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Volume de biodiesel contratado no 1º bimestre NÃO foi de 1,3 bilhões de litros

Volumes publicados e informados pela ANP não refletem a realidade

BiodieselBR.com 4 min de leitura

Ontem a ANP publicou os dados de contratação de biodiesel para o primeiro bimestre do ano. Na sequência a assessoria de imprensa da agência publicou um release sobre os dados que foi replicado por vários meios de comunicação. A informação principal era que haviam sido contratados 1,3 bilhões de litros de biodiesel, o que corresponderia a uma demanda 50% maior que a prevista pela agência para o biocombustível.

Contudo os dados estão errados. Nos parágrafos abaixo você saberá o volume correto, qual usina e distribuidora erraram.

Ontem a ANP publicou os dados de contratação de biodiesel para o primeiro bimestre do ano. Na sequência a assessoria de imprensa da agência publicou um release sobre os dados que foi replicado por vários meios de comunicação. A informação principal era que haviam sido contratados 1,3 bilhões de litros de biodiesel, o que corresponderia a uma demanda 50% maior que a prevista pela agência para o biocombustível.

Só que o valor publicado pela ANP está errado. O volume correto é 957.030 m³ de biodiesel contratados e não 1.293.974 m³. Tudo indica que o erro foi cometido por uma usina e uma distribuidora que usaram litros ao invés de m³ na hora de cadastrar o contrato.

Olhando os volumes contratados pelas usinas é fácil perceber que alguma coisa não está certa. Isso por que a empresa que teve mais volume contratado é a Cereal e ela não figura entre as empresas com maior capacidade de produção. O volume reportado como contratado pela Cereal para o primeiro bimestre do ano é de 339.822 m³, só que a capacidade de produção bimestral da empresa é de 36 mil m³. Não é possível crer que não se trata de um erro de digitação, já que o volume reportado é 9,44 vezes maior que o volume máximo que a empresa consegue produzir.

O mesmo tipo de discrepância é encontrado nos dados das distribuidoras. A Liderpetro tinha como meta contratar 337 m³ de biodiesel, mas reportou ter contratado 337.280 m³. Um volume 1000 vezes maior que sua meta. Como 1 m³ são mil litros fica claro que a distribuidora colocou os valores contratados em litros e não em m³.

Diminuindo o volume reportado pela distribuidora por mil, chegamos ao volume que muito provavelmente é o que realmente foi contratado, 337 m³, o que dá uma diferença entre o volume real e o reportado de 336.943 m³. Esse número é o que deve ser diminuído do volume reportado pela Cereal para se chegar ao volume contratado pela empresa. Assim, ao invés de ter contratado 339.822 m³ a Cereal vendeu 2.879 m³ de biodiesel.

Esse erro serviu para deixar ainda mais claro como o sistema de comercialização de biodiesel funciona. A ANP publicou os dados reportados por usinas e distribuidoras sem qualquer tipo de filtro ou cruzamento de dados. Como a ANP não vai olhar os contratos, qualquer número informado está valendo, mesmo que esteja muito acima da capacidade de produção da usina ou da meta de contratação da distribuidora. Isso pode abrir ainda mais espaço para contratos fictícios cujo único objetivo é ser apresentado na ANP, sem qualquer intenção de ambas as partes de comercializar biodiesel.

Outra prova que os dados não passaram por qualquer filtro é o fato da Cofco ter sido apresentada como uma usina sem meta de contratação. A Cofco aparece na lista de empresas que devem contratar biodiesel com um volume de 36.560 m³, mas na lista de usinas que contrataram ela aparece com um volume contratado de 41 mil m³, mas sem meta.

Isso muito provavelmente aconteceu porque a Cofco mudou seu CNPJ em dezembro, com alteração em sua autorização na ANP. O sistema da ANP cruzou a raiz do CNPJ da tabela de metas com a raiz do CNPJ da tabela de biodiesel contratado e não achou o antigo CNPJ da Cofco e então uma usina em funcionamento desde 2013 foi apresentada como uma nova usina de biodiesel, e consequentemente, sem metas.

O novo modelo de comercialização já começa a mostrar sinais que precisará de ajustes.

Veja aqui a tabela com os volumes contratados pelas distribuidoras e aqui os volumes contratados pelas usinas.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com

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