Petroleira brasileira reportou queda de 3,4% nas vendas do derivado nos três primeiros meses deste ano
A Petrobras está vendendo menos óleo diesel. De acordo com a edição mais recente do Relatório de Produção e Ventas, suas vendas do derivado recuaram cerca de 3,4% nos primeiros três meses de 2024 em relação ao mesmo período do ano passado. Na leitura da petroleira, ao menos parte dessa queda pode ser atribuída ao biodiesel.
O primeiro trimestre (1T) de 2023 foi o último período de vigência da política de cortes na mistura de biodiesel que havia sido implementada pelo governo Bolsonaro. Iniciada em maio de 2021, foram quase dois anos com adição de biodiesel limitada à 10%. Isso durou até abril de 2023 quando a adição voltou a 12% e, em março último, o percentual aumentou para os atuais 14%.
Segundo o relatório da estatal dá a entender, o aumento de quatro pontos percentuais ajudaria e explicar os motivos de suas vendas diárias de diesel terem recuado de 715 para 691 milhares barris – volume equivalente a 10 milhões de m³ – entre o 1T23 e o 1T24.
A Petrobras está vendendo menos óleo diesel. De acordo com a edição mais recente do Relatório de Produção e Ventas, suas vendas do derivado recuaram cerca de 3,4% nos primeiros três meses de 2024 em relação ao mesmo período do ano passado. Na leitura da petroleira, ao menos parte dessa queda pode ser atribuída ao biodiesel.
O primeiro trimestre (1T) de 2023 foi o último período de vigência da política de cortes na mistura de biodiesel que havia sido implementada pelo governo Bolsonaro. Iniciada em maio de 2021, foram quase dois anos com adição de biodiesel limitada à 10%. Isso durou até abril de 2023 quando a adição voltou a 12% e, em março último, o percentual aumentou para os atuais 14%.
Segundo o relatório da estatal dá a entender, o aumento de quatro pontos percentuais ajudaria e explicar os motivos de suas vendas diárias de diesel terem recuado de 715 para 691 milhares barris – volume equivalente a 10 milhões de m³ – entre o 1T23 e o 1T24.
Contrariados
Essa leitura é contestada pelos fabricantes de biodiesel. “Na prática, o aumento da mistura de biodiesel não deve afetar a venda de diesel brasileiro total”, diz uma nota
divulgada ontem (14) pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio).
Segundo a Aprobio o aumento de 2,3% da demanda de nacional de óleo diesel seria suficiente para compensar o avanço na mistura. Dados oficiais da ANP apontam que, no primeiro trimestre, as distribuidoras movimentaram um pouco mais que 15,5 milhões de m³ de óleo diesel B.
De fato, descontado o volume de biodiesel que seria necessário para garantir que todo o diesel terrestre vendido no país atingisse o patamar de mistura exigido por lei – de 12% em janeiro e fevereiro e 14% em março –, a demanda por diesel puro seria de 13,6 milhões de m³, o representa uma queda de apenas 0,7% em relação ao 1T de 2023.
Segundo o diretor superintendente da Aprobio, Julio Cesar Minelli, o biodiesel substitui o diesel importado e não o nacional. “O aumento do teor de biodiesel faz diminuir a necessidade de importação de diesel, uma vez que a capacidade de refino interna não atende à demanda”, explica. “Não há relação entre aumento da mistura e queda das vendas de diesel nacional”, completa.
Entre janeiro e março, o Brasil importou um pouco menos de 3,09 milhões de m³ de óleo diesel – 9,9% abaixo dos 3,44 milhões de m³ registrados no ano anterior
Surfando a onda
A leitura de que os biocombustíveis estão avançando sobre parcelas do mercado de seu principal produto tem levado a Petrobras a manobrar de forma defensiva. Nos últimos meses, a estatal vinha pressionando para que seu diesel coprocessado – o chamado Diesel R – fosse incluído no projeto de lei que cria o Programa Combustível do Futuro. Inicialmente a Petrobras tentou igualar seu produto, que tem uma parcela de material renovável, ao biodiesel e, agora, está mirando no futuro mandato do diesel verde.
Essa disputa foi um dos fatores que desgastou a relação de entre o Planalto e o – agora – ex-presidente da estatal Jean Paul Prates.
Prates será substituído no cargo pela ex-diretora-geral da ANP, Magda Chambriard.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com