

Saiba melhor como vai funcionar o Leilão de Opções de Compra de Biodiesel que a Petrobras realiza na quinta-feira (13).

Nas últimas semanas a Petrobras finalmente conseguiu terminar a reformulação do sistema leilões de estoques de biodiesel. Em resumo: saem os estoques em formato físico e entram as opções de compra. O que não está assim tão claro para todos é como que os novos Leilões de Opções de Compra de Biodiesel vão funcionar. Situação complicada, já que o 1º deles marcado para daqui dois dias.
A diferença fundamental é que o que vai ser negociado não é o biodiesel em si, mas um contrato de opção. Ou seja, a usina que “vender” um lote de, digamos, 10 milhões de litros em opções, não terá necessariamente que fabricar e entregar esse volume de biodiesel. O que ela precisa fazer é ficar de prontidão para, no caso da Petrobras vir a executar um pedido, estar com o produto pronto e a espera do caminhão da distribuidora em, no máximo, 24 horas. Mas também pode acontecer do pedido nunca vir de fato.
Por se colocarem à disposição, as usinas embolsam um prêmio que será pago pela Petrobras independente das opções serem ou não executadas.
Leilões regulares
Os novos leilões de opções passam a ter uma relação bem mais íntima com os leilões regulares da ANP do que com o formato antigo, no qual os processos eram mais ou menos independentes. Para começar, as usinas que quiserem vender opções à Petrobras precisam não somente ter participado do leilão regular da ANP correspondente como, também, precisam ter vendido algum biodiesel nele. Esse é uma condição sine qua non. Além disso, o máximo de opções que ela vai poder vender é determinado por um cálculo baseado no que a usina ofertou mas não vendeu no leilão regular.
Aqui tem uma nova condição. Sob hipótese nenhuma, a usina poderá deixar de fazer as entregas referentes ao leilão regular – na verdade, ela precisa abrir mão da margem de tolerância de prevista no artigo 4.2.3.1 dos editais e fica obrigada a disponibilizar 100% do biodiesel combinado –, por isso, o máximo de opções será definido pelo volume que biodiesel que a usina consegue efetivamente carregar de imediato nos caminhões sem que isso comprometa os embarques do produto vendido em leilão. Por isso, a Petrobras exige das concorrentes uma declaração por escrito de sua capacidade máxima de carregamento.
As participantes, portanto, podem vender o saldo de biodiesel não comercializado no leilão regular mais recente até seu limite de carregamento – o que for menor.
Lotes
Nesse 1º leilão, serão negociadas opções equivalentes a 45 milhões de litros de biodiesel que vão ser distribuídas pelas cinco regiões brasileiras na exata proporção que elas venderam no L31 [veja tabela].
Cada região terá dois lotes de opções que poderão ser arrematados por usinas diferentes. Em levar um deles fica automaticamente desclassificado para o outro.
Disputa
Ao contrário dos leilões regulares, onde cada usina oferece descontos sobre o preço máximo de referência (PMR) do biodiesel. O que vale aqui é o tamanho do prêmio que a usina acha que merece receber para ficar de prontidão, ganha a usina que pedir menos.
A Petrobras definiu R$ 90 por m³ como o teto. Considerando que nesse 1º Leilão de Opções serão negociados contratos equivalentes a 45 milhões de litros, poderemos chegar a R$ 4 milhões em prêmios.
Vale notar que o prêmio só remunera a disponibilidade das usinas contratadas. O pagamento pelo biodiesel é outra história. Caso o contrato venha mesmo a ser executado, a Petrobras pagará pelo volume adquirido preço médio do biodiesel que aquela usina aceitou no leilão regular correspondente.
Por exemplo, digamos que uma usina tenha colocado 20 milhões de litros à disposição do mercado no L31 e consegui vender apenas metade pela média de R$ 1.987,94. Ela agora poderá oferecer à Petrobras no máximo 10 mil m³ em opções. Se ela conseguir vender tudo isso pelo teto, vai embolsar R$ 900 mil apenas a título de prêmio. Se, além disso, a Petrobras vier a precisar que ela fabrique três milhões de litros de biodiesel para cobrir o mercado, ela leva mais R$ 5,9 milhões como pagamento pelo biodiesel.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com