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Sindicatos reclamam de falta de comunicação por parte da PBio

Os sindicatos que representam os trabalhadores da Petrobras dizem que têm sido mantidos no escuro sobre o que o futuro reserva aos funcionários da PBio.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Os sindicatos que representam os trabalhadores da Petrobras dizem que têm sido mantidos no escuro a respeito do que o futuro reserva aos funcionários da Petrobras Biocombustível (PBio) agora que o grupo decidiu abandonar a produção de biocombustíveis. “Eles tomam as decisões e nos avisam só de uma hora para outra. Foi como aconteceu o fechamento de Quixadá”, reclama Valter Paixão.

Os sindicatos que representam os trabalhadores da Petrobras dizem que têm sido mantidos no escuro a respeito do que o futuro reserva aos funcionários da Petrobras Biocombustível (PBio) agora que o grupo decidiu abandonar a produção de biocombustíveis. “Eles tomam as decisões e nos avisam só de uma hora para outra. Foi como aconteceu o fechamento de Quixadá”, reclama Valter Paixão.

É dessa forma que o secretário-geral do Sindicado dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro BA) resume a dificuldade de interlocução. Ele fala com conhecimento de causa, Valter trabalha há 8 anos na usina de biodiesel de Candeias (BA).

A mesma reclamação vem de todas as partes. “A nossa interlocução com a direção tem sido zero nesse aspecto, a gente sabe o que sai na mídia”, reclama Anselmo Luciano da Silva Braga, um dos diretores do Sindipetro/MG que representa os trabalhadores da usina de biodiesel de Montes Claros.

Nesse contexto, resta aos sindicatos correrem atrás da companhia. “A gente é que tem feito um esforço para haja alguma interlocução”, resume o coordenador-geral do Sindipetro BA, Deyvid Bacelar.

Quixadá

Anunciado há cerca de três semanas, o encerramento da produção na usina de Quixadá (CE) foi, até esse momento, a medida mais radical anunciada pela estatal. A planta foi desativada hoje. Conforme BiodieselBR.com apurou, o aviso aos funcionários a respeito do fechamento foi feito apenas no dia 06 – um dia antes da direção da companhia fazer seu anúncio de forma pública.

Segundo Douglas Uchôa que é diretor do Sindipetro do Ceará e Piaui não houve nenhum sinal que permitisse antecipar o destino da unidade. “[A usina de Quixadá] estava operando à plena capacidade”, afirmou em e-mail enviado em resposta à questionamentos feitos por BiodieselBR.com acrescentando que a falta de uma comunicação mais aberta inviabilizou que os trabalhadores da planta pudessem aproveitar o Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV).

Nos últimos dois anos, conta Douglas, o número de funcionários da planta vinha sendo reduzido, processo que, segundo ele, foi intensificado nos últimos seis meses. As explicações, no entanto, sempre foram “a necessidade de reduzir custos para manter a usina viável” em função do preço pouco favorável pago para trazer as matérias-primas necessárias ao funcionamento da planta de fora do estado. Nada, segundo ele, que indicasse um fechamento definitivo.

A falta de lucratividade tem sido um problema sério para a Petrobras no negócio de biocombustíveis. Desde que entrou no ramo, em 2010, a petroleira não teve lucro um trimestre sequer e já acumula perdas de mais de R$ 2,1 bilhões [veja gráfico]. Apesar disso, os sindicatos veem com maus olhos uma decisão que segundo eles vai aumentar a exposição da empresa aos humores – quase sempre turbulentos – do mercado de petróleo. “A gente entende que, ao fazer isso, a Petrobras vai aumentar o risco de sofrer impactos das flutuações do petróleo”, critica Valter considerando que o setor de biocombustíveis é estratégico e reúne boas condições de continuar crescendo nos próximos anos graças ao impulso criado pela confirmação do Acordo de Paris. No Brasil, temos a Lei 13.263/2016 que determina a implantação do B10 até março de 2019. “A Petrobras está cavando coisas negativas para seu futuro”, pondera.



Nenhum dos entrevistados nega que a PBio enfrenta problemas e precisa de um ajusta em seu plano de negócios. Segundo eles, entretanto, as perdas estão concentradas mais em outros ativos do que na produção de biodiesel. “Esses ativos só têm dado prejuízo. Essa é a questão”, ressalta Deyvid. Já no caso da usina de Quixadá, ele destaca que seria possível promover modificações. “Precisaria de uma readequação da logística de fornecedores e manter os investimentos no desenvolvimento da agricultura familiar para que o ativo passasse a dar lucro”, completa.

Uma opinião que é reforçada por Douglas que acrescenta que faltou esforço para buscar alternativas menos radicais. “Não houve qualquer empenho por parte da empresa ou do governo do estado de buscar soluções para manter a usina em funcionamento”, pontua.

Na semana retrasada, o governo do estado anunciou que procuraria a direção da PBio para debater alternativas ao fechamento inclusive acenando com novos incentivos fiscais.

Transferências

Com o fechamento de Quixadá, os funcionários concursados serão remanejados. Os que são Petrobras, mas se encontravam cedidos à PBio devem ir para refinarias do grupo enquanto os concursados da própria PBio serão transferidos para as outras duas unidades da subsidiária. Valter Paixão, do Sindipetro BA, informa que a maioria dos operários que hoje estão em Quixadá devem ir para Candeias.

Segundo o entrevistado, mesmo na eventualidade da liquidação definitiva da subsidiária, a convenção coletiva dos petroleiros protege esses empregos. “O nosso entendimento é que os trabalhadores da PBio teriam que ser transferidos para a Petrobras”, diz. Um levantamento elaborado pelo Instituto Teotônio Vilela em julho passado, a folha de pagamento da PBio foi de R$ 100,7 milhões no ano passado [veja gráfico].



Já os terceirizados não têm a mesma sorte e devem ser todos demitidos. Mesmo em Candeias que, em tese, está operando normalmente está havendo cortes nos terceirizados. “Não teria porque reduzir, mas uma empresa de manutenção que presta serviço para Candeias está demitindo e imagino que a mesma coisa esteja acontecendo em Montes Claros”, informa ressaltando que essas demissões estão afetando a capacidade operacional da planta baiana.

“Quando você tira o pessoal de manutenção, os equipamentos passam a deteriorar e são equipamentos bastante caros, de última geração”, arremata.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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