Catalisadores Homogêneos e Heterogêneos para a Esterificação de Ácidos Graxos
Catalisadores Homogêneos
e Heterogêneos para a
Esterificação de Ácidos Graxos
BiodieselBR.com ··7 min de leitura
Texto
Donato A. G. Aranda (Greentec/UFRJ) e Paulo A. Z. Suarez (LMC-UnB)
Nas últimas três décadas a crise do petróleo
tem se agravado, não só pelas crises políticas
conjunturais mas também pelo aumento
da demanda mundial por energia e
combustíveis líquidos e por uma diminuição nas
reservas globais de petróleo. Além disso, uma
crescente conscientização sobre os danos ambientais
provocados pela queima de combustíveis
fósseis tem ocorrido, gerando uma demanda
por sua substituição. Esses fatores têm levado o
Brasil e o mundo a uma busca por fontes alternativas
de energia. Nesse contexto, o estudo do
uso de biomassa tem um papel de destaque e
foi intensificado depois da segunda metade do
século XX em razão da sua natureza renovável,
ampla disponibilidade e biodegradabilidade [1].
A produção de combustíveis líquidos a partir
de ácidos graxos e seus derivados se apresenta
como uma alternativa elegante para a substituição
de diesel fóssil (derivados de petróleo, gás
natural ou carvão mineral). Por essa razão diversos
países têm lançado programas de produção
e uso de ésteres metílicos ou etílicos de ácidos
graxos, conhecidos como biodiesel [1].
O biodiesel pode ser preparado a partir da
transesterificação de triacilglicerídeos de origem
vegetal ou animal ou da esterificação de ácidos
graxos [2], conforme ilustrado, respectivamente,
nas reações (i) e (ii) mostradas na Figura 1. Dentre
esses processos, o mais utilizado é a alcoólise
de triglicerídeos via catálise básica homogênea,
utilizando álcoois de cadeias curtas (comumente metanol ou etanol) cujos produtos são ésteres
metílicos e etílicos de ácidos graxos e glicerol [1].
No Brasil foi criado o Programa Nacional de Produção
e Uso de Biodiesel (PNPB) [3], visando a
substituição parcial do diesel por biodiesel. Nesse
programa, não há preferência entre nenhuma
das rotas.
O processo de transesterificação alcalina homogênea
requer matérias-primas de alta pureza,
praticamente isentas de ácidos graxos livres, fosfatídeos
e água. Essas impurezas reagem com
os catalisadores básicos tradicionais levando à
formação de sabões, ocorrendo o consumo de
parte do catalisador e exigindo um excesso deste
para garantir uma eficiência catalítica, sem contar
a dificuldade da separação da glicerina e do
biodiesel ao final do processo [4,5]. Por outro
lado, a presença de água favorece também a reação
de hidrólise dos ésteres, triglicerídeos ou
do próprio biodiesel presentes, formando ácidos
graxos, que por sua vez consomem catalisador e
formam mais sabão [1].
Por essa razão, para matérias-primas com
altos teores de ácidos graxos, a esterificação tem
sido apontada como mais eficiente. São reportados
na literatura diversos estudos de sistemas
catalíticos homogêneos e heterogêneos para reações
de esterificação de ácidos graxos [4-10],
sendo, a seguir, relatados alguns resultados obtidos
para a esterificação de ácidos graxos utilizando
catalisadores homogêneos (ácidos sulfúrico,
metanosulfônico, fosfórico e tricloroacético) e
heterogêneos (óxidos de estanho e alumínio).
Na Figura 2 aparecem gráficos relativos
à produção de biodiesel por esterificação em
condições homogêneas usando os catalisadores
ácidos sulfúrico, metanosulfônico, fosfórico
e tricloroacético e sem catalisador. O teste em
branco (sem catalisador) deve ser realizado, uma
vez que os próprios ácidos graxos autocatalisam
a reação, levando à formação de ésteres, mas
com baixos rendimentos. Os testes mostrados
no gráfico da Figura 1, realizados com metanol
anidro, a 130 °C, e na razão molar álcool:ácido
graxo de 3:1, mostram que as melhores conversões
obtidas, tanto para as reações com etanol
anidro quanto para as reações com metanol anidro,
foram com os catalisadores ácido sulfúrico e
ácido metanosulfônico. Uma explicação para os
rendimentos desses dois ácidos serem maiores é
o fato de ambos serem praticamente anidros. Os
ácidos fosfórico e tricloroacético, pelo contrário,
não o são. O ácido fosfórico, por exemplo, apresenta
cerca de 15 % em peso de água. A água
diminui consideravelmente o rendimento da esterificação,
uma vez que essa reação ocorre em
equilíbrio e a água irá deslocar este equilíbrio no
sentido contrário à produção de biodiesel.
A reação de esterificação de ácidos graxos
de soja com metanol anidro foi também testada
utilizando diferentes óxidos metálicos. A 160 °C,
foram obtidos os seguintes rendimentos: 32 %
sem catalisador (teste em branco); 50 % na presença
de alumina dopada com óxido de zinco;
61 % com alumina dopada com óxido de estanho
(II); 69 % com óxido de estanho (II);e 74 % com alumina. Na Figura 3 é mostrado um gráfico
que relaciona o rendimento em biodiesel obtido
pela esterificação de ácidos graxos com metanol
na presença de alumina, óxido de estanho e alumina
dopada com estanho. Verifica-se que para
os três catalisadores estudados é atingida uma
conversão entre 85 % e 90 % após duas horas.
Os resultados obtidos permitem concluir
que tanto ácidos de Brönsted em meio homogêneo
quanto ácidos de Lewis sólidos em sistemas
heterogêneos são ativos para promover
a reação de esterificação de ácidos graxos com
álcool, permitindo a produção de biodiesel a
partir de insumos graxos com altos teores de
acidez. Deve-se salientar que os sistemas ácidos
homogêneos, principalmente o ácido sulfúrico
e o metanosulfônico, apresentam uma atividade
muito superior aos heterogêneos, uma vez
que atingem 90 % de rendimento na metade do
tempo que a alumina e o óxido de estanho (II),
mesmo a uma temperatura 30 °C mais baixa.
Agradecimentos
Os autores agradecem às instituições que financiam
as suas pesquisas em biocombustíveis,
em especial Finatec, FBB, FAP-DF, Faperj, MDA,
MCT, CNPq e Finep, e ao CNPq pelas bolsas de
pesquisa.
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Os artigos técnicos devem ser encaminhados para o e-mail biodiesel@biodieselbr.com
Referências Bibliográficas
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