A indústria de biodiesel vem absorvendo uma parcela maior do óleo de soja produzido no Brasil, deixando menos volume disponível para exportação
As exportações brasileiras de óleo de soja seguem dentro dos eixos. Segundo os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), no mês de maio os embarques do derivado do principal produto agrícola do país somaram 124,5 mil toneladas. Esse volume representa uma contração de 61% em relação ao mesmo período do ano passado.
O tombo foi menos impressionante do que parece. Nos últimos anos, as processadoras do grão precisaram escoar para o exterior um volume de óleo bem superior ao normal para compensar as reduções na mistura de biodiesel impostas no governo Bolsonaro – entre maio de 2021 e até março do ano passado, o patamar de mistura foi mantido abaixo do que a legislação previa.
Esse ciclo de exportações turbinadas parece ter se encerrado justamente em maio de 2023, quando os embarques atingiram a marca de 318,7 mil toneladas. Desde então, os volumes têm recuado de forma bastante consistente.
As exportações brasileiras de óleo de soja seguem dentro dos eixos. Segundo os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), no mês de maio os embarques do derivado do principal produto agrícola do país somaram 124,5 mil toneladas. Esse volume representa uma contração de 61% em relação ao mesmo período do ano passado.
Esse volume de óleo exportado equivale ao processamento de pouco menos que 655,5 mil toneladas de soja em grão.
O tombo foi menos impressionante do que parece. Nos últimos anos, as processadoras do grão precisaram escoar para o exterior um volume de óleo bem superior ao normal para compensar as reduções na mistura de biodiesel impostas no governo Bolsonaro – entre maio de 2021 e até março do ano passado, o patamar de mistura foi mantido abaixo do que a legislação previa.
Esse ciclo de exportações turbinadas parece ter se encerrado justamente em maio de 2023, quando os embarques atingiram a marca de 318,7 mil toneladas. Desde então, os volumes têm recuado de forma bastante consistente.
Desaceleração Antecipada
Mesmo levando em conta essa mudança de cenário, no entanto, maio parece ter tido um resultado particularmente ruim. Normalmente, as exportações de óleo de soja apresentam uma trajetória crescente ao longo do primeiro semestre e passam a perder fôlego mais claramente depois de junho.
Este ano, contudo, o mercado parece estar mais volátil. Tivemos desacelerações nas exportações em relação ao mês anterior tanto em fevereiro como agora.
Ainda assim, os embarques realizados até este momento parecem apontar para um resultado um pouco mais elástico do que o esperado pelas principais empresas do complexo soja. A estimativa mais recente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) é que as exportações de óleo deste ano somem 1,1 milhão de toneladas.
Somando tudo, as vendas externas de óleo de soja nacional beiram as 511 mil toneladas. Considerando que, nos cinco anos anteriores, as vendas externas de janeiro a maio representam 42% do total exportado no ano, teríamos perto de 1,22 milhão de toneladas do derivado saindo do país, o que representa cerca de 6,41 milhões de toneladas de soja em grão.
Ganhos
Em maio, as vendas externas de óleo de soja renderam ao país US$ 118,9 milhões ou R$ 610,3 milhões quando convertido pela taxa de câmbio média do Banco Central.
O resultado teve uma pequena ajuda dos compradores, que se mostraram dispostos a pagar – um pouco – mais pelo óleo brasileiro. Em média, a tonelada do produto rendeu perto de US$ 954,80 aos vendedores, alta de 1,4% sobre o mês anterior.
Esse foi o segundo mês de recuperação para as cotações do produto depois de uma derrapada mais vigorosa em março. Os valores atuais, no entanto, seguem abaixo dos que vinham sendo pagos na virada do ano.
Sebo Volta a Acelerar
Enquanto o óleo de soja derrapa, o sebo acelera. Em maio, o subproduto da indústria de proteína animal mais do que dobrou seus embarques em relação ao mês anterior. No total, 34,5 mil toneladas do produto saíram do país. Os negócios com sebo renderam US$ 31 milhões – R$ 159,3 milhões – aos exportadores.
A quase totalidade desse produto – mais de 95% – foi enviada aos Estados Unidos, cuja indústria de diesel verde vem demandando grandes volumes de óleos e gorduras residuais (OGRs).
Além do sebo, as biorrefinarias dos EUA também importaram 5,16 mil toneladas de óleo de cozinha usado – cerca de 88% do volume exportado no período.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com