A parcela a produção nacional de biodiesel fabricada a partir do óleo de soja teve uma queda substancial em setembro
A soja deu um belo passo atrás em setembro. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a participação da oleaginosa no mix de matérias-primas consumido pelas usinas de biodiesel foi pouco maior que 66,7%. Trata-se da menor fatia a ser ocupada pela líder de mercado desde janeiro de 2018 quando teve um pouco menos de 66% do mercado.
A soja deu um belo passo atrás em setembro. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a participação da oleaginosa no mix de matérias-primas consumido pelas usinas de biodiesel foi pouco maior que 66,7%. Trata-se da menor fatia a ser ocupada pela líder de mercado desde janeiro de 2018 quando teve um pouco menos de 66% do mercado.
O recuo em relação ao resultado de agosto foi de 3,3 pontos percentuais. Os resultados mais recentes marcam um processo importante de redução na dependência do mercado de biodiesel em relação ao óleo de soja. Nos últimos cinco anos, a líder do mercado teve participação média de 72,4% da produção de biodiesel.
Não se trata de um resultado pontual. Ao longo de 2019, participação do óleo de soja no mercado de biodiesel tem se mantido consistentemente abaixo da média que vinha apresentada nos últimos cinco anos – 2014 até 2018.
Curva de utilização da oleaginosa apresentou algumas mudanças notáveis em reação ao desenho que vinha apresentando em anos anteriores. Além de demorar mais do que de costume para engrenar no começo do ano e ter apresentado uma trajetória de crescimento menos consistente no primeiro semestre; sua queda – agora na entressafra – está menos suave.
Queda para cima
Apesar da perda relativa, a indústria de biodiesel jamais havia consumido tanto óleo de soja num único mês. Em setembro, foram fabricados 372,4 milhões de litros de biodiesel de soja o que exigiu o processamento de praticamente 1,79 milhão de toneladas do grão.
Esse é o maior volume registrado na história do programa de biodiesel. O recorde anterior havia sido registrado em julho quando a produção foi de 362,2 milhões de litros e o processamento de 1,74 milhão de toneladas. Naquele mês, contudo, a participação da soja ficou em 73,1%.
A razão da participação e do consumo das usinas terem caminhado em direções opostas está no aumento da atividade do setor. Puxado pela chegada do B11, a produção de setembro chegou em 558,3 milhões de litros. Um novo recorde para o setor com evidentes reflexos sobre o consumo de matérias-primas.
Até este momento, a produção de biodiesel de soja já soma 2,96 bilhões de litros o que absorveu o equivalente em óleo a 14,2 milhões de toneladas de soja em grão. Essa quantidade é 7,5% maior do que no mesmo período do ano passado.
Sebo recupera espaço
A queda na participação da soja abriu espaço para o sebo. O coproduto da indústria frigorífica teve 12,1% da preferência das usinas, crescimento de quase 2 pontos percentuais em relação ao mês passado. Cerca de 67,6 milhões de litros de biodiesel de sebo foram colocados no mercado.
Esse é o maior volume de biodiesel de sebo fabricado pelas usinas brasileiras em quase quatro anos. O melhor mês para essa matéria-prima antes do atual foi dezembro de 2015 quando a produção beirou os 80,5 milhões de litros.
Apesar desse bom resultado, sebo ficou mais uma vez atrás das matérias-primas desconhecidas. Com 12,6% do mercado, esse é o terceiro mês seguido que o conjunto de óleos e gorduras indeterminado usado pelas usinas ocupa a segunda colocação do mercado.
Embora o recorde de participação das desconhecidas não tenha sido quebrado – em março elas representaram 12,8% do total – tivemos um recorde de volume produzido. Foram 70,6 milhões de litros de biodiesel a partir dessa fonte.
Alta no algodão
Terceira maior fonte de óleo para a indústria até que foi superada pelas desconhecidas em 2016, o óleo de caroço de algodão também parece estar ensaiando uma recuperação.
Em agosto, ela voltou a superar a barreira de 1% de participação. Agora, cravou 2,2%. Trata-se o maior nível de produção a partir do algodão desde janeiro de 2016. A produção foi de 12,3 milhões de litros.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com