Para a glicerina o aumento da mistura obrigatória significará salto no volume para comercialização e uma queda acentuada no preço do coproduto.Para o principal coproduto do biodiesel – a glicerina –, o aumento da mistura obrigatória é visto como uma faca de dois gumes. Por um lado, significará um salto no volume disponível para comercialização, por outro numa queda acentuada no preço do coproduto.
Para o principal coproduto do biodiesel – a glicerina –, o aumento da mistura obrigatória é visto como uma faca de dois gumes. Por um lado, significará um salto no volume disponível para comercialização, por outro numa queda acentuada no preço do coproduto.
“O mercado de glicerina cresceu bastante nos últimos dois anos, existem novos nichos de mercado substituindo produtos de alto valor agregado por glicerina de biodiesel”, pondera Felipe Camargo, gerente da unidade Soapstock & Acid Oils da Aboissa Óleos Vegetais, empresa que comercializa coproduto.
Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) comprovam o salto mencionado por Camargo. Enquanto em 2011 a média de exportações de glicerina ficou pouco acima das 13 mil toneladas, dois anos mais tarde, esse volume havia subido para mais de 15 mil toneladas – um crescimento de cerca de 14% em apenas dois anos.
Para Camargo, a oferta de glicerina gerada pela entrada das novas misturas deverá ser absorvida pelo mercado chinês e pelo próprio mercado interno. “Hoje, eu não acredito que o B7 trará dificuldades na comercialização de glicerina”, afirma.
Superestoques
Mas há quem não sustente o mesmo entendimento. “Esse aumento de mistura acontece em um momento delicado no que concerne à glicerina”, contrapõe Carla Vilas Boas, diretora da Lumina Trading.
Carla admite a existência de um crescimento nas vendas do coproduto, mas alerta que os preços já vêm caindo desde o começo do ano, devido, segundo ela, ao fato dos estoques chineses estarem bastante elevados. Segundo ela, de janeiro a abril deste ano, os volumes de glicerina importados pela China deram um salto significativo em relação ao mesmo período de 2013.
Dados da do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mostram um aumento de quase 30% nas vendas.
“Houve um crescimento de mercado, mas uma boa parte desse volume ainda está estocada, nas mãos de traders que tomaram posições e que, hoje, tem que liquidar o produto com prejuízo”, diz a empresária. “Acho que o mercado chinês está num período de ajuste e teremos alguns desafios para colocar os novos volumes gerados pelo B6 [e pelo B7]. Acredito que haverá uma pressão para redução de preços.”
Qual será o tamanho do tombo é uma questão delicada. Mas se a experiência passada servir como um indicativo pode haver um verdadeiro derretimento. Em 2008 – ano em que a mistura de biodiesel se tornou obrigatória no Brasil com a introdução do B2 – a tonelada de glicerina encerrou o ano valendo, em média, US$ 377,73. Já, em 2009, a cotação caiu para US$ 126,81.
Apenas em 2013 foi que a cotação média se recuperou para patamares próximos aos de 2008.

Camargo, também aposta numa desvalorização imediata da cotação da glicerina ocasionada pelo aumento da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel. Mas crê que, a curto prazo, os preços tendem a se estabilizar, retornando aos patamares atuais. Nos primeiros quatro meses de 2014, a cotação média da tonelada de glicerina ficou em US$ 358,67.
Em relação a projeções de longo prazo, Vilas Boas alega ser impossível traçar qualquer perspectiva. “Vai depender do desempenho de novas plantas de epicloridrina na China”, atribui. A epicloridrina é uma substância que pode ser sintetizada a partir do glicerol e que tem grande uso na produção de resinas epóxi. Outros fatores importantes, segundo ela, serão o desempenho das entregas do biodiesel negociado em leilões na Indonésia e, principalmente, a performance da economia chinesa como um todo.
Concorrência
Para Vilas Boas, embora o Brasil tenha se firmado como um dos maiores exportadores de glicerina para a China —, o país ainda está longe de alcançar a Indonésia, principal exportadora do coproduto para os chineses. “A Indonésia exportou quase que o triplo do volume exportado pelo Brasil nesse período [primeiros quatro meses do ano]”, pontua.
Ela também chama a atenção para as movimentações do governo argentino voltadas a recuperar a indústria de biodiesel. No mês passado, a Casa Rosada cortou quase pela metade as alíquotas incidentes sobre o biocombustível exportado. “Apesar de ser uma medida provisória e da falta de confiança no governo argentino por parte da indústria, ainda assim se espera um aumento das exportações de biodiesel e, consequentemente, da disponibilidade de glicerina”, acredita a empresária.
Cátia Franco – BiodieselBR.com
Para o principal coproduto do biodiesel – a glicerina –, o aumento da mistura obrigatória é visto como uma faca de dois gumes. Por um lado, significará um salto no volume disponível para comercialização, por outro numa queda acentuada no preço do coproduto.
“O mercado de glicerina cresceu bastante nos últimos dois anos, existem novos nichos de mercado substituindo produtos de alto valor agregado por glicerina de biodiesel”, pondera Felipe Camargo, gerente da unidade Soapstock & Acid Oils da Aboissa Óleos Vegetais, empresa que comercializa coproduto.
Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) comprovam o salto mencionado por Camargo. Enquanto em 2011 a média de exportações de glicerina ficou pouco acima das 13 mil toneladas, dois anos mais tarde, esse volume havia subido para mais de 15 mil toneladas – um crescimento de cerca de 14% em apenas dois anos.
Para Camargo, a oferta de glicerina gerada pela entrada das novas misturas deverá ser absorvida pelo mercado chinês e pelo próprio mercado interno. “Hoje, eu não acredito que o B7 trará dificuldades na comercialização de glicerina”, afirma.
Superestoques
Mas há quem não sustente o mesmo entendimento. “Esse aumento de mistura acontece em um momento delicado no que concerne à glicerina”, contrapõe Carla Vilas Boas, diretora da Lumina Trading.
Carla admite a existência de um crescimento nas vendas do coproduto, mas alerta que os preços já vêm caindo desde o começo do ano, devido, segundo ela, ao fato dos estoques chineses estarem bastante elevados. Segundo ela, de janeiro a abril deste ano, os volumes de glicerina importados pela China deram um salto significativo em relação ao mesmo período de 2013.
Dados da do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mostram um aumento de quase 30% nas vendas.
“Houve um crescimento de mercado, mas uma boa parte desse volume ainda está estocada, nas mãos de traders que tomaram posições e que, hoje, tem que liquidar o produto com prejuízo”, diz a empresária. “Acho que o mercado chinês está num período de ajuste e teremos alguns desafios para colocar os novos volumes gerados pelo B6 [e pelo B7]. Acredito que haverá uma pressão para redução de preços.”
Qual será o tamanho do tombo é uma questão delicada. Mas se a experiência passada servir como um indicativo pode haver um verdadeiro derretimento. Em 2008 – ano em que a mistura de biodiesel se tornou obrigatória no Brasil com a introdução do B2 – a tonelada de glicerina encerrou o ano valendo, em média, US$ 377,73. Já, em 2009, a cotação caiu para US$ 126,81.
Apenas em 2013 foi que a cotação média se recuperou para patamares próximos aos de 2008.

Camargo, também aposta numa desvalorização imediata da cotação da glicerina ocasionada pelo aumento da mistura obrigatória do biodiesel ao diesel. Mas crê que, a curto prazo, os preços tendem a se estabilizar, retornando aos patamares atuais. Nos primeiros quatro meses de 2014, a cotação média da tonelada de glicerina ficou em US$ 358,67.
Em relação a projeções de longo prazo, Vilas Boas alega ser impossível traçar qualquer perspectiva. “Vai depender do desempenho de novas plantas de epicloridrina na China”, atribui. A epicloridrina é uma substância que pode ser sintetizada a partir do glicerol e que tem grande uso na produção de resinas epóxi. Outros fatores importantes, segundo ela, serão o desempenho das entregas do biodiesel negociado em leilões na Indonésia e, principalmente, a performance da economia chinesa como um todo.
Concorrência
Para Vilas Boas, embora o Brasil tenha se firmado como um dos maiores exportadores de glicerina para a China —, o país ainda está longe de alcançar a Indonésia, principal exportadora do coproduto para os chineses. “A Indonésia exportou quase que o triplo do volume exportado pelo Brasil nesse período [primeiros quatro meses do ano]”, pontua.
Ela também chama a atenção para as movimentações do governo argentino voltadas a recuperar a indústria de biodiesel. No mês passado, a Casa Rosada cortou quase pela metade as alíquotas incidentes sobre o biocombustível exportado. “Apesar de ser uma medida provisória e da falta de confiança no governo argentino por parte da indústria, ainda assim se espera um aumento das exportações de biodiesel e, consequentemente, da disponibilidade de glicerina”, acredita a empresária.
Cátia Franco – BiodieselBR.com