Agentes do mercado de glicerina esperam turbulência nos próximos meses enquanto o segmento assimila os novos aumentos na mistura.Os grandes importadores de glicerina andam assustadiços e, como consequência, isso pode resultar em quedas nos preços. A leitura é de Moisés Rocha, diretor executivo da Prisma Brazil – uma trading que negocia o principal coproduto da indústria do biodiesel.
“Todo mundo pisou no freio nas compras e [o preço] só não caiu tanto porque o mercado está mais profissional”, analisou o executivo em entrevista concedida à BiodieselBR.com acrescentando que seu palpite é que os preços saiam de seu atual patamar e se estabilizem na faixa dos US$ 220 (CIF China). “Esse é o meu palpite no momento”, completa.

Os grandes importadores de glicerina andam assustadiços e, como consequência, isso pode resultar em quedas nos preços. A leitura é de Moisés Rocha, diretor executivo da Prisma Brazil – uma trading que negocia o principal coproduto da indústria do biodiesel. “Todo mundo pisou no freio nas compras e [o preço] só não caiu tanto porque o mercado está mais profissional”, analisou o executivo em entrevista concedida à BiodieselBR.com acrescentando que seu palpite é que os preços saiam de seu atual patamar e se estabilizem na faixa dos US$ 220 (CIF China). “Esse é o meu palpite no momento”, completa.
Outra profissional com muita experiência no mercado, a diretora da Lumina Trading, Carla Vilas Boas, prefere não arriscar um chute. “Nesse momento, o mercado está um pouco nebuloso, não dá para ter uma visão muito clara de para onde ele está caminhando agora”, pondera. O que está claro é que há um tendência de baixa. “A gente não via preços abaixo dos US$ 300 por tonelada há muito tempo, esse ano estamos vendo valores abaixo dos US$ 250”, diz.
Dois fatores estão puxando esse movimento. O primeiro deles foi uma série de anúncios de aumento na mistura de biodiesel que poderá ter um impacto significativo e duradouro no volume de glicerina à disposição do mercado.
Em setembro passado, a Indonésia e a Malásia anunciaram a adoção do B10. Em maio foi o governo brasileiro aprovou a MP 647/2014 que tornou o B6 obrigatório em julho e vai elevar a mistura para B7 a partir de novembro. Correndo por fora, há a retomada da produção da indústria argentina que – depois de passar por maus bocados em função da imposição de tarifas pela União Europeia – está conseguindo dar a volta por cima graças a uma nova política tributária adotada por Buenos Aires.
Embora esse seja o fator estrutural mais relevante ele não basta para explicar tudo. Um segundo fator – talvez até mais importante no curto prazo – foi um movimento anômalo identificado no mercado chinês. “A China sempre compra muito menos glicerina no final do ano. As vendas caem a partir de dezembro e só vão reengrenar a partir de fevereiro. Só que, esse ano, eles compraram bastante”, explica a diretora da Lumina Trading explicando que alguns traders chineses que haviam exagerado nas compras passaram a liquidar o produto o que acrescentou ainda mais turbulência numa situação que já não era mesmo das mais estáveis.
“Os chineses importaram muito mais glicerina do que a demanda”, confirma Moisés. Segundo ele, em sua fase mais aguda os estoques chineses chegavam a seis meses de consumo.
Segundo a entrevistada, a situação só começou a entrar nos eixos novamente nas “últimas duas ou três semanas” conforme os estoques da China começam a rarear novamente.
De quebra, o aumento da oferta nos países asiáticos está demorando mais para se materializar do que se esperaria há alguns meses. O governo da Malásia já adiou para setembro o lançamento do B5 na porção oriental de seu território e, agora, já fala em deixar a obrigatoriedade para o final do ano. A Indonésia também está tendo dificuldades para implementar as metas.
O que não está tão claro para quem entende desse mercado é qual o fator que está puxando o mercado nesse momento. Primeiro porque, no mercado de glicerina, os contratos são fechados com meses antecedência o que de certa forma dilui o impacto dos aumentos na oferta. Além disso, a China é dada a especulação. “Tem algumas empresas que são os maiores compradores do mercado chinês e que, por isso, têm um peso maior na formação dos preços e eles usam isso para especular então nem sempre a relação entre oferta e demanda está corretamente refletida nos preços da glicerina”, opina Carla.
Derretimento?
De qualquer forma, Moisés diz que não espera um derretimento completo das cotações similar ao que já aconteceu em outros momentos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que entre 2008 e 2009, por exemplo, o preço médio da tonelada da glicerina exportada pelo Brasil – considerando tanto a glicerina bruta quanto refinada – recuou de US$ 377,73 para US$ 126,81. Queda de 66,2%. Seriam preciso quatro anos até que os valores se recuperasse – em 2013, a cotação ficou em US$ 364,95 por tonelada.
Isso não deve acontecer simplesmente porque, ao longo dos últimos, o mercado teve tempo de amadurecer. “A demanda na China está bem maior o que permite absorver mais produto. Também tempos mais traders o que reduz o risco de que hajam calotes. Antes, quando tínhamos menos players no mercado, era comum isso acontecer. Hoje sempre tem alguém comprando produto o que garante liquidez e segura os preços”, explica.
Ele não chega a temer que o mercado fique inviável. A questão é onde estará o novo ponto de equilíbrio dos preços. “Toda commodity tem ciclos. Ela cai e volta a subir. Eventualmente o mercado vai entender que existe o B7 e que a oferta vai subir, então, os preços vão se estabilizar”, garante acrescentando que a glicerina é um produto muito versátil e muito sensível ao preço. “A glicerina é um produto com muitas aplicações e, conforme o preço, essas aplicações vão gerar a demanda necessária para regular o mercado”, complementa.
Carla também não crê em dificuldades de encontrar uma colocação para o produto. “O mercado chinês continua crescendo, eu não acredito que teremos dificuldade para colocar o produto”, afirma a entrevistada.
Valor
Além disso, recentemente, o perfil das exportações brasileiras de glicerina começou a mudar de forma bastante acentuado. Desde o começou do ano as exportações de glicerina refinada – produto de maior valor agregado – dispararam.
Embora o volume de glicerina refinada ainda seja somente uma fração em relação às 22,2 mil toneladas de glicerina bruta que o Brasil exportou no mês passado, sua participação vem subindo de forma acelerada: em janeiro eram menos de 900 toneladas ou cerca de 6% das vendas externas de glicerina e, em julho, somaram 4,4 mil toneladas ou 16,7% do total.
“A gente tem essa novidade importante que é a chegada de novas plantas de glicerina refinada. Essas plantas ainda estão operando com uma capacidade relativamente baixa e devem aumentar sua produção”, avalia Carla.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
“Todo mundo pisou no freio nas compras e [o preço] só não caiu tanto porque o mercado está mais profissional”, analisou o executivo em entrevista concedida à BiodieselBR.com acrescentando que seu palpite é que os preços saiam de seu atual patamar e se estabilizem na faixa dos US$ 220 (CIF China). “Esse é o meu palpite no momento”, completa.

Os grandes importadores de glicerina andam assustadiços e, como consequência, isso pode resultar em quedas nos preços. A leitura é de Moisés Rocha, diretor executivo da Prisma Brazil – uma trading que negocia o principal coproduto da indústria do biodiesel. “Todo mundo pisou no freio nas compras e [o preço] só não caiu tanto porque o mercado está mais profissional”, analisou o executivo em entrevista concedida à BiodieselBR.com acrescentando que seu palpite é que os preços saiam de seu atual patamar e se estabilizem na faixa dos US$ 220 (CIF China). “Esse é o meu palpite no momento”, completa.
Outra profissional com muita experiência no mercado, a diretora da Lumina Trading, Carla Vilas Boas, prefere não arriscar um chute. “Nesse momento, o mercado está um pouco nebuloso, não dá para ter uma visão muito clara de para onde ele está caminhando agora”, pondera. O que está claro é que há um tendência de baixa. “A gente não via preços abaixo dos US$ 300 por tonelada há muito tempo, esse ano estamos vendo valores abaixo dos US$ 250”, diz.
Dois fatores estão puxando esse movimento. O primeiro deles foi uma série de anúncios de aumento na mistura de biodiesel que poderá ter um impacto significativo e duradouro no volume de glicerina à disposição do mercado.
Em setembro passado, a Indonésia e a Malásia anunciaram a adoção do B10. Em maio foi o governo brasileiro aprovou a MP 647/2014 que tornou o B6 obrigatório em julho e vai elevar a mistura para B7 a partir de novembro. Correndo por fora, há a retomada da produção da indústria argentina que – depois de passar por maus bocados em função da imposição de tarifas pela União Europeia – está conseguindo dar a volta por cima graças a uma nova política tributária adotada por Buenos Aires.
Embora esse seja o fator estrutural mais relevante ele não basta para explicar tudo. Um segundo fator – talvez até mais importante no curto prazo – foi um movimento anômalo identificado no mercado chinês. “A China sempre compra muito menos glicerina no final do ano. As vendas caem a partir de dezembro e só vão reengrenar a partir de fevereiro. Só que, esse ano, eles compraram bastante”, explica a diretora da Lumina Trading explicando que alguns traders chineses que haviam exagerado nas compras passaram a liquidar o produto o que acrescentou ainda mais turbulência numa situação que já não era mesmo das mais estáveis.
“Os chineses importaram muito mais glicerina do que a demanda”, confirma Moisés. Segundo ele, em sua fase mais aguda os estoques chineses chegavam a seis meses de consumo.
Segundo a entrevistada, a situação só começou a entrar nos eixos novamente nas “últimas duas ou três semanas” conforme os estoques da China começam a rarear novamente.
De quebra, o aumento da oferta nos países asiáticos está demorando mais para se materializar do que se esperaria há alguns meses. O governo da Malásia já adiou para setembro o lançamento do B5 na porção oriental de seu território e, agora, já fala em deixar a obrigatoriedade para o final do ano. A Indonésia também está tendo dificuldades para implementar as metas.
O que não está tão claro para quem entende desse mercado é qual o fator que está puxando o mercado nesse momento. Primeiro porque, no mercado de glicerina, os contratos são fechados com meses antecedência o que de certa forma dilui o impacto dos aumentos na oferta. Além disso, a China é dada a especulação. “Tem algumas empresas que são os maiores compradores do mercado chinês e que, por isso, têm um peso maior na formação dos preços e eles usam isso para especular então nem sempre a relação entre oferta e demanda está corretamente refletida nos preços da glicerina”, opina Carla.
Derretimento?
De qualquer forma, Moisés diz que não espera um derretimento completo das cotações similar ao que já aconteceu em outros momentos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que entre 2008 e 2009, por exemplo, o preço médio da tonelada da glicerina exportada pelo Brasil – considerando tanto a glicerina bruta quanto refinada – recuou de US$ 377,73 para US$ 126,81. Queda de 66,2%. Seriam preciso quatro anos até que os valores se recuperasse – em 2013, a cotação ficou em US$ 364,95 por tonelada.
Isso não deve acontecer simplesmente porque, ao longo dos últimos, o mercado teve tempo de amadurecer. “A demanda na China está bem maior o que permite absorver mais produto. Também tempos mais traders o que reduz o risco de que hajam calotes. Antes, quando tínhamos menos players no mercado, era comum isso acontecer. Hoje sempre tem alguém comprando produto o que garante liquidez e segura os preços”, explica.
Ele não chega a temer que o mercado fique inviável. A questão é onde estará o novo ponto de equilíbrio dos preços. “Toda commodity tem ciclos. Ela cai e volta a subir. Eventualmente o mercado vai entender que existe o B7 e que a oferta vai subir, então, os preços vão se estabilizar”, garante acrescentando que a glicerina é um produto muito versátil e muito sensível ao preço. “A glicerina é um produto com muitas aplicações e, conforme o preço, essas aplicações vão gerar a demanda necessária para regular o mercado”, complementa.
Carla também não crê em dificuldades de encontrar uma colocação para o produto. “O mercado chinês continua crescendo, eu não acredito que teremos dificuldade para colocar o produto”, afirma a entrevistada.
Valor
Além disso, recentemente, o perfil das exportações brasileiras de glicerina começou a mudar de forma bastante acentuado. Desde o começou do ano as exportações de glicerina refinada – produto de maior valor agregado – dispararam.
Embora o volume de glicerina refinada ainda seja somente uma fração em relação às 22,2 mil toneladas de glicerina bruta que o Brasil exportou no mês passado, sua participação vem subindo de forma acelerada: em janeiro eram menos de 900 toneladas ou cerca de 6% das vendas externas de glicerina e, em julho, somaram 4,4 mil toneladas ou 16,7% do total.
“A gente tem essa novidade importante que é a chegada de novas plantas de glicerina refinada. Essas plantas ainda estão operando com uma capacidade relativamente baixa e devem aumentar sua produção”, avalia Carla.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com