‘Demônio etanol’
O economista americano Paul Krugmann em seu artigo da semana passada no New York Times chamou o etanol de “demônio”, e listou este como uma das causas da alta dos preços dos alimentos. Em se tratando da produção de etanol americano, realmente a comparação com sinônimo de coisa ruim até cabe. Estender o problema para o restante do planeta parece ter o intuito de desviar a atenção.
A área de milho que os Estados Unidos utilizam para a produção de etanol é quatro vezes a área que o Brasil utiliza de cana e a produção é praticamente a mesma. São mais de doze milhões de hectares de milho usados para a produção de álcool. O aumento na produção de etanol ano após ano nos Estados Unidos só é possível graças aos enormes subsídios agrícolas oferecidos pelo governo federal e os créditos tributários.
Esse consumo de milho para encher o tanque dos carros afetou o estoque mundial de milho, fazendo com que o preço batesse novos recordes em 2008. Esse aumento atingiu outros grãos em cascata, ocasionando a alta dos alimentos e enfurecendo ecologistas, economistas, cientistas e pesquisadores que colocam em dúvida os reais benefícios dos biocombustíveis quanto ao balanço energético e a quantidade de insumos gastos na sua produção. As críticas ao etanol americano atingem por tabela o biodiesel de soja tanto americano, como brasileiro e argentino e o biodiesel de palma da Ásia.
Essas críticas devem ser encaradas como alertas para que nossa agricultura consiga uma produção de matéria-prima sustentável, tanto ecológica como social, não deixando margens para reclamações.
Univaldo Vedana
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O demônio é Busch e sua politica de subsídios. Hoje o pepino americano é o imobiliário, amanhã será os biocombustíveis e depois de amanhã ? Esta posição é matreira demais para nossos dias.