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MAPA aponta para crescimento robusto na oferta de soja e sebo

Números reunidos pelo MAPA na nova edição do relatório Brasil Projeções do Agronegócio mostram a oferta de soja e sebo robusta pelos próximos anos.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Matéria-prima não deve ser problema para a indústria biodiesel do Brasil. Pelo menos não segundo os números reunidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na edição preliminar do relatório Brasil Projeções do Agronegócio que foi publicada nessa última sexta-feira (21). O texto compila as projeções oficiais do governo brasileiro sobre a expansão dos principais produtos da agropecuária brasileira entre as safras 2016/17 e 2026/27.

Matéria-prima não deve ser problema para a indústria biodiesel do Brasil. Pelo menos não segundo os números reunidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na edição preliminar do relatório Brasil Projeções do Agronegócio que foi publicada nessa última sexta-feira (21). O texto compila as projeções oficiais do governo brasileiro sobre a expansão dos principais produtos da agropecuária brasileira entre as safras 2016/17 e 2026/27.

No que diz respeito às perspectivas de oferta de longo prazo das duas principais matérias-primas do biodiesel – o óleo de soja e o sebo bovino – as notícias são bastante positivas. De acordo com o MAPA produção anual de soja em grão pode crescer até 55% enquanto a de carne bovina vai avançar até 47% no período analisado.

Ano passado, o óleo de soja respondeu por 76,5% do biodiesel fabricado no país enquanto o sebo ficou com pouco mais de 15,5%. Foram, respectivamente, 2,91 bilhões de litros de biodiesel de soja e 593 milhões de litros de biodiesel de sebo.

Soja

Segundo a Conab, na temporada atual foram colhidas 113 milhões de toneladas do grão. Para a safra 2026/2027 as projeções variam entre 117,5 e 175,2 milhões de toneladas.



A expansão será puxada principalmente pela ampliação da área reservada à oleaginosa que vai passar de 33,2 milhões de hectares na safra atual para 43,1 milhões de hectares, uma expansão de 29,8% acumulada no periodo. Esse será o maior avanço dentro do grupo grãos – que reúne, além da soja, arroz, feijão, milho e trigo – cuja área plantada deverá avançar 18,8% no mesmo período e atingir 66,7 milhões de hectares.

Com isso, a soja deverá ampliar sua já ampla liderança como produto agrícola mais cultivado no Brasil. Atualmente, a oleaginosa ocupa 59,2% da área total dedicada aos grãos acompanhados pelo MAPA. O percentual deverá chegar a 64,7% até 2027.



O Mato Grosso continuará sendo o líder disparado em área plantada de soja. Nos próximos anos os sojicultores mato-grossenses devem acrescentar mais 3,4 milhões de hectares à suas lavouras totalizando 12,7 milhões de hectares plantados. Já o Paraná deverá pisar no acelerador e superar o Rio Grande do Sul como segundo maior estado produtor – serão 6,6 contra 6,5 milhões hectares dedicados à cultura.

A grande novidade, porém, virá de estados das regiões Norte e Nordeste que terão ritmos de expansão da área dedicada à soja muito superiores aos de áreas consolidadas. Entre os estados destacados pela MAPA, Pará e Roraima terão a maior expansão relativa de suas lavouras com 78,8% e 65,4% respectivamente.

Produtividade

Já a produtividade da soja deve ficar praticamente estagnada. A expectativa é de um avanço de meros 1,8% de hoje até 2027 – de 3,34 para 3,4 toneladas por hectare (t/ha).



É o menor avanço entre todo o grupo grãos. No mesmo periodo, o arroz deverá mais do que dobrar sua produção por hectare indo de 6,1 t/ha para praticamente 13 t/ha

Também é uma desaceleração significativa em relação ao ritmo de expansão que a cultura da oleaginosa vinha apresentando até agora. Nas últimas 10 safras – 2007/08 a 2016/17 – a produtividade da soja avançou 1,8% ao ano.

Processamento

O mercado internacional prosseguirá ganhando força como o destino mais importante para a soja brasileira. De acordo com o centro das projeções do MAPA, a exportação vai absorver 57,4% da colheita na safra 2026/27 – hoje são 55,7%. Em termos absolutos serão mais de 84,1 milhões de toneladas embarcados para fora do país ao final do período.



Segundo o MAPA, a produção de óleo deverá ficar entre 8,5 e 12,2 milhões de toneladas sendo que o centro da projeção é de 10,4 milhões de toneladas o que dá, aproximadamente, 24% mais do que o volume de óleo de soja que deverá ser produzido no Brasil este ano.



Praticamente todo esse óleo adicional permanecerá no mercado nacional uma vez que as projeções apontam que o volume de óleo exportado ficará estável em 1,5 milhão de toneladas ao longo de todo o periodo. Já o consumo interno sairá de 6,8 para 8,7 milhões de toneladas.



O mercado interno absorverá 84,2% da produção nacional de óleo de soja, cerca de três pontos percentuais acima do nível atual.

Sebo

Não vai ser apenas a soja que vai avançar. O MAPA também aposta que a produção de carne bovina no Brasil sairá dos atuais 9,5 milhões de toneladas para 11,4 milhões de toneladas em 2026/27. Se tudo correr realmente bem, a expansão será até maior chegando a praticamente 14 milhões de toneladas.



Com isso, a oferta de sebo bovino no mercado brasileiro deverá aumentar, acompanhando o número de abates.

A produção de carne de frango e de carne de porco – que, embora em grau menor também geral gordura para a produção de biodiesel – também avançarão. Pelo centro da meta, teremos 33,4% mais abates de frangos e 28,6% de suínos na temporada 2026/27.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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