Biodiesel: Combustível renovável e ambientalmente correto

Introdução

           
            O aquecimento global, provocado pelo efeito estufa, vem causando graves alterações em nosso ecossistema. O dióxido de carbono, principal causador, é liberado na atmosfera com a combustão do óleo diesel.
            O biodiesel, um biocombustível renovável, apresenta-se como uma possível solução para os atuais malefícios provocados pelo petróleo e seus derivados, reduzindo significativamente a emissão dos gases causadores do aquecimento global.
            Resultante de um processo químico, onde o principal elemento é a biomassa, caracteriza-se como um produto agrícola, biodegradável e não-tóxico.
            Este artigo tem como objetivo relatar a necessidade do uso de um combustível renovável e ambientalmente correto nos motores do ciclo diesel e propor o biodiesel como uma possível solução para os problemas ambientais e, inclusive, sócio-econômicos, que estamos enfrentando nos dias de hoje.

Os biocombustíveis

          
            Os biocombustíveis são energias renováveis, provenientes de biomassas. Liberam na atmosfera uma quantia significativamente menor de poluentes em relação aos combustíveis derivados do petróleo. Alguns exemplos mais conhecidos são: o hidrogênio, o álcool (etanol) e o gás natural. Porém, este último é uma fonte de origem não-renovável. (1)
O biodiesel, por sua vez, consiste em uma fonte renovável de energia e apresenta conveniências frente ao hidrogênio e ao álcool: é mais barato que o hidrogênio e sua produção é menos limitada à região sudeste, como no caso do etanol proveniente da cana-de-açúcar. Ele pode ser produzido em qualquer região do país, inclusive no semi-árido. (1)
            Produzido a partir de óleos vegetais, sebo de origem animal, óleo de frituras e da matéria graxa encontrada nos esgotos municipais, é considerado um forte candidato a substituto do petróleo e seus derivados. (Fonte: D’ARCE, 2005.).           

Vantagens ambientais do biodiesel

O biodiesel apresenta vantagens ambientais frente ao diesel de petróleo. Ele permite que se estabeleça um ciclo fechado de carbono, ou seja, a planta que será utilizada como matéria-prima, enquanto em fase de crescimento, absorve o CO2 e o libera novamente quando o biodiesel é queimado na combustão do motor. Segundo estudos, com esse ciclo fechado estabelecido, o biodiesel reduz em até 78% as emissões líquidas de CO2.(1)
Além disso, o uso desse biocombustível reduz significativamente as emissões de:

  • 20% de enxofre;
  • 9,8% de anidrido carbônico;
  • 35% de hidrocarbonetos não-queimados;
  • 55% de material não-particulado;
  • 78 a 100% dos gases causadores do efeito estufa;
  • 100% de compostos sulfurados e aromáticos;

Vale lembrar também que os materiais não-particulados são os principais causadores de problemas respiratórios e os compostos sulfurados são os precursores do câncer e da chuva ácida. (1)
O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 pelos países industrializados, exceto pelos Estados Unidos, foi criado com o objetivo de reduzir ou controlar as emissões de carbono a um nível, em média, 5,2% menor que no ano de 1990, com um prazo de cumprimento até o ano de 2012. (3)
Criou o chamado “Mercado de Carbono”, onde cada país ou empresa possui uma cota para emissão desse gás na atmosfera e, se não atingido o nível máximo de sua cota, o excedente pode ser vendido através de um projeto chamado MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. (3)
O MDL possui programas de reflorestamento de áreas desmatadas e de captura de carbono antes mesmo de ele ser lançado na atmosfera. O financiamento pode ser feito através do CBF – Fundo Bio de Carbono, administrado pelo Banco Mundial. (1)
O Brasil é considerado uma das fontes mais limpas do mundo: 35,9% da energia fornecida pelo país são de origem renovável, como mostra o gráfico 1.
Gráfico1.
Percentual de energia renovável no mundo
Imagem Fonte: D’ARCE, 2005.

Entretanto, além das vantagens ambientais, o biodiesel pode, também, gerar empregos, fortalecer o setor industrial, principalmente nas regiões norte e nordeste, incentivar a agricultura familiar e melhorar a geração e distribuição da renda, contribuindo para a erradicação da fome e para um equilíbrio do êxodo rural. (2)

Existem no país vários projetos e algumas unidades-piloto instaladas com a finalidade de pesquisar e experimentar o uso do biodiesel para que se possa chegar a um custo final do produto, acessível ao consumidor. (2)
Como exemplo, há o projeto Mamona-Ceará, que visa gerar renda e melhor distribuí-la, gerar empregos e fortalecer o setor industrial da região e a unidade-piloto de Teresina-PI, cujo objetivo é funcionar como uma fábrica-escola para capacitação profissional na produção de biodiesel. Além disso, também pretende contribuir para a erradicação da miséria na região. (5)

Vantagens sócio-econômicas

Detentor de uma grande diversidade de biomassas, o Brasil se destaca com relação à sua capacidade produtiva: o país tem condições de liderar a produção mundial de biodiesel, promovendo a substituição de, pelo menos, 60% da demanda mundial atual de óleo diesel de petróleo. (4)
            O Presidente Lula aprovou uma medida provisória autorizando a mistura de 2% de biodiesel ao diesel convencional, o que poderá gerar uma grande economia de divisas, podendo chegar a US$ 160 milhões nos primeiros 8 anos, o equivalente a 800 milhões de litros de petróleo, desencadeando um possível processo de crescimento econômico no país. O prazo para vigorar essa medida inicia-se em 1º de janeiro de 2006. (4)
            A cada 1% de substituição de óleo diesel convencional por biodiesel poderá gerar cerca de 45 mil empregos no campo e uma renda anual de aproximadamente R$ 4.900,00 por emprego, o que levará a uma maior concentração do homem no campo, diminuindo o êxodo rural. (4)
            Com essa medida, o setor industrial poderá ser fortalecido, principalmente nas regiões norte e nordeste, onde a produção de dendê, que pode ser utilizado como matéria-prima, é considerável. (2)
            Além disso, a agricultura familiar será incentivada através do selo “Combustível Social”, que será atribuído às empresas que se utilizarem de matérias-primas provenientes de pequenos agricultores. Em troca, essas empresas recebem incentivos fiscais, como a isenção de parte do Pis e Cofins. (4)

Conclusão

O Brasil apresenta vantagens competitivas em relação aos outros países devido ao solo e clima favoráveis à produção das matérias-primas. Porém, se chegarmos a uma completa substituição do diesel convencional pelo biodiesel ao invés de apenas fazermos uma adição percentual do mesmo, os países, inclusive o Brasil, podem não possuir um número tão grande de áreas cultiváveis, em que as mesmas não estejam sendo usadas para fins alimentares.
            Ainda assim, muitos países têm apresentado interesse quanto ao uso do biodiesel para que se cumpram as medidas propostas no Protocolo de Kyoto.
            Entretanto, as vantagens do biodiesel se sobrepõem às suas possíveis desvantagens, levando-o ao conceito de melhor alternativa atual como um combustível para motores do ciclo diesel.

por Roseane Aparecida Coletti

BiodieselBR

Referências bibliográficas

1. D’ARCE, Marisa A. B. Regitano. Matérias-primas oleaginosas e biodiesel. ESALQ/USP, setor de açúcar e álcool, 2005.

2. HOLANDA, Ariosto. Biodiesel e inclusão social. Brasília: câmara dos deputados, coordenação de publicações, 2004.

3. KENSKI, Rafael. O começo do fim. Revista Super Interessante, São Paulo, edição n. 218, ano 19, n. 10, p. 44-54, out. 2005.

4. PAÍS está preparado para produzir combustíveis pouco poluentes, diz Lula. Último Segundo, São Paulo, 27 abr. 2005.

5. PROJETO Unidade Piloto de Teresina. Tecbio Tecnologias Bioenergéticas.