BiodieselBR
Publicidade

PBio fechou 2017 com lucro de R$ 158 milhões

Ganhos financeiros da PBio no ano passado mascararam o fato da empresa continuar perdendo dinheiro em suas operações e investimentos

BiodieselBR.com 4 min de leitura

Finalmente no azul. De acordo com as informações de seu mais recente relatório de demonstrações contábeis, a Petrobras Biocombustível (PBio) encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 158,8 milhões. Essa é o primeiro resultado positivo que a subsidiária de biocombustíveis pertencente à Petrobras apresenta desde sua criação.

Finalmente no azul. De acordo com as informações de seu mais recente relatório de demonstrações contábeis, a Petrobras Biocombustível (PBio) encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 158,8 milhões. Essa é o primeiro resultado positivo que a subsidiária de biocombustíveis pertencente à Petrobras apresenta desde sua criação.

Apesar dessa aparente mudança nos ventos, desde que os primeiros resultados da companhia foram publicados – em 2011 –, a PBio já perdeu o equivalente a R$ 2,69 bilhões.

O rombo fica ainda maior se olharmos os balanços da Petrobras. Neles, todos os negócios da petroleira envolvendo biocombustíveis acumulam perdas de R$ 3,2 bilhões desde 2010. A sequência de maus resultados levou a petroleira a decidir se desfazer de todos os seus negócios no setor como parte do pacote desinvestimentos anunciado em setembro de 2016.

Lucrativa?

Embora positivo, o resultado líquido mascara o fato de que a PBio continua perdendo dinheiro quando se considera somente a produção e venda de biocombustíveis – seu negócio principal. Em 2017, as receitas da empresa com a vendas de produtos foi de R$ 682,1 milhões. Só que para fabricar estes mesmos produtos a empresa gastou um pouco mais de R$ 708,3 milhões.

O resultado bruto ficou negativo em R$ 26,2 milhões. Apesar dos pesares, este é o melhor número em sete anos de resultados consolidados e, de fato, mostra que houve uma certa evolução na performance operacional da empresa.

As receitas com as vendas em 2017 foram suficientes para cobrir 96,3% dos custos de produção. Esta é a melhor relação entre esses dois valores desde 2012 e reflete “avanços significativos na performance” das usinas de biodiesel, segundo uma mensagem do presidente da PBio, Ricardo Greenhalgh, anexa ao relatório. “Tornamos o refino de nossas plantas [de biodiesel] mais flexível, criando condições para que pudéssemos diversificar as matérias-primas utilizadas. Com isso, reduzimos custos e aumentamos nossas margens”, informa o executivo.

Além das melhorias nas usinas de Candeias (BA) Montes Claros (MG) que, juntas, entregaram 250,2 milhões de litros e biodiesel em 2017 – cerca de 11,5% mais do que no ano anterior. A PBio também reduziu as perdas com o fim da atividade da planta em Quixadá (CE) cujo processo de desativação iniciado em outubro de 2016 foi finalizado do ano passado.

Fontes financeiras

O que realmente salvou o balanço da PBio em 2017, foram os R$ 286,4 milhões que entraram na legenda “receitas financeiras” do documento. Destes R$ 222,2 tiveram origem em recursos do Programa Repetro e R$ 57,3 milhões saíram de aplicações feitas com os recursos obtidos com a vendas de ativos do setor de etanol.

Ao longo de 2017, a subsidiária da Petrobras de desfez de duas das três sociedades que tinha no segmento. A participação que tinha na Guarani foi vendida para grupo francês Tereos. Já a parte que a PBio tinha da Nova Fronteira foi incorporada pelo grupo São Martinho num negócio que envolveu troca de ações.

A PBio também deixou de fazer novos aportes na Bambui Bioenergia diluindo sua participação de 28,7% para 8,4%.

Investidas

As participações da PBio em outras empresas também não ajudaram. A empresa registrou predas de R$ 85 milhões – aproximadamente 19,6% maior que em 2016. De todas as participações acionárias que a PBio tem em outras empresas, apenas uma terminou o ano passado no azul – a BSBios. 

De acordo com o relatório da PBio, a fabricante de biodiesel encerrou o ano passado com um lucrou um pouco maior que R$ 38,3 milhões. Uma reversão importante sobre as perdas de R$ 41,9 milhões relatadas em 2016.

Dona de duas usinas de biodiesel – Marialva (PR) e Passo Fundo (RS) –, a BSBios entregou 407,3 milhões de litros de biodiesel ao longo do ano passado. O volume representa um aumento de 3,3% sobre as entregas em 2016. Ambas as plantas passaram por processos de ampliação ao longo dos últimos meses elevando em 35,6% a capacidade produtiva da BSBios que, atualmente, é de 576 milhões de litros ao ano.

Desde dezembro passado, a PBio vem prospectando possíveis compradores para a fatia de 50% que detém da BSBios.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

Compartilhar: