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As usinas de biodiesel do Brasil

Ficha detalhada de cada fábrica do Brasil (com informações de contato).

Alta da soja prejudica entrega de biodiesel

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terça, 15 abril 2008 . Folha de S. Paulo   
Revista BiodieselBR
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Produtores de biodiesel não estão conseguindo manter o pleno abastecimento das distribuidoras de combustíveis do país. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) admitiu que 30% das entregas previstas para o semestre não foram cumpridas. A inadimplência foi de 54 milhões de litros. A Barralcool, instalada em Barra do Bugres (MT), usina que foi inaugurada pela presidente Lula, foi uma das que pararam a produção, segundo a associação do setor.

Embalados pelo Programa Nacional do Biodiesel, muitos produtores enfrentam agora uma crise que ameaça a sobrevivência de parte do setor. A chave do problema está na elevação do preço da soja, insumo usado por mais de 80% das usinas de biodiesel. O descasamento entre a cotação da matéria-prima e o baixo preço do combustível nos leilões levou a indústria a operar no prejuízo.

"O corte feito por alguns produtores chegou a 20%. Alguns chegaram a cortar 30%", afirmou um executivo de distribuidora. O problema não alcançou o varejo devido ao estoque de emergência de 100 milhões de litros feito pela Petrobrás no começou do ano. As distribuidoras são orientadas a buscar na Petrobrás os volumes de biodiesel equivalentes não entregues pelos produtores.

Segundo avaliações do mercado, a compra suplementar de mais 100 milhões de litros de biodiesel para entrega imediata, feito na semana retrasada pela Petrobrás, ocorreu apenas em razão dos problemas dos produtores e da baixa repentina desses estoques.

Desde o dia 1º de janeiro, as distribuidoras de combustíveis são obrigadas a fazer a mistura de 2% de biodiesel em todo o diesel vendido no país. Com essa mistura, a produção nacional de biodiesel terá de atingir entre 800 milhões a 1 bilhão de litros no ano para atender a mistura compulsória. O setor tem capacidade industrial mais do que suficiente. Atinge hoje cerca de 2,9 bilhões de litros e essa superoferta se tornou mais problema do que vantagem. A baixa demanda interna criou um "estresse de oferta", o que tem conduzido o preço de venda a um patamar incompatível com o custo do óleo de soja.

O governo lançou um socorro para tentar auxiliar o setor. Uma nova resolução determinou o aumento de 50% da mistura a partir de 1º de julho, quando a adição de biodiesel no diesel subirá para 3%. Dois leilões para compra de 330 milhões de litros foram feitos na semana passada.

Delicada
O presidente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel), Odacir Klein, disse que a situação dos produtores é delicada neste momento. Para o atual patamar de preços de óleo de soja, o valor do litro teria de superar os R$ 3. No leilão para reforço dos estoques emergenciais, o valor-teto foi de R$ 3,20, e o preço médio de venda em razão da concorrência caiu para R$ 2,55.

Nos leilões feitos pela ANP, o preço médio para cada litro foi de R$ 2,69, com deságio de pouco mais de 4%. Sérgio Beltrão, diretor executivo da Ubrabio, afirma que a elevação da demanda interna com a nova mistura projeta uma necessidade de 1,3 bilhão de litros.

"Ainda não consegue ocupar toda a capacidade disponível, mas ajuda a reduzir o estresse de oferta que existe hoje no setor", diz. A própria Ubrabio acredita que parte do setor não irá suportar por muito tempo a diferença ainda existente entre os preços da matéria-prima e do biodiesel.

Em janeiro, o óleo de soja para a indústria custava R$ 2.320 a tonelada. O preço já supera os R$ 2.600. Para a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), o setor deve encontrar outras fontes de matéria-prima além da soja para a produção de biodiesel.

A situação tem provocado redução da produção. A Folha conversou com uma importante processadora de soja sobre a situação. A posição é a seguinte: da capacidade de 100 milhões de litros, apenas 22 milhões serão ocupados neste ano.

Agência diz que esperava crise ainda maior

A ANP (Agência Nacional do Petróleo), responsável pelos leilões de aquisição do biodiesel distribuído em todo o país, esperava uma inadimplência maior do que a apurada para o semestre.

Segundo Edson Silva, superintendente de abastecimento da ANP, a forte elevação do preço da soja fez a agência estimar que metade do biodiesel comprado pelo governo não seria entregue pelos produtores.

"Consideramos que a inadimplência de 30% das entregas foi um porcentagem aceitável ante a escalada do preço do óleo de soja", afirmou Silva. A previsão agora, disse o superintendente, não é mais essa. A partir do leilão da semana passada, a expectativa da ANP é que a inadimplência fique em níveis menores. "A curva de aprendizado já passou", afirmou.

A ANP disse que tomou medidas para evitar queda acentuada nos preços do leilão da semana passada e evitar uma crise maior no setor. A agência fixou valor-teto maior do que os anteriores (R$ 2,804 por litro), exigiu um pregão presencial e reduziu o tempo para entrega da venda do produto. As usinas que venderam biodiesel terão de entregar o produto a partir de 1º de julho. "No ano passado, fizemos leilões para entrega em seis meses. É um tempo muito longo, o produtor fica muito exposto às variações de preço da matéria-prima", disse.

Silva admitiu que neste momento os produtores que compram óleo de soja no mercado são os mais expostos. Ele afirmou que a ANP não tem mecanismos para assegurar a produção dessas usinas. "Fizemos o que foi possível para não permitir uma queda forte no preço."

AGNALDO BRITO

Revista BiodieselBR
Comentarios (4)add comment

Ananias Baracuhy disse:

  Em todo canto do mundo qualquer industria só se segura se tiver matéria-prima.
No biodiesel brasileiro tiveram muito cuidado com o telhado e dixaram para lá o alicerce e as paredes....muitas esmagadoras para pouca matéria-prima.

Só resta agora esperar por uma soja subsidiada que o governo diz que não vai nessa.... todas as análises de mercado levam para uma soja em preços ascendentes.

Paradoxalmente aparece aí proposta para se antecipar a B5 como forma de salvar muitas empresas...???
Eu não estou entendendo mais nada...
1

16.04.2008 - 18:41

Juliana Gonçalves disse:

  o site eh muito bem elaborado, bem estruturado e atende às necessidades com eficácia . Adorei.
2

6.05.2008 - 10:35

Telmo Heinen disse:

  A resposta correta para a mesma pergunta de três anos atrás ainda é a mesma:
Qual é o melhor óleo para se fazer biodiesel ?
Simples, o melhor óleo para fazer biodiesel é o óleo que estiver MAIS BARATO!!!
De sebo bovino ? Já foi. De soja ? Também já foi! Banha de porco ? Ainda pode ser. Graxa de frango e de peixes ? Em parte...
Óleo de Algodão ? Sim, mas ninguém planta algodão para "colher" o caroço...
Ninguém cria bois para ter sebo para fazer biodiesel...

Portanto enquanto os politicos e uma meia dúzia de poetas "tergiversam" em torno de qual seja a melhor cultura para fazer biodiesel, nós aqui temos a resposta.
O óleo que estiver mais barato... Algodão, soja... mas certamente no longo prazo o óleo mais barato só poderá ser obtido a partir de culturas perenes. Temos várias, inúmeras opções.

Pense nisso! (Podem me citar como grande pensador sobre o assunto, modéstia à parte he he he)

Att, telmo heinen @yanoo.com.br
3

21.06.2008 - 22:30

Carlos Eduardo disse:

  Qualquer um com uma usina em planejamento ou funcionamento sabe que deve conseguir sua matéria-prima com o menor preço, a questão é qual a matéria-prima que chega a usina com o preço mais barato.

Na notícia abaixo está detalhado para onde vai o dinheiro de uma usina de biodiesel:
http://www.biodieselbr.com/destaques/2006/preco-biodiesel-analise-maior-usina-biodiesel-eua.htm

75% é da matéria-prima. Então qualquer redução mínima de preço nesse ponto representa uma grande diminuição no custo final do biodiesel.

No entanto mensurar onde está o menor preço e 'colocar em prática' a escolha é o desafio. Está bastante claro que a verticalização diminui os custos, assim como a vocação regional e ganham força as culturas perenes. No entanto são muitas as váriaveis que devem ser analisadas.
4

22.06.2008 - 14:19

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