção do biodiesel e o preço de venda inclui também o que se obtém com o aproveitamento do resíduo sólido. Os resíduos da soja, por exemplo, podem ser utilizados como ração animal, o que não é viável com a mamona e o pinhão-manso, base das pesquisas da Petrobras. "Se o resíduo sólido não tiver nenhum aproveitamento econômico, como ração ou adubo, o custo final pode até mesmo ficar mais alto que o convencional."

No Rio Grande do Norte, a estatal fechou acordo com cooperativas da região do Vale do Açu para a compra de 18 mil toneladas de sementes de girassol. A empresa vai custear as sementes e a assistência rural aos produtores para o plantio de 16 mil hectares na primeira fase do projeto. "Para atender à demanda das unidades de Guamaré será necessário o plantio de 30 mil a 35 mil hectares de girassol", diz Lima.

Em dezembro, a estatal também fechou contratos com sete cooperativas na Bahia para a compra mil toneladas de óleo de palma, 42 mil toneladas de sementes de mamona e 15 mil toneladas de sementes de girassol. Os produtos vão abastecer a produção de biodiesel na usina de Candeias, que tem capacidade para 54 mil toneladas de biodiesel por ano mas, em 2008, deve produzir 27 mil toneladas.

Cibelle Bouças, Mônica Scaramuzzo e Patrick Cruz

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Revista BiodieselBR
Comentarios (5)add comment

Telmo Heinen disse:

  Sempre esquecem os plantadores... os coitados não são consultados para "combinar" o jogo do biodielsel:

Esqueceram de inquirir este Senhor Khalil sobre o preço da mamona?
Naquele ano da superprodução de mamona na Bahia quando mais de 30 prefeitos declararam Estado de Emergência por causa da superprodução de mamona, o preço havia caido para R$ 18,00/sc (0,30/kg);
O Preço Mínimo (CONAB) está na casa de R$ 34,00/sc.
A maioria dos Contratos de Selo Combustivel Social está na faixa de 0,60/kg (R$ 36,00/sc) entretanto os compradores paulistas de mamona do mercado tradicional (anterior ao biodiesel) estão vindo no interior buscar a mamona, pagando um (1) real por kg ao lavrador ou seja R$ 60,00/sc

As Empresas de biodiesel correm o risco de não receber a mercadoria contratada, se não "reajustarem" o preço para este nível ou o mínimo para 0,80/kg (R$ 48,00/sc).

Portanto querida Mônica e Cibelle logo nova reportagem terá que ser feita...
Outro engôdo é acreditar que agricultores familiares plantarão e "terão sucesso" plantando girassol...
O Girassol é altamente vulnerável à doenças fúngicas, especialmente o Mofo Branco. Como é uma planta de porte relativamente alto, não dá para pulverizar os defensivos com Trator Pulverizador Jacto, nem com os Autopropelidos embora este sejam mais altos... muito menos com Pulverizador Costal Manual... restando a Pulverização Aérea que embora eficiente e econômica tem um fator limitante muito grande: Não serve para pequenas áreas.
Então, por favor está na hora de alguém questionar este fato.
Anexo levantamento da CONAB/IBGE onde se pode comprovar que nem uma, nem outra entidade até agora "detectou" onde estão os 594 mil hectares inscritos por 95 mil agricultores familiares, contratos "depositados" pelos detentores do Selo Combustivel Social no MDA.

Para mim, toda esta área não passa de uma "intenção" de plantio.

Além disto a reportagerm destaca a produção de biodiesel diretamente a partir do grãos da mamona mas ao mesmo tempo realça a necessidade de plantio de girassol.
São argumentos incongruentes...

Telmo Heinen - Formosa (GO)
1

14.02.2008 - 10:28

Carlos Eduardo disse:

  Sem dúivida as usinas terão problemas com a entrada da Petrobras, mas faz parte da concorrência.

No entanto o que não faz parte da concorrência é vender biodiesel com preço mais elevado que outras usinas. E não vejo a Petrobras com condições de produzir biodiesel a preço competitivo.
2

14.02.2008 - 16:59

Durival Morastico disse:

  Tem mercado para muita gente grande mas e os pequenos irão ser sufocados como foram no caso do Leite, café, eucalipto, cana..... etc. preço determinado por mais um monopolio.
O pequeno tem o direito de plantar mas não sabe se vende. Contrato? pois é, o garantido não paga nem o custo de produção. Na teoria , no papel , tudo é possivel. A Petrobras demorou para divulgar o que muitos envolvidos com o biodiesel já sabiam. Não se esqueçam que neste pais tudo é transportado por motores a diesel .
3

14.02.2008 - 21:35

Missao Tanizaki disse:

  A Mercedens Bens que outrora foi contra o Óléo Vegetal, como combustível para Motores DIESEL, em breve poderá mudar essa posição, pois recentemente foi nocitiado na internet que a empresa desenvolveu um motor bastante EFICIENTE que inicialmente funcionará com Gasolina, mas que poderá ser adaptado para funcionar com Álcool, gás.

Certamente o mundo todo perceberá que tecnologia semelhante poderá funcionar incluir a utilização do Óleo Vegetal Combustível e o BIODIESEL estará com seus dias contados.

MISSAO TANIZAKI
Fiscal Federal Agropecuário
Bacharel em Química
missao.tanizaki@agricultura.gov.br
Esplanada dos Ministérios, Bloco “D”, Sala 346-B, Brasíla/DF

TUDO POR UM BRASIL / MUNDO MELHOR

4

18.02.2008 - 08:01

Uri Goldstein disse:

  Como um gigante como a Petrobras pretende implantar usinas enormes sem a Agricultura Familiar ?
Ou será que para ela não será necessário o Selo para participar dos leilões ????

Algo está errado nesta política de incentivo ao Biodiesel e Selo.
Chego a hora tambem de reconhecer o Pinhão Manso como cultivo apto ao PRONAF !!!!

uri_gold@terra.com.br

5

18.02.2008 - 12:57

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