Em reunião com o governo, produtores reforçam que haverá biodiesel para o L40
Não há risco de faltar biodiesel para o L40. Essa é a mensagem que os fabricantes transmitiram ao governo na reunião convocada pelo MME nessa segunda (24).
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Não há risco de faltar biodiesel para o L40. Essa é a mensagem principal que os fabricantes se esmeraram por transmitir ao governo federal durante a reunião emergencial convocada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para essa segunda-feira (24).
Não há risco de faltar biodiesel para o L40. Essa é a mensagem principal que os fabricantes se esmeraram por transmitir ao governo federal durante a reunião emergencial convocada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para essa segunda-feira (24).
A reunião entre representantes de todas as pastas do governo diretamente ligadas ao Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) e todas as organizações representativas do setor produtivo foi convocada às pressas na semana passada. A motivadora foi a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que demonstrou preocupação com o abastecimento do mercado em janeiro, em razão dos atrasos que o clima provocou no plantio da safra de soja 2014/15.
“A nossa preocupação é que a soja da nova safra que, tradicionalmente, começa a ser colhida nos primeiros dias de janeiro pudesse chegar com algum atraso. A gente nunca falou que poderia faltar biodiesel”, minimiza o assessor econômico da Abiove, Leonardo Zilio, destacando que, com a melhora no clima registrada nos últimos dias, o plantio voltou a se acelerar e já está “compatível com o de 2013”.
Mesmo assim, foi o que bastou para que todos alarmes soassem pelo Palácio do Planalto. É público e notório que o governo federal se sentiu bastante contrariado depois que a falta de oferta de biodiesel registada durante o L39 que colocou em risco a estreia do B7. O risco que ver o mesmo problema se repetindo teve o efeito de um cutucão numa ferida que só estava começando a cicatrizar.
“O governo não recebeu bem a informação que poderia faltar biodiesel para o B7 no próximo leilão”, explica o presidente do conselho superior da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés.
Garantias Por isso, a reunião foi convocada. O governo queria ouvir dos próprios fabricantes garantias de que haveria a oferta necessária de biodiesel durante o leilão que está marcado para o mês que vem. Também abundaram leituras de que o encontro era o sintoma de um desgaste ainda maior na relação entre governo e produtores e, até, que havia o risco de voltarmos ao B6.
“Foi o governo perguntando para o setor privado como estão as previsões deles. Nem mais nem menos. Não houve nenhuma agressão, só a pressão do governo querendo saber o posicionamento das entidades para o próximo leilão”, disse uma fonte governamental que esteve no encontrou e falou à BiodieselBR.com na condição de ter sua identidade preservada.
Os empresários, de sua parte, disseram o que o governo queria ouvir. “As usinas se comprometeram com o governo e o B7 está garantido”, afirma Ferrés. “Acredito que a questão está superada”, completa ele.
A posição é secundada por Zilio. “Assim que entrar a nova safra, a indústria esmagadora estará pronta para esmagar e fornecer o óleo para o B7. Na nossa leitura não tem esse risco [de desabastecimento]”, afirma
Pelo jeito, o governo saiu satisfeito. “Todos falaram que vão garantir e estamos confiantes nisso. Tanto que não fizemos mudanças no edital do leilão”, aponta a mesma fonte do governo.
Reflexo Apesar de uma crise maior ter sido superada, a situação causou marolas que ainda precisarão ser resolvidas. “Desde que foi divulgada a informação sobre a preocupação da Abiove, o óleo e a soja subiram”, reclama Ferres. “É algo como uma profecia autorrealizável. Se alguém espalha vai faltar batata, o consumidor compra mais batata, o preço sobe e, então, realmente falta. O setor de biodiesel vive algo parecido”, explicou o entrevistado.
Isso coloca uma pressão a mais sobre os preços máximos de referência (PMRs) do próximo leilão. Ferres lembra que os preços de referência do biodiesel foram reduzidos em 14% desde o Leilão 34, ao mesmo tempo em que o dólar – moedas de referência no mercado de soja – tem subido.
Zilio lembra que a excessiva volatilidade do dólar foi justamente um dos fatores que afetou a disponibilidade de biodiesel no L39 – realizado bem em meio às incertezas das eleições presidenciais. “A Abiove tem comentado que os PMRs têm que refletir as realidades das diferentes regiões brasileiras essa é uma mensagem que a gente passou”, diz.