

Apesar de viver uma entressafra de grandes anúncios, setor de biodiesel continua atraindo investimentos

Apesar de viver uma entressafra de grandes anúncios, setor de biodiesel continua atraindo investimentos
Fábio Rodrigues, de São Paulo
Já tem algum tempo que o mercado de biodiesel deixou de atrair novos investidores, mas isso não significa que o setor esteja em ponto morto. Além de haver alguns rostos novos quase prontos para entrar no mercado, também temos diversos players já bem estabelecidos se preparando para fazer investimentos com o objetivo de reforçar suas posições no tabuleiro estratégico do segmento.
Entre as novatas, temos a intensamente aguardada chegada da Bunge, cuja usina de 148,9 milhões de litros de capacidade, instalada em Nova Mutum (MT), superou as últimas barreiras burocráticas que a mantinham fora do mercado (a Autorização de Comercialização da ANP e o Registro Especial de Produtor de Biodiesel da Receita Federal) e está prontinha para entrar em operação.
A Potencial Petróleo também está a um passo de entrar no mercado. Em 22 de novembro, a empresa organizou a cerimônia de inauguração – com direito a participação do governador paranaense Beto Richa – da usina que está terminando de construir na Lapa, município da região metropolitana de Curitiba. A empresa investiu R$ 87 milhões na planta, que tem capacidade para fabricar 170 milhões de litros de biocombustível por ano.
Originária do ramo de distribuição e varejo de combustíveis, a Potencial está presente em cinco estados. Para a empresa, a entrada no segmento de biocombustíveis faz parte de uma estratégia de verticalização e diversificação de suas atividades. Além do biodiesel, no futuro, o complexo industrial também vai produzir óleo de soja refinado para o mercado de alimentação.
Crescimento
Já no time dos veteranos, a Camera e a Granol anunciaram que farão novos investimentos em capacidade produtiva.Em meados de novembro, a Camera assinou um protocolo de intenções com o governo estadual do Rio Grande do Sul para a instalação de um complexo industrial em Estrela, a 115 quilômetros da capital Porto Alegre. A companhia gaúcha já possui uma unidade de esmagamento de soja no município e pretende investir R$ 45 milhões para acrescentar uma fábrica de biodiesel com capacidade de produzir 234 milhões de litros. Segundo previsões divulgadas pela empresa, as novas unidades industriais deverão incrementar o faturamento do grupo em R$ 550 milhões anuais.
Já a Granol havia feito seu movimento no tabuleiro um pouco antes, e se tornou a líder isolada do mercado nacional de biodiesel. No começo de outubro, o grupo negociou com a Oleoplan a compra da usina de biodiesel de Porto Nacional (TO), que já pertenceu à Brasil Ecodiesel. Antes mesmo da transferência de titularidade da planta ser oficializada, no dia 5 de novembro, a empresa já estava anunciando planos de colocar R$ 300 milhões num plano de expansão que inclui uma unidade de esmagamento e uma ampliação da capacidade produtiva, que hoje é de 129,6 milhões de litros.
Depois dessa compra, a Granol se tornou dona de três fábricas de biodiesel – Cachoeira do Sul (RS), Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO) – que, juntas, podem fabricar quase 837,5 milhões de litros por ano. Com isso, a empresa passou a ser a maior produtora de biodiesel do país.