BiodieselBR
Publicidade

Força maior na retirada e entrega de biodiesel e a demanda do Leilão

Impactos da epidemia do coronavírus começam a chegar à indústria brasileira de biodiesel

BiodieselBR.com 5 min de leitura

O impacto do coronavírus vai ser sentido por todas as áreas da economia. Pouquíssimas sairão dessa crise com mais recursos do que entraram. No mercado de biodiesel não vai ser diferente. As consequências para o setor começam a aparecer.

Várias distribuidoras, e até mesmo usinas, estão enviando correspondências à Petrobras informando que a pandemia se enquadra na cláusula contratual de força maior e não poderão honrar seus contratos, solicitando que fiquem isentas das penalidades dispostas no contrato. O objetivo das distribuidoras com essa alegação, não é deixar de fazer a mistura obrigatória de 12% no diesel, mas nào precisar comprar mais biodiesel do que a necessária para atender a reduzida demanda de diesel. E do lado das usinas, a intenção é conseguir produzir o que for possível, mas diante da falta de funcionários a produção pode vir a ser comprometida.

O impacto do coronavírus vai ser sentido por todas as áreas da economia. Pouquíssimas sairão dessa crise com mais recursos do que entraram. No mercado de biodiesel não vai ser diferente. As consequências para o setor começam a aparecer.

Várias distribuidoras, e até mesmo usinas, estão enviando correspondências à Petrobras informando que a pandemia se enquadra na cláusula contratual de força maior e não poderão honrar seus contratos, solicitando que fiquem isentas das penalidades dispostas no contrato. O objetivo das distribuidoras com essa alegação, não é deixar de fazer a mistura obrigatória de 12% no diesel, mas nào precisar comprar mais biodiesel do que a necessária para atender a reduzida demanda de diesel. E do lado das usinas, a intenção é conseguir produzir o que for possível, mas diante da falta de funcionários a produção pode vir a ser comprometida.

A Petrobras nesse momento informa que a análise sobre essa possibilidade está sendo analisada pelo departamento jurídico. Extraoficialmente, várias distribuidoras contadas por BiodieselBR.com informaram que já foi sinalizado que a Petrobras vai considerar a atual crise como evento de força maior.

Do lado das usinas que não estão diminuindo a produção por causa da pandemia o problema é grande. Pois além de perder a receita com a venda do produto, vão perder os 300 reais por m³ de multa. Essas usinas já compraram ou se comprometeram em comprar matéria-prima e insumos, já fizeram hedge, enfim, já gastaram esperando uma receita que não vai mais acontecer.

As distribuidoras ouvidas por BiodieselBR.com reportam que até a semana passada a demanda de diesel quase não havia sido afetada, mas que nessa última terça-feira (24) a demanda já havia sido 15% menor que na terça-feira da semana anterior.

Para a distribuidora a situação é ruim também. Elas não têm condições de comprar o biodiesel contratado se não tiverem para quem revendê-lo depois. Só que elas não têm apenas contratos de biodiesel, mas também de etanol, gasolina e diesel. E a pandemia faz com que parte do pessoal que dirige os caminhões e trabalha na ponta da logística não esteja querendo trabalhar. Até o momento, essas faltas têm sido apena um contratempo, mas se a crise se aprofundar, com o esperado aumento no número de mortos, essas faltas podem se tornar um problema bem maior.

Mas a força maior não é só um problema para as retiradas do biodiesel já contratado, é um problema para o leilão de abril, que vai comprar biodiesel para os meses de maio e junho. Em fevereiro, quando o biodiesel que está sendo retirado agora foi negociado, o coronavírus ainda parecia um problema distante. Hoje, já é possível falar em força maior.

E como fica a compra que será feita no próximo leilão? A quarentena já terá acabado? A demanda continuará deprimida? O surto vai se aprofundar exigindo medidas ainda mais estritas de contenção? Haverá ou não algum pacote do Planalto para tentar aquecer a economia? Qualquer previsão feita hoje é puro chute. Há quem diga que esse sistema de quarentena pode ser recorrente. Ficamos algumas semanas em quarentena e outras semanas em livre circulação. Assim a curva não sobe demais e a população vai se imunizando de uma maneira controlada. Mas não há certeza de nada.

Mas as distribuidoras precisam comprar biodiesel para o 3º bimestre no começo de abril, com todas as incertezas. E com a única certeza de que não vão poder usar a cláusula de força maior. Por esse motivo, a estratégia que as distribuidoras ouvidas por BiodieselBR.com estão tendendo a adotar é a de, na dúvida, comprar menos biodiesel. A lógica por traz dessa decisão é que se elas comprarem mais biodiesel que a demanda, elas podem ter que pagar a multa de R$ 300 por m³ não retirado. E se comprarem menos biodiesel que o necessário, elas recorrem ao biodiesel comprado pela Petrobras no leilão de opções, que pode ter um custo maior e uma logística nem sempre favorável, mas cuja diferença de custo final deve ser menor.

Se todas as grandes distribuidoras resolverem reduzir suas compras no leilão e, depois, a demanda de maio e junho acabar sendo normal, os volumes adquiridos pela Petrobras no leilão de opções podem não ser suficientes. Nesse caso a Petrobras terá que fazer um pregão complementar, como já aconteceu em outros anos.

Esse cenário não é bom para as usinas. Uma compra menor no leilão regular – as distribuidoras falam em comprar entre 15 e 20% menos que no ano anterior – faz com que o preço de venda do biodiesel fique muito próximo do custo de produção. E é esse preço que é pago nos leilões de opções, seja ele o regular ou um eventual complementar realizado 45 dias depois do leilão regular.

Essa situação de estresse do sistema mostra que muitas coisas precisam ser acertadas para diminuir os prejuízos de todos os envolvidos na cadeia de combustíveis do Brasil. Agora é o momento de passar pela crise, mas, mais tarde, vai chegar a hora de rever alguns conceitos.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com

Compartilhar: