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RenovaBio pode render mais de R$ 1,2 bilhão ao setor de biodiesel

Valor foi calculado por BiodieselBR.com com base nas regras do RenovaBio que já são conhecidas e nos números do mercado em 2017

BiodieselBR.com 5 min de leitura

Entre R$ 148,5 milhões e 1,2 bilhões de reais! É algo entre esses valores que o setor de biodiesel poderia ter faturado a mais caso o RenovaBio estivesse em vigor desde o começo de 2017. O valor foi estimado por BiodieselBR.com com base nas informações que já estão disponíveis a respeito das regras para a geração dos créditos de descarbonização (CBios) e em cenários elaborados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) sobre os preços que esses certificados poderão atingir quando forem negociados no mercado.

Entre R$ 148,5 milhões e 1,2 bilhões de reais! É algo entre esses valores que o setor de biodiesel poderia ter faturado a mais caso o RenovaBio estivesse em vigor desde o começo de 2017. O valor foi estimado por BiodieselBR.com com base nas informações que já estão disponíveis a respeito das regras para a geração dos créditos de descarbonização (CBios) e em cenários elaborados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) sobre os preços que esses certificados poderão atingir quando forem negociados no mercado.

Para chegar nesse número, BiodieselBR.com partiu dos dados fornecidos pela versão do RenovaCalc – a ferramenta que será usada pelos fabricantes de biocombustíveis para calcular suas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) – que foi disponibilizada pela ANP como parte da consulta pública convocada na quinta-feira (10) passada para aprimorar as regras que deverão ser seguidas pelas empresas de cerificação que participarão do programa.

De acordo com as planilhas que fazem parte do RenovaCalc, para cada megajoule de energia gerado na forma de biodiesel são emitidos pouco mais de 25,1 gramas de gás carbônico equivalente (gCO2eq/MJ). Subtraindo disso os 86,5 gCO2eq/MJ que o diesel de petróleo puro emite – o que também está informado na ferramenta –, temos um saldo positivo pouco menor que 61,4 gCO2eq/MJ.

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Embora ele não tenha exatamente o melhor perfil de emissões entre os biocombustíveis listados pelo RenovaBio, ele acaba tendo a melhor relação custo-benefício do programa graças a sua densidade energética superior – de aproximadamente 33,1 megajoule por litro – ele evita a emissão de até 2.035,41 gramas de CO2 equivalente para cada litro fabricado.

Um pouco mais de matemática básica e temos que com 491,3 litros de biodiesel chegamos à uma tonelada de gás carbônico evitada. Ou seja, seguindo nada mais que os valores que o RenovaCalc assume como padrão para as usinas brasileiras, esse é o volume que deve ser fabricado para emitir 1 CBio [veja gráfico].

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Cenários

Considerando os 4,29 bilhões de litros de biodiesel fabricados no ano passado, teríamos 8,7 milhões CBios gerados a partir do biodiesel. Somando anidro (15,5 milhões de CBios) e hidratado (22,2 milhões de CBios), o etanol teria gerado 37,7 milhões de CBios no ano passado.

Ficaria faltando só saber o valor dos CBios para poder calcular quanto o RenovaBio pode colocar no bolso do setor. O problema é que esses certificados serão livremente negociados em bolsa, logo ainda vamos precisar esperar mais alguns meses antes de termos uma cotação real.

Em seus documentos, no entanto, MME trabalhou com três cenários de preço para o CBio: R$ 17, R$ 34, R$ 146. Foi com base na mais pessimista dessas projeções que chegamos aos R$ 148,5 milhões descritos no começo desse texto. No melhor dos mundos, por outro lado, o faturamento do setor só com a venda de CBios teria passado dos R$ 1,27 bilhão. No meio do caminho – que parece ser tratado como o cenário mais provável pelo ministério – temos pouco menos de R$ 297 milhões. Esse valor de R$ 34 é o considerado mais provável pelo governo.

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No mesmo período, as entregas físicas de biodiesel renderam às usinas perto de R$ 10,9 bilhões. Ou seja, usado o cenário central do MME, temos que a comercialização de CBios pode engordar o faturamento do segmento em 2,7%.

Para dar uma ideia mais clara, com 435,9 milhões de litros fabricados no ano passado, a ADM foi a usina de biodiesel que mais produziu biodiesel no ano passado. Por essas contas, a empresa teria faturado R$ 30,2 milhões a mais com os CBios que geraria.

Valor do Sebo

As contas, no entanto, podem não estar completas. Embora o número não apareça em qualquer lugar nas planilhas do RenovaCalc, há uma apresentação do MME que aponta que o biodiesel de sebo emite magros 3,8 gCO2eq/MJ – superando até o celebrado etanol de segunda geração que registra emissões de 4,7 gCO2eq/MJ.

Isso permitiria emitir 1 CBio para cada 364,7 litros de biodiesel de sebo fabricados. Os 590 milhões de litros de biodiesel de sebo fabricados no passado renderiam 1,6 milhões de CBios que poderiam ser vendidos por R$ 55 milhões seguindo o cenário intermediário do MME.

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Além do sebo e da soja, no ano passado, o setor de biodiesel usou outras sete fontes de matérias-primas. Cerca de 10,2% do total fabricado – 435,9 milhões de litros – fazem parte de um grupo que a ANP agrega como “outros materiais graxos”, mas que, na prática, ninguém sabe o que são.

Até o momento não está claro como outras matérias-primas serão incorporadas nas regras do RenovaBio, mas matérias-primas não especificadas pelo produtor deveriam ter a pior nota de todas.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com 

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