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Entregas de biodiesel foram 10,3% menores em 2022

Volume de biodiesel que foi efetivamente entregue pelos fabricantes foi 705 mil m³ menor do que havia sido em 2021

BiodieselBR.com 5 min de leitura

Não foi apenas a produção das usinas que encolheu no ano passado. As entregas de biodiesel também sofreram um baque e tanto. Dados recentes da ANP mostram que os fabricantes declararam entregas um pouco maiores que 6,11 milhões de m³ de biodiesel. Esse volume é aproximadamente 10,3% inferior ao que havia sido reportado no ano passado.

O tombo foi consideravelmente maior do que o visto na produção. De acordo com os dados oficiais, as usinas fabricaram 7,1% a menos de um ano para o outro. Somando tudo, as entregas de biodiesel em 2022 foram 705 mil m³ menores do que haviam sido em 2021.

O volume entregue também é aderente com aquele que seria necessário para atender à demanda do mercado. Os dados mais recentes da ANP mostram que a demanda de óleo diesel B do ano passado foi de 63,2 milhões de m³ o que – descontado o diesel naval – gerou demanda de quase 6,2 milhões de m³ de biodiesel puro.

Não foi apenas a produção das usinas que encolheu no ano passado. As entregas de biodiesel também sofreram um baque e tanto. Dados recentes da ANP mostram que os fabricantes declararam entregas um pouco maiores que 6,11 milhões de m³ de biodiesel. Esse volume é aproximadamente 10,3% inferior ao que havia sido reportado no ano passado.

O tombo foi consideravelmente maior do que o visto na produção. De acordo com os dados oficiais, as usinas fabricaram 7,1% a menos de um ano para o outro. Somando tudo, as entregas de biodiesel em 2022 foram 705 mil m³ menores do que haviam sido em 2021.

O volume entregue também é aderente com aquele que seria necessário para atender à demanda do mercado. Os dados mais recentes da ANP mostram que a demanda de óleo diesel B do ano passado foi de 63,2 milhões de m³ o que – descontado o diesel naval – gerou demanda de quase 6,2 milhões de m³ de biodiesel puro.

Para zerar as contas ficam faltando um pouco menos de 85,3 mil m³ de biodiesel, cerca de 1,4% a quantidade entregue.

Considerando somente os valores médios reportados semanalmente pela ANP ao longo do ano passado e os volumes entregues, as vendas de biodiesel renderam aproximadamente R$ 39 bilhões às usinas ao longo do ano passado. Apesar do volume menor entregue, esse montante supera os R$ 36,9 bilhões em receitas que as vendas de biodiesel geraram para os fabricantes em 2021. Esses números não incluem a receita gerada com o ICMS.

Desempenho

Em termos gerais, o setor desempenhou bem. As entregas equivaleram a 97,9% dos 6,24 milhões de m³ de biodiesel que haviam sido contratados entre usinas e distribuidoras. O desempenho das entregas, no entanto, esteve longe de ser homogêneo ao longo do ano.

Bem na virada do ano quando o sistema de leilões de lugar ao de livre contratação, as entregas ficaram mais ou menos em linha com o que vinham registrando no período com leilões, com 93,4%. Nos bimestres seguintes, o desempenho da cadeia melhorou a ponto de as entregas chegarem a superar a marca de 100% tanto no 2B e quanto no 3B.

Depois disso, contudo, houve uma guinada para pior e estamos encerrando o ano com as entregas de volta aos mesmos 93,4% em relação aos 1,09 milhão de m³ (após correção) que haviam sido contratados no 6B para atender à demanda esperada.
Em termos de volume de biodiesel efetivamente entregue, o ápice do ano foi o 4B quando as usinas afirmam ter movimentado um pouco menos de 1,1 milhão de m³ de B100 no mercado.

Geografia do biodiesel

O mapa das entregas de biodiesel não difere muito do mapa da produção do biocombustível. O mercado foi liderado pelas usinas do Rio Grande do Sul que apontaram entregas de 1,49 milhão de m³. Bem afrente do vice-líder – o Mato Grosso que 1,02 milhão de m³.

No ranking das usinas, os dois primeiros lugares ficaram com a BSBios. Marialva (PR) ocupou o topo do pódio com 431,8 mil m³ em entregas, enquanto Passo Fundo (RS) reportou vendas de aproximadamente 423,9 mil m³.

Em terceiro lugar, a Potencial Biodiesel cuja usina em Lapa (PR) vendeu o equivalente a 386,3 mil m³.

Inconsistências

Apesar dos números reportados pelas usinas apontarem para um mercado em bom funcionamento, há uma inconsistência crônica entre este e os dados reportados pelos distribuidores a respeito dos volumes de biodiesel recebidos em suas bases.

De acordo com esse outro conjunto de números, apenas 5,68 milhões de m³ de biodiesel foram recepcionados aos distribuidores. São 430 mil m³ a menos do que as usinas haviam reportado.

Diferenças entre nos volumes reportados por usinas e distribuidores são uma constante do setor. Desde que os números dos dois lados do balcão passaram a ser divulgados em 2010, apenas em 2021 tivemos um alinhamento praticamente perfeito.

Mesmo assim, os resultados do ano passado divergem do normal. Primeiro porque geralmente as distribuidoras reportam ter recebido mais biodiesel do que as distribuidoras entregaram. Dessa vez foi o contrário.

Além disso, as discrepâncias costumam ser pequenas. Nos últimos 10 anos, a maior distância entre entregas e recebimentos foi em 2018 quando ficou em 99,4 mil m³ – menos de 2% das entregas reportadas pelas usinas. Este ano, a distância chega a 7%.

Também chama a atenção o fato de que diferença parece ir se ampliando ao longo do ano – especialmente a partir de agosto. Em dezembro, por exemplo, as distribuidoras reportaram o recebimento de 420,4 mil m³ de biodiesel contra 498,5 mil m³ cujo embarque foi informado pelas usinas. A diferença entre um e outro chega perto de 15,7%.

BiodieselBR.com enviou questionamentos à ANP sobre o motivo da diferença, mas até a publicação desse texto não obteve retorno.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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