Usinas e distribuidoras divergem sobre o período de dois dias entre a fase de vendas dos produtores e as aquisições das distribuidoras.A cobertura do 36º Leilão da ANP reacendeu um debate que coloca em cantos opostos dois principais elos da cadeia do biodiesel: produtores e distribuidoras. Para os fabricantes, não há nenhum motivo para a pausa de dois dias entre a 2ª etapa do processo – na qual as usinas fazem suas ofertas – e as etapas nas quais as distribuidoras fazem suas aquisições. A espera é considerada demasiadamente longa pelos produtores.
Já os distribuidores consideram o período fundamental para que eles se preparem para a negociação.

A cobertura do 36º Leilão da ANP reacendeu um debate que coloca em cantos opostos dois principais elos da cadeia do biodiesel: produtores e distribuidoras. Para os fabricantes, não há nenhum motivo para a pausa de dois dias entre a 2ª etapa do processo – na qual as usinas fazem suas ofertas – e as etapas nas quais as distribuidoras fazem suas aquisições. A espera é considerada demasiadamente longa pelos produtores.
Segundo o gerente comercial de biodiesel da Cargill, Elcio Angelis, o nó da questão está no fato dos preços do biodiesel sofrerem influência direta da cotação do óleo de soja na Bolsa de Chicago (EUA), já que a commodity é a principal matéria-prima usada pela indústria. “Como em todo produto que é cotado em bolsas, existe o risco de oscilações instantâneas. Portanto, quanto menor for esse período, menor será o risco dessas oscilações afetar o biodiesel e maior será a segurança das usinas”, explana.
“Quanto menor o tempo decorrido entre a oferta pelas usinas e a compra efetiva pelas distribuidoras, mais justo para o negócio”, prossegue o executivo.
Redução
Uma forma de mitigar a exposição das usinas aos humores do mercado seria investir em mecanismos de hedge – instrumento financeiro criado com o objetivo de proteger operações financeiras contra o risco de grandes variações de preço de determinados ativos. Além de aumentar o custo, há outro contratempo que dificulta a vida das usinas: as incertezas do próprio modelo de leilões.
“A questão é como fazer hedge sem saber se existirá venda no leilão”, problematiza Bruno Menezes, gerente comercial da Fiagril. “Ou o produtor faz hedges apostando em vendas ou fica exposto ao risco do mercado. E no clima agitado dos leilões, ficar exposto durante dois dias ao câmbio e às cotações da Bolsa de Chicago parece uma eternidade”, reclama.
Para Menezes, o ideal seria chegar a um formato em que a apresentação das propostas e a seleção das ofertas ocorram no mesmo dia – ou, pelo menos, com a seleção das ofertas sendo realizada no dia seguinte. Angelis, da Cargill, também acredita que o intervalo poderia ser reduzido a um dia. “As distribuidoras já tem experiência nesse formato de leilão e os computadores as auxiliam a identificar a melhor oportunidade para a tomada de decisão”, diz.
Outro lado
Para as distribuidoras, porém, dois dias é pouco. “Na verdade, as distribuidoras sempre pediram um intervalo maior, em torno de cinco dias ou uma semana, mas acabamos aceitando esse intervalo de dois dias, que considero muito apertado”, pontua Ricardo Gullo Chernicharo, supervisor de trading da Alesat,
Segundo o entrevistado, esse tempo é necessário para que as distribuidoras possam avaliar quais são suas melhores opções. “Nesses dois dias, são feitas diversas simulações logísticas de acordo com os preços ofertados por cada produtor. Somente quando temos essa informação em relação aos preços e quanto cada produtor está ofertando em cada faixa de preço é que podemos alimentar os nossos modelos logísticos e fazer o planejamento de compras para cada base de distribuição da distribuidora”, argumenta Chernicharo, embora reconheça que a experiência adquirida nos últimos anos facilita essa preparação leilão.
A justificativa apresentada pela Agência de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para essa diferença de dois dias caminha numa linha similar. “Esse período é necessário para que as empresas possam analisar estrategicamente os lotes ofertados, considerando o preço e a logística, visando a otimizar a movimentação do produto e minimizar os custos operacionais”, alega.
Contatados para repercutir o assunto, a Petrobras e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) não deram retorno até o fechamento do texto.
Cátia Franco – BiodieselBR.com
Já os distribuidores consideram o período fundamental para que eles se preparem para a negociação.

A cobertura do 36º Leilão da ANP reacendeu um debate que coloca em cantos opostos dois principais elos da cadeia do biodiesel: produtores e distribuidoras. Para os fabricantes, não há nenhum motivo para a pausa de dois dias entre a 2ª etapa do processo – na qual as usinas fazem suas ofertas – e as etapas nas quais as distribuidoras fazem suas aquisições. A espera é considerada demasiadamente longa pelos produtores.
Segundo o gerente comercial de biodiesel da Cargill, Elcio Angelis, o nó da questão está no fato dos preços do biodiesel sofrerem influência direta da cotação do óleo de soja na Bolsa de Chicago (EUA), já que a commodity é a principal matéria-prima usada pela indústria. “Como em todo produto que é cotado em bolsas, existe o risco de oscilações instantâneas. Portanto, quanto menor for esse período, menor será o risco dessas oscilações afetar o biodiesel e maior será a segurança das usinas”, explana.
“Quanto menor o tempo decorrido entre a oferta pelas usinas e a compra efetiva pelas distribuidoras, mais justo para o negócio”, prossegue o executivo.
Redução
Uma forma de mitigar a exposição das usinas aos humores do mercado seria investir em mecanismos de hedge – instrumento financeiro criado com o objetivo de proteger operações financeiras contra o risco de grandes variações de preço de determinados ativos. Além de aumentar o custo, há outro contratempo que dificulta a vida das usinas: as incertezas do próprio modelo de leilões.
“A questão é como fazer hedge sem saber se existirá venda no leilão”, problematiza Bruno Menezes, gerente comercial da Fiagril. “Ou o produtor faz hedges apostando em vendas ou fica exposto ao risco do mercado. E no clima agitado dos leilões, ficar exposto durante dois dias ao câmbio e às cotações da Bolsa de Chicago parece uma eternidade”, reclama.
Para Menezes, o ideal seria chegar a um formato em que a apresentação das propostas e a seleção das ofertas ocorram no mesmo dia – ou, pelo menos, com a seleção das ofertas sendo realizada no dia seguinte. Angelis, da Cargill, também acredita que o intervalo poderia ser reduzido a um dia. “As distribuidoras já tem experiência nesse formato de leilão e os computadores as auxiliam a identificar a melhor oportunidade para a tomada de decisão”, diz.
Outro lado
Para as distribuidoras, porém, dois dias é pouco. “Na verdade, as distribuidoras sempre pediram um intervalo maior, em torno de cinco dias ou uma semana, mas acabamos aceitando esse intervalo de dois dias, que considero muito apertado”, pontua Ricardo Gullo Chernicharo, supervisor de trading da Alesat,
Segundo o entrevistado, esse tempo é necessário para que as distribuidoras possam avaliar quais são suas melhores opções. “Nesses dois dias, são feitas diversas simulações logísticas de acordo com os preços ofertados por cada produtor. Somente quando temos essa informação em relação aos preços e quanto cada produtor está ofertando em cada faixa de preço é que podemos alimentar os nossos modelos logísticos e fazer o planejamento de compras para cada base de distribuição da distribuidora”, argumenta Chernicharo, embora reconheça que a experiência adquirida nos últimos anos facilita essa preparação leilão.
A justificativa apresentada pela Agência de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para essa diferença de dois dias caminha numa linha similar. “Esse período é necessário para que as empresas possam analisar estrategicamente os lotes ofertados, considerando o preço e a logística, visando a otimizar a movimentação do produto e minimizar os custos operacionais”, alega.
Contatados para repercutir o assunto, a Petrobras e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) não deram retorno até o fechamento do texto.
Cátia Franco – BiodieselBR.com