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Implementação do B15 divide opiniões na cadeia

Enquanto fabricantes elogiam iniciativa do MME, setor automotivo se preocupa com impacto o B15 sobre a próxima fase do Proconve

BiodieselBR.com 5 min de leitura

O B15 está mais perto de sair do papel. Nessa sexta-feira (21), o Ministério de Minas e Energia (MME) vai realizar uma audiência pública na qual pretende ouvir o que a cadeia tem a dizer sobre a próxima etapa do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB).

O B15 está mais perto de sair do papel. Nessa sexta-feira (21), o Ministério de Minas e Energia (MME) vai realizar uma audiência pública na qual pretende ouvir o que a cadeia tem a dizer sobre a próxima etapa do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB).

Embora já esteja engatilhado desde que a da Lei 13.263 foi promulgada em março de 2016, o novo patamar de mistura obrigatória estava numa espécie de limbo. Ele estava autorizado, mas não havia nenhuma previsão efetiva para sua adoção. A única coisa no texto legal era que – finalizados os testes de motores exigidos – o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) teria autoridade para decidir sobre a questão.

Com o setor ocupado em viabilizar o B10 e em ajudar a aprovar a nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), o tema acabou passando boa parte dos últimos dois anos e meio hibernando. Isso até meados do mês passado, quando o MME decidiu tomar a iniciativa e passou a circular uma proposta preliminar entre representantes dos fabricantes e distribuidoras.

Na semana passada, ela foi finalmente apresentada publicamente. A minuta elaborada pelos técnicos do ministério prevê aumentos de um ponto percentual ao ano já a partir de 2019 o que faria com que o B15 se tornasse realidade em 2023. Caso algumas condições de oferta e preço sejam atendidas, seria possível antecipar esse cronograma em um ano.

Além disso, as distribuidoras que assim quisessem poderiam passar a usar B15 regularmente a qualquer momento.

Reações

O aceno do ministério evidentemente foi bem recebido pelos fabricantes de biodiesel.

“O governo tendo essa disposição para trazer o assunto é algo muito positivo”, elogiou Daniel Amaral, gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) para quem a proposta apresentada pelo ministério é “sólida e realista”. “A gente teria uma retomada de investimentos que seria muito positiva. O biodiesel seria uma locomotiva para puxando os setores de esmagamento, originação e serviços ligados à cadeia da soja”, avaliou. “Estamos falando de um segmento que tem capacidade de causar, como se diz em economia, um ‘encadeamento positivo’”, completa.

O entusiasmo é compartilhado pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) para quem o investimento imediato em biocombustíveis é uma ótima oportunidade para o pais. “De um lado, temos a necessidade de substituir os combustíveis fósseis; do outro, os carros elétricos que demandam um rompimento com a infraestrutura atual. Os biocombustíveis são uma solução imediata mais viável para promover essa transição para economia de baixo carbono”, resume Donizete Tokarski, diretor superintendente da entidade para quem o setor já está totalmente pronto para atender à nova demanda quando ela vier. “Basta ver o desempenho no último leilão [L62] que garantiu oferta e preços competitivos”, prossegue.

Ressalvas

Nada mais natural que setor elogie uma medida que poderá fazer seu mercado potencial crescer em 50%. Em outros elos da cadeia que seriam impactados, a medida – embora não seja rejeitada – foi recebida com um pouco mais de receio.

O alerta vem principalmente de segmentos ligados à indústria automotiva que vê com preocupação a sobreposição da chegada do B15 com as negociações relativas à 8ª etapa do Programa de Controle da Poluição do Ar por Emissões Veiculares (Proconve) que deve trazer para o país os motores equipados com tecnologias de redução das emissões equivalentes ao padrão Euro 6. “O problema é que os testes [dos motores Euro 6] foram feitos lá fora usando B7. Os sistemas de tratamento [de emissões] são muito sensíveis ao biodiesel então temos uma dúvida sobre o que vai acontecer quando eles forem abastecidos com B10 ou mais”, pontua do diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Rogério Gonçalves.

Esse ponto é também preocupa Luís Pasquotto, coordenador do Comitê de Tecnologia do Sindicado Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). “O que não pode acontecer é desenvolvermos para um tipo de mistura de biodiesel e, depois, termos outra mistura no mercado. Teria que ter disponibilidade de B15 para os testes de emissões desde já”, pontua ressaltando que a questão não tem recebido a atenção que deveria dentro do Proconve. “Corremos o risco de homologar a tecnologia e as calibrações usando um diesel e, quando formos fazer a validação do produto final, termos desvios por causa da mistura”, descreve.

Conservação

Embora nenhum dos dois entrevistados se mostre particularmente preocupado com relação à capacidade dos motores atuais rodarem de forma adequada usando B15, Pasquotto ressalta que a estabilidade da mistura pode ser um ponto de atrito.

“A mistura entre biodiesel e diesel é perecível. Temos que garantir que o produto tenha uma vida útil mínima e, também, informar adequadamente o consumidor final. Isso é importante especialmente para aplicações como geradores ou maquinário agrícola que pode ficar um bom tempo parado. Se o combustível está mudando, o consumidor tem que ser notificado para que possa incorporar essa mudança em suas práticas”, reforça.

Foram isso, Pasquotto se declara um defensor do biodiesel. “Falando em nome da indústria, a gente apoia o biodiesel. O Brasil tem um potencial muito grande para explorar os biocombustíveis com um olho no social e outro no econômico”, finaliza.

Discussão sobre o B15

O cronograma de implantação do B15 e as discussões sobre o futuro do setor são parte da programação da Conferência BiodieselBR 2018. Veja aqui mais detalhes da programação e faça sua inscrição.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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