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Rossetto defende compra de metade da BSBios em audiência pública

Rossetto AudienciaPublica_181213O presidente da PBio, Miguel Rossetto, participou ontem (17) de audiência pública convocada para debater a a compra de 50% da BSBios.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O presidente da PBio, Miguel Rossetto, participou ontem (17) de audiência pública convocada para debater a a compra de 50% da BSBios.

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O presidente da Petrobras Biocombustível e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, esteve ontem (17) na Câmara dos Deputados para participar de uma audiência pública que questiona a compra de 50% da BSBios pela subsidiária da Petrobras. A audiência aconteceu na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e foi convocada pelo deputado federal Luiz Carlos Heinze (PP/RS). Há alguns meses o deputado vem questionando a lisura dos negócios realizados entre 2009 e 2011.

Em novembro de 2009, a Petrobras Biocombustível comprou metade da usina de biodiesel em Marialva (PR) que a BSBios havia adquirido da Agrenco poucos meses antes. Em meados de 2011, a Petrobras Biocombustível aprofundou sua relação com a BSBios ao adquirir metade da usina de Passo Fundo (RS). A conta total desses dois negócios foi de R$ 255 milhões, valor que despertou a desconfiança do parlamentar.

“Como empresário, eu não faria esse negócio e outros empresários do ramo de biodiesel e do processamento de soja que consultei também acharam o valor muito alto”, atacou Heinze. O deputado lembrou ainda dos recentes escândalos envolvendo a construção da Refinaria de Abreu e Lima – cujo orçamento inicial era de US$ 2,5 bilhões mas acabou custando mais de US$ 17 bilhões – e da suspeita de má gestão na aquisição de uma refinaria nos Estados Unidos que terminou com um prejuízo bilionário. “A nossa preocupação é o dinheiro público”, reclamou.

Heinze apresentou ainda um orçamento indicando que uma usina de biodiesel nova com capacidade para fabrica 159 milhões de litros de biodiesel estaria orçada em R$ 200 milhões. Muito menos que a Petrobras pagou por apenas 50% do controle da BSBios.

Além disso, ele apresentou uma reportagem do Valor Econômico que afirmava que a usina de Marialva havia sido avaliada em R$ 23 milhões por uma consultoria na época em que a usina foi adquirida da Agrenco pela BSBios. “Que a BSBios tenha colocado mais uns R$ 10 ou R$ 15 milhões, eu entendo. Mas eu custo a entender como ela passou a ser avaliada em R$ 100 milhões”, admira-se.

Defesa
Durante a audiência em Brasília (DF), Rossetto defendeu a lisura de ambos os negócios. Segundo o executivo da PBio, a empresa já contava com usinas no Ceará, Bahia e Minas Gerais e queria colocar um pé na Região Sul. Por isso, a aquisição de 50% de Marialva parecia uma excelente oportunidade. “Na época o Paraná não contava com nenhuma usina de biodiesel e é vizinho do maior mercado consumidor do Brasil que é São Paulo”, justificou. A afirmação contudo não é verdadeira. Na época o estado contava com a usina Biopar em pleno funcionamento e ainda uma das primeiras usinas do Brasil, a Biolix. A usina de Marialva foi a primeira grande usina do estado.

Já a aquisição posterior de metade da usina em Passo Fundo (RS) foi um movimento estratégico que permitiu à Petrobras Biocombustível ter acesso facilitado à produção da agricultura familiar gaúcha.

Rossetto também assegurou que todos os investimentos feitos pelo grupo Petrobras atendem a critérios técnicos. “Nossos investimentos são decididos usando uma metodologia de fluxo de caixa”, contou. Ainda acrescentou que os negócios só puderam ser fechados depois de uma análise técnica da capacidade de geração de caixa e retorno de longo prazos e depois das diversas instâncias de decisão da Petrobras – incluindo aí a diretoria e o conselho – terem dado seu aceite.

Diferença dos ativos
Segundo o executivo a diferença entre os dois ativos – Marialva e Passo Fundo – está na base da diferença de preço pago. Enquanto a unidade em Marialva estava em estado pré-operacional, a de Passo Fundo incluía uma unidade de esmagamento, instalações mais completas, estoques de matéria-prima e capital de giro. “São ativos e realidades diferenciada e, portanto, valores diferenciados. Estamos certos de que os investimentos foram justificados e os resultados tem demonstrado a qualidade desse investimento”, resumiu acrescentando que é difícil comparar o valor real dos ativos sem toda a informação relevante.

“Precisa entender o que esse ativo vai agregar ao negócio o que é algo complexo e sofisticado”, prosseguiu garantindo que além de todos os controles da Petrobras. O negócio com Passo Fundo foi alvo de auditoria da PricewaterhouseCoopers – uma das maiores empresas de auditoria do mundo.

Rossetto encerrou sua participação convidando os parlamentares a visitares as duas usinas. “São dois dos melhores ativos de produção de biodiesel em escala mundial”, disse confiante.

O vídeo da audiência pública pode ser acessada clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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