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Limite máximo de água no biodiesel deve aumentar para usinas

EspecificacaoAudienciaPublica 170714Audiência pública realizada ontem (17) pela ANP para definir nova especificação do biodiesel sinalizou mudança no teor de água para usinas
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Pouco mais de dois anos depois da aprovação da Resolução ANP 14 em maio de 2012 – e menos de um semestre depois do polêmico limite de 200 ppm de água no biodiesel previsto nesta norma ter entrado em vigor –, a especificação do biodiesel está, novamente, em revisão.

O processo de consulta foi aberto pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no começo de junho e, na tarde ontem (17), a agência reguladora realizou em sua sede no Rio de Janeiro (RJ) a audiência pública prevista no processo.

Pouco mais de dois anos depois da aprovação da Resolução ANP 14 em maio de 2012 – e menos de um semestre depois do polêmico limite de 200 ppm de água no biodiesel previsto nesta norma ter entrado em vigor –, a especificação do biodiesel está, novamente, em revisão. O processo de consulta foi aberto pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no começo de junho e, na tarde ontem (17), a agência reguladora realizou em sua sede no Rio de Janeiro (RJ) a audiência pública prevista no processo. 

Foi a chance para os atores da cadeia que apresentaram sugestões de modificação à minuta defendessem suas propostas junto à agência reguladora. Ao todo foram recebidas 28 sugestões de alteração na minuta da nova resolução, das seguintes representações: 
07 sugestões da Petrobras;
07 sugestões da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio);
04 sugestões da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove);
04 da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (EAE);
02 da Superintendência de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos (SBQ/ANP);
02 da Superintendência de Fiscalização do Abastecimento (SFI/ANP);
01 do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom);
01 do Laboratório de Corrosão e Proteção do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/Lacor).

Água
A modificação mais aguardada pelo setor diz respeito ao Teor de Água e a possibilidade de que a agência relaxasse um pouco as exigências. “O grande ponto foi mesmo o teor de água”, confirma o assessor econômico da Abiove, Leonardo Zilio.

Originalmente o biodiesel brasileiro podia ter até 500 partes por milhão (ppm) de água em sua formulação. Depois da Resolução 14/2012, o limite máximo passou a ser de 350 ppm baixando para 200 ppm a partir do dia 01 de janeiro de 2014. Essa mudança causou uma insatisfação entre os fabricantes que tiveram que fazer novos investimentos e são obrigados a ter custos maiores para produzir um biodiesel mais “seco” e dos distribuidores que reclamam da dificuldade em manter o biodiesel dentro da especificação.

Quando a ANP publicou a minuta da nova resolução, já dava sinais de que a vida dos distribuidores ficaria um pouco mais fácil. Uma nota indicava que haveria uma tolerância de 150 ppm nesse parâmetro – embora fosse mantida a exigência de que os fabricantes produzissem com 200 ppm, o produto poderia sair da distribuidora com até 350 ppm.

Os fabricantes não ficaram exatamente satisfeitos com isso. Tanto a Aprobio quanto a Abiove – associações que representam alguns dos maiores fabricantes de biodiesel do país – mandaram sugestões no sentido de aumentar o teor de água na saída das usinas em, respectivamente, 80 ppm e 50 ppm. O Laboratório de Corrosão e Proteção do Instituto Nacional de Tecnoligia (INT/Lacor) também apresentou uma sugestão nesse sentido, mas que ia na direção contrária: reduziria a tolerância para os distribuidores para 100 ppm.

Na semana passada, a Superintendência de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos (SBQ) publicou a Nota Técnica 41 na qual divulga os resultados de um levantamento conduzido no mês de maio a respeito das variações do teor de água ao longo da cadeia do biodiesel. Nela, a posição oficial da ANP passa a ser pela manutenção dos 200 ppm como parâmetro oficial mas como uma tolerância de 50 ppm para os fabricantes e mais 100 ppm até o distribuidor. 

Com isso, o teto da especificação voltaria a ser de 350 ppm. “Esse valor de 250 ppm para o fabricante não iria afetar de forma alguma a qualidade do óleo diesel B entregue ao consumidor final que é a grande preocupação da agência”, aponta Zilio sobre a nova posição da SBQ.

Estabilidade
Outro ponto que tem chamado atenção é o endurecimento do parâmetro de estabilidade oxidativa. Atualmente, para ficar dentro das regras, a ANP exige que o biodiesel mantenha suas propriedades durante pelo 6 horas no teste rancimat, a ANP quer que a estabilidade aumente para 8 horas quando a mistura obrigatória estiver em 7% – o que deverá acontecer a partir de 01 de novembro. 

O tema também tem sua dose de atenção com a três das quatro sugestões da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (EAE) focando nesse tema.

Recorrência
Alguns outros pontos chamam a atenção por aparecer em pelo menos duas propostas. Uma delas – patrocinada da Petrobras e da AEA – é a criação de mais uma categoria isenta da mistura obrigatória: o diesel usado no 1º enchimento do tanque de veículos novos.

A argumentação é que, como os veículos novos podem ficar um tempo considerável parados antes de serem vendidos, o biodiesel pode se degradar no tanque e causar problemas para esses veículos.

Petrobras, Aprobio e Abiove também querem reduzir o número de testes que os fabricantes precisam fazer mensalmente. A principal demanda é quanto ao parâmetro “Corrosividade ao Cobre”, “Enxofre Total” e “Cinzas Sulfatadas” que já seriam de controlados indiretamente por outros aspectos da especificação. De acordo com Zilio, esses são parâmetros que acabaram ficando obsoletos com o avanço do setor.

Por fim, a Aprobio considera que o aumento das exigências do parâmetro “monoglicerídeos” que, segundo ele, aumentaria os custos dos produtores sem, necessariamente, aumentar a qualidade do produto final. 

Já a Abiove quer que a categoria “Aspecto” não seja mais considerada restritiva. “Hoje, a especificação ‘aspecto’ do biodiesel seja ‘límpido e isento de impurezas’, mas como é uma pessoa que julga isso fica subjetivo. Por isso, a nossa proposta é que esse parâmetro passe a ser considerado apenas indicativo, o comprador não poderia rejeitar um carregamento só com base no aspecto, mas poderia exigir novos testes”, completa o economista da Abiove.

Veja aqui todas as sugestões apresentadas pela entidade.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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