
Lá por volta do meio dia de ontem (04), o dólar chegou muito perto mesmo de ultrapassar a marca dos R$ 3,00 e fechou em R$ 2,981. Esse é só o movimento mais recente numa tendência mais ampla de perda de força do real que já vem se acontecendo desde setembro do ano passado.
Lá por volta do meio dia de ontem (04), o dólar chegou muito perto mesmo de ultrapassar a marca dos R$ 3,00 e fechou em R$ 2,981. Esse é só o movimento mais recente numa tendência mais ampla de perda de força do real que já vem se acontecendo desde setembro do ano passado.
Para quem exporta, a notícia é boa. O real mais barato ajuda a deixar os produtos brasileiros mais competitivos lá fora. No entanto, até o presente momento, isso não parece ter animado o setor de biodiesel. A última carga de biodiesel digna de nota a sair do país foi um embarque de 6 mil toneladas, feito pela JBS com destino à Holanda em agosto passado.
Ainda haveria outras duas vendas menores – uma em novembro e outra em dezembro – o que levou o ano passado a fechar com 40 milhões de litros de biodiesel vendidos no mercado externo. Este ano ainda não há registro de nenhum novo negócio.
Barreiras
Não é que o empresariado brasileiro não sonhe em faturar em moeda forte. Mas há mais minúcias nesse mercado do que as realidades cambiais fariam supor.
A começar por uma obviedade. Como a principal matéria-prima do biodiesel brasileiro – o óleo de soja – é precificada em dólar, a queda do real faz pouca diferença. “Não vemos vantagem porque os custos para a aquisição de matéria-prima sobem proporcionalmente [ao câmbio]”, confirma o diretor executivo da Bianchini, Antin Bianchini. Cabe ressaltar que outros custos industriais importantes como a eletricidade têm subido acima da variação cambial o que corroe qualquer ganho de competitividade.
Além disso, Antin ressalta que valor no mercado internacional não tem compensado. “O biodiesel argentino continua sendo ofertado agressivamente no mercado”, diz. Segundo ele os hermanos tem oferecido a tonelada de biodiesel abaixo da cotação internacional do óleo de soja. Situação que basta para afugentar os competidores.
“Ainda não cogitamos a exportação de biodiesel. Entendemos que o retorno das exportações de óleo de soja ocorrerá antes de qualquer incremento nas exportações do biocombustível”, crava Antin.
Sebo
Mas e quanto as usinas que fabricam com sebo bovino? E com mais de 23% do biodiesel brasileiro sendo fabricado a partir de sebo não é difícil imaginar que parte desse volume pudesse acabar sendo exportado.
De acordo com o gerente de biodiesel da Biofuga, Paulo José Fuga, usina que pertence ao Grupo Fuga Couros, isso não ocorre. Embora reconheça que o dólar mais caro devesse facilitar as exportações, ele diz que tem havido pouco interesse nos mercados compradores. “A gente chegou a fazer alguns contatos, mas acabamos desistindo porque não está tendo procura”, diz.
A culpa desse desânimo, de acordo com Fuga, vem da queda na cotação do barril de petróleo que afugentou parte do mercado. Em meados de janeiro, o do tipo Brent chegou a ser cotado abaixo dos US$ 45, desde então o mercado teve um repique e a cotação entrou em março acima dos US$ 60. Ainda assim, muito abaixo do US$ 115 que o barril chegou a valer em meados do ano passado. “O pessoal não está vendo viabilidade no negócio”, continua.
Com um mercado externo volátil e nem tão convidativo quanto se gostaria, os fabricantes têm dado preferência ao mercado interno. “Nossa preferência é a manutenção da matriz de vendas para o mercado doméstico. Não descartamos a alternativa da exportação futura, contudo em outro cenário de preços e resultados”, completa Antin.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com