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Exportações de glicerina cresceram mais de 22% em 2018

As vendas externas de glicerina voltaram a apresentar um crescimento substancial no ano passado

BiodieselBR.com 4 min de leitura

O Brasil encerrou 2018 com mais de 373,7 mil toneladas de glicerina exportadas. Os números oficiais foram divulgados recentemente pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). O novo recorde um retorno do crescimento inequívoco nos embarques do coproduto encerrando de vez um período de dois anos nos quais as vendas caminharam de lado.

O Brasil encerrou 2018 com mais de 373,7 mil toneladas de glicerina exportadas. Os números oficiais foram divulgados recentemente pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). O novo recorde um retorno do crescimento inequívoco nos embarques do coproduto encerrando de vez um período de dois anos nos quais as vendas caminharam de lado.

Embora, nominalmente, 2017 tenha fechado com um recorde nas vendas de glicerina e um crescimento de robustos 12,7% sobre o resultado do ano anterior. Ele simplesmente recuperou a queda de 11% registrada de 2015 para 2016. Tudo somado, o mercado ficou praticamente estacionado ao longo dos últimos dois anos.

Agora, as exportações voltaram a deslanchar mais uma vez. Percentualmente, esse não foi o maior avanço que já tivemos num único ano desde que a mistura de biodiesel se tornou obrigatória no Brasil alavancando a produção do biocombustível e de seu principal coproduto – entre 2007 e 2008 as vendas externas de glicerina se multiplicaram por cinco. Contudo, o aumento de 69 mil toneladas foi o maior salto em termos absolutos no volume exportado registrado num único ano desde o início da obrigatoriedade.

De 2008 até agora, as exportações cresceram um pouco mais de 975%.

O maior comprador de glicerina brasileira foi a China que comprou 267,3 mil toneladas de nosso produto pagando um pouco mais de US$ 92 milhões. Com isso, a já folgada liderança chinesa como principal destino da glicerina nacional avançou de 66,1% em 2016 para mais de 71,5% no ano passado.

Para dar uma ideia, a segunda colocada foi a Rússia que comprou cerca de 27,1 mil toneladas de glicerina brasileira.

Mais valor agregado

O aumento foi acompanhado de uma mudança – para melhor – no perfil das exportações brasileiras com as vendas de glicerina destilada voltando a aumentar sua participação em relação ao mercado total.

Em 2018, as vendas do produto destilado avançaram 35,7% e totalizaram 81,9 mil toneladas. Isso representa uma fatia de 21,9% do mercado, a maior registrada de 2008.

O aumento no agregado anual ainda é discreto em relação aos últimos anos quando a participação do produto destilado variou dentro de uma faixa de 19% a 20%, mas sublinha uma tendência que foi na final do ano passado quando sua participação passou a representar mais de um quarto do volume exportado de forma recorrente.

Esse desempenho parece indicar que o setor deve subir mais um degrau na escala de agregação de valor de seu principal coproduto depois de três anos de relativa estabilidade.

Faturamento

Os ganhos com a glicerina também foram os melhores já registrados. As vendas em 2018 totalizaram US$ 157,7 milhões um ganho de mais de 53% sobre o resultado de 2017 que já tinha apresentado um crescimento de 73,4%.

A mudança no perfil das exportações de glicerina – com uma quantidade maior de um produto com maior valor agregado – contribuiu para esse aumento. A glicerina destilada representou US$ 59,9 milhões nas vendas brasileiras – 38% do total – contra cerca de US$ 97,8 milhões da glicerina bruta.

Na comparação com os números do ano anterior, o faturamento das duas classes avançou, respectivamente, 63,5% e 47,4%.

Ciclo terminado

O problema é que o ritmo do crescimento do faturamento com a glicerina o mercado externo pode ter sido turbinado por condições excepcionais de mercado que podem não voltarem a se repetir no curto prazo.

Ficando apenas nos preços da glicerina bruta – que representa a maior fatia do mercado –, os preços que já vinham num processo de alta consistente desde agosto de 2016 deram um salto iniciaram uma escalada repentina a partir de setembro de 2018 que atingiu seu pico em fevereiro passado. A tonelada que iniciou o período valendo uma média de US$ 274,85 atingiu US$ 451,24 em apenas cinco meses.

De lá para cá, os preços vêm recuando. Em dezembro, a glicerina bruta foi negociada por US$ 219,73. Esse é o menor valor paga desde março de 2017.

Embora os números sejam diferentes e com um certo atraso em relação aos movimentos da glicerina bruta, o desenho do processo para a glicerina destilada é similar. Ela encerrou o ano cotada a US$ 572,45, queda pouco menor que 38% sobre o pico de US$ 922,53 registrado em março; o valor atual é o menor desde julho de 2017.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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