Produção de biocombustíveis no mundo avançou 3,5% em 2015
Segundo um relatório da REN 21, em 2015, a produção global de biocombustíveis teve avanço de 3,5%. O biodiesel, no entanto, teve uma ligeira queda.
BiodieselBR.com ··5 min de leitura
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O ano passado não foi de todo ruim para a indústria mundial de biocombustíveis que registrou um avanço de 3,5% na produção em relação a 2014. No total, foram fabricados 133,3 bilhões de litros. O dado vem da mais recente atualização do Relatório de Status Global produzido pela Rede de Políticas de Energias Renováveis para o Século 21 (REN 21, na sigla em inglês).
O ano passado não foi de todo ruim para a indústria mundial de biocombustíveis que registrou um avanço de 3,5% na produção em relação a 2014. No total, foram fabricados 133,3 bilhões de litros. O dado vem da mais recente atualização do Relatório de Status Global produzido pela Rede de Políticas de Energias Renováveis para o Século 21 (REN 21, na sigla em inglês).
Esse avanço aconteceu mesmo num ambiente que pode ser considerado pouco hospitaleiro para com os biocombustíveis, uma vez que o ano foi passado foi marcado por uma queda histórica nas cotações de petróleo. Do começo até final de 2015, o barril do óleo tipo Brent perdeu mais de um terço de seu valor – 33,9% – o que contribuiu para derrubar os preços dos derivados mundo afora, reduzindo a competitividade dos renováveis.
Em grande parte, o nível de produção dos biocombustíveis foi mantido graças à ampliação de políticas de mistura obrigatória. A contagem de países com políticas oficiais de energias renováveis para o segmento de transportes subiu de 64 em 2014 para 66 no ano passado – há apenas quatro anos eram 56 países.
Biodiesel
Infelizmente, os fabricantes de biodiesel ficaram de fora da festa: para eles o ano foi terminou com uma retração pouco inferior a 1% em relação a produção de 2014. Um verdadeiro banho de água fria depois do mercado ter apresentado um crescimento de 13% entre 2013 e 2014.
O mal resultado se deve principalmente as quedas no volume produzido pela Argentina e Indonésia. Ambos tiveram suas indústrias duramente afetadas pela contração nas vendas internacionais depois que a União Europeia puniu passou a tarifar as exportações desses dois países. No caso da Indonésia, a contração ultrapassou os 41% indo de 2,9 bilhões de litros em 2014 para 1,7 bilhão de litros no ano passado.
Enquanto isso, o etanol avançou 4% e bateu seu recorde anual de produção com 98,3 bilhões de litros fabricados. Já o HVO – que disputa mercado com o biodiesel como uma versão limpa do óleo diesel mineral –uma teve um ano espetacular e cresceu 22%. Foram fabricados 4,9 bilhões de litros do produto.
Os Estados Unidos é, de longe, o maior produtor global de biocombustíveis. Sozinho, o país detém 46,5% do mercado global com um total de 62,1 bilhões de litros o que lhe garante liderança folgada tanto em etanol quanto em biodiesel – o mercado de HVO é a única exceção sendo liderado pela Holanda com uma produção de 1,7 bilhão de litros.
O Brasil é o único país capaz de se colocar como um competidor na mesma categoria. Contudo, com uma produção de 32,2 bilhões de litros – 28,2 bilhões de litros de etanol e cerca de 4 bilhões de litros de biodiesel – ele fica ainda muito atrás dos EUA.
Para dar uma ideia do tamanho distância as indústrias de biocombustíveis do Brasil e dos Estados Unidos para o restante do mundo, basta ter em mente que o terceiro colocado no ranking elaborado pela REN21 é a Alemanha que produziu um total de 3,8 bilhões de litros – 900 milhões de litros de etanol e pouco mais de 2,8 bilhões de litros de biodiesel [veja tabela no final desse texto].
E essa liderança tem tudo para se manter. Estados Unidos e Brasil – nessa ordem – também dominam liderança do ranking de novos investimentos em biocombustíveis. Embora o relatório destaque que os investimentos no ano passado foram limitados pela baixa utilização da indústria. Globalmente, a capacidade instalada chega a 209 bilhões de litros o que – considerando a produção do ano passado – garante um grau de ociosidade médio da ordem de 35%.
Apesar disso, o segmento dos chamados biocombustíveis avançados ou de 2ª geração – que são fabricados a partir de tipos de biomassas que, hoje, são vistas como rejeitos – tem atraído novos investimentos. Recentemente a petroleira francesa Total gastou US$ 220 milhões para converter uma refinaria ociosa em La Mede para a produção de diesel renovável.
BioQAV
Os bioquerosenes (bioQAVs) para o setor de aviação também estão mais próximos da maturidade. Até meados do ano passado haviam sido realizados mais de 2 mil voos usando misturas de até 50% de biocombustíveis em suas turbinas.
Nos Estados Unidos a United Airlines deu um passo adiante e anunciou que deixaria de usar biocombustíveis apenas de forma experimental e passaria a incluí-los em suas operações comerciais de forma rotineira.
Ao longo do ano passado, a Marinha dos Estados Unidos também começou a preparar o terreno para o lançamento da Grande Esquadra Verde, iniciativa que pretende colocar os biocombustíveis de vez na rotina das forças armadas norte-americanas.
O resumo executivo do relatório da REN 21 (em inglês) pode ser acessado clicando aqui.